Effigy Of The Forgotten: Suffocation comemora os 35 anos de um dos álbuns mais brutais do Death Metal

O dia 22 de outubro de 1991 ocupa um lugar especial na história do Death Metal. Enquanto Chuck Schuldiner e seu Death ampliavam as fronteiras técnicas do gênero com Human, outra banda norte-americana apresentava um trabalho igualmente revolucionário, mas seguindo um caminho consideravelmente mais brutal. Era o Suffocation, que lançava seu primeiro álbum de estúdio, Effigy Of The Forgotten, ajudando a estabelecer algumas das principais características do que posteriormente seria conhecido como Brutal Death Metal.

Formado em Nova York, o grupo já havia chamado a atenção do underground com o EP Human Waste, lançado meses antes. Entretanto, foi com Effigy Of The Forgotten que o Suffocation demonstrou todo o potencial de sua proposta. O grupo combinou riffs extremamente pesados, estruturas complexas, vocais guturais profundos e uma abordagem rítmica que influenciaria inúmeras bandas nas décadas seguintes.

A formação responsável pelo álbum reunia Frank Mullen nos vocais, Terrance Hobbs e Doug Cerrito nas guitarras, Josh Barohn no baixo e Mike Smith na bateria. A produção ficou a cargo de Scott Burns, nome fundamental para o desenvolvimento do Metal extremo durante aquele período.

Uma nova dimensão de brutalidade

A abertura com “Liege Of Inveracity” apresenta algumas das características que transformariam o disco em referência. A composição alterna passagens extremamente rápidas com riffs arrastados e esmagadores, criando contrastes que ampliam significativamente a sensação de peso.

Essas mudanças de andamento se tornariam fundamentais para o desenvolvimento do Brutal Death Metal. Especialmente pela influência dos trechos mais lentos e cadenciados sobre as gerações posteriores de bandas.

Já em “Infecting The Crypts”, o Suffocation apresenta uma sucessão de riffs violentos e passagens instrumentais complexas, sustentadas pelo impressionante trabalho de Mike Smith. Sua utilização de blast beats, viradas e mudanças repentinas de ritmo tornou-se uma das características mais marcantes da identidade musical do grupo.

Músicas como “Seeds Of The Suffering”, “Mass Obliteration” e a faixa-título reforçam a proposta de explorar os limites da brutalidade sem abandonar a sofisticação dos arranjos.

Outro elemento importante é a produção de Scott Burns, responsável por proporcionar ao álbum uma sonoridade extremamente pesada. Contudo, o produtor também fez com que ficasse suficientemente definida para que a complexidade instrumental não se perdesse.

Um legado que atravessou gerações

Se Human, do Death, demonstrava que o Metal extremo poderia explorar caminhos progressivos e composições cada vez mais elaboradas, Effigy Of The Forgotten estabelecia parâmetros para uma vertente que levaria o peso, a velocidade e os vocais guturais a níveis ainda mais extremos.

A influência do disco pode ser percebida na evolução do Brutal Death Metal e em características posteriormente incorporadas por diferentes vertentes do gênero, especialmente o uso de riffs sincopados, mudanças bruscas de andamento e passagens lentas de enorme impacto.

Trinta e cinco anos depois, Effigy Of The Forgotten permanece como um daqueles trabalhos cuja importância ultrapassa a própria discografia de seus criadores. O Suffocation não apenas apresentou um excelente álbum de estreia: ajudou a estabelecer uma linguagem musical que continua sendo explorada por bandas de diferentes gerações.

Um verdadeiro monumento à brutalidade e um dos lançamentos mais importantes da história do Death Metal.

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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