O fim da treta? Edu Falaschi se manifestou sobre as acusações de Roberto Barros, mas ninguém viu…

A entrevista concedida por Edu Falaschi ao Linhagem Geek, publicada há cerca de uma semana, ganha um novo significado diante da polêmica envolvendo o ex-guitarrista de sua banda, Roberto Barros.
Embora a conversa tenha ido ao ar antes da segunda leva de vídeos publicados por Roberto, as primeiras críticas já repercutiam entre os fãs. Curiosamente, sem mencionar o nome de Roberto em nenhum momento, Edu dedicou parte da entrevista para falar justamente sobre os bastidores de sua carreira solo, os desafios financeiros enfrentados desde 2017, os investimentos necessários para manter a estrutura da banda e as dificuldades de administrar uma equipe durante longas turnês.
As declarações acabam oferecendo um contraponto importante às primeiras alegações feitas por Roberto Barros, principalmente àquelas relacionadas às condições das turnês, aos custos da operação e à administração financeira do projeto. Por outro lado, a entrevista não aborda pontos que só viriam à público posteriormente, como a questão dos créditos de composição ou as despesas pessoais que ele afirma ter assumido durante o período de gravação de Vera Cruz e Eldorado.
Ainda assim, as palavras de Edu ajudam a compreender o contexto sobre a construção de sua carreira solo e oferecem ao público uma perspectiva que, até então, não era conhecida.
1. O início na raça
Logo no início da conversa, Edu faz questão de lembrar que o público costuma enxergar apenas o resultado final, sem conhecer as dificuldades enfrentadas nos bastidores.
“A galera vê o sucesso, mas não vê os tombos. Você me vê no palco, mas nunca os bastidores, né?
Cara, tive muitas situações. Essa carreira começou em 2017, então estamos quase há dez anos. Foi uma carreira de muito investimento, de muita luta, tudo organizado. Ela se tornou uma empresa.
Eu comecei na raça. O primeiro show que fiz foi no Carioca Club, alugando a casa. Eu estava na merda, literalmente. Não sei se pode falar palavrão aqui.
Eu estava sem o Angra, sem prestígio, sem a minha mãe. Estava lutando pra caralho para voltar, tentando não desistir de novo.
Aí aconteceram umas coisas diferentes, que um dia eu conto para vocês porque a história é muito longa. Mas um cara me chamou, do nada, para cantar no Peru, só repertório do Angra. Eu já não cantava mais Angra, mas fui lá e cantei. Depois do show o cara me perguntou: ‘Por que você não canta mais isso?’. O lugar estava cheio.
Lá naquele show tinha um gringo, um cantor famoso, o Joe Lynn Turner, de quem eu sou fã pra caralho. Ele chegou para mim e perguntou: ‘Cara, quem é você?’. Eu expliquei toda a história. Contei que eu não cantava mais no Angra e tudo o mais.
Então ele falou: ‘Cara, volta para o Brasil e monta uma carreira solo cantando Angra. Começa cantando Angra. Depois você grava músicas novas, faz as suas coisas, mas constrói primeiro o alicerce da tua história, da forma como o fã te conheceu, que foi com o Angra. Como você tem várias composições suas, pega esse repertório, volta e entrega para o fã aquilo que ele quer de você: o Edu da época do Angra. Depois você constrói tudo o que precisar construir para o futuro em cima disso.’
E foi exatamente isso que eu fiz.
Agora, teve muito investimento, muita luta. Cara, é muita gente envolvida. Então aconteceram situações em que nem todo mundo ficou cem por cento feliz, porque isso virou uma empresa.”
A primeira fala de Edu é uma das mais importantes de toda a entrevista porque estabelece o cenário em que sua carreira iniciou e se desenvolveu. Antes de abordar pagamentos, logística ou administração de turnês, o vocalista relembra que precisou recomeçar praticamente do zero. Além disso, foi em um período que ele próprio define como um dos mais difíceis de sua vida.
Segundo o músico, a retomada exigiu investimentos elevados, muito planejamento e anos de dedicação até que o projeto deixasse de ser apenas uma banda e passasse a funcionar como uma empresa. Essa contextualização dialoga diretamente com parte das críticas apresentadas por Roberto Barros nos primeiros vídeos publicados sobre sua saída da equipe.
Sem rebater diretamente nenhuma acusação, Edu oferece um contexto que ajuda a compreender por que diversas decisões tomadas nos primeiros anos da carreira solo estavam ligadas à necessidade de manter financeiramente um projeto ainda em fase de consolidação. Ao mesmo tempo, sua declaração reconhece que, em uma estrutura com muitos profissionais envolvidos, nem sempre era possível atender às expectativas de todos.
Naturalmente, essa explicação não responde a todas as alegações apresentadas por Roberto Barros e tampouco invalida sua versão dos fatos. É a visão de quem afirma ter assumido o risco financeiro da reconstrução de sua carreira e da manutenção de toda a estrutura necessária. E sem isso, o projeto sequer teria continuado.
2. A administração das turnês
Na sequência da entrevista, Edu Falaschi aprofunda a explicação sobre o funcionamento de sua carreira solo e passa a detalhar a administração das turnês. O vocalista afirma que, em muitos casos, ele próprio assumia o papel de produtor dos eventos, arcando com os riscos financeiros e organizando toda a logística necessária para manter a estrutura funcionando.
Segundo Edu, sua principal preocupação sempre foi garantir que músicos e integrantes da equipe recebessem seus pagamentos nas datas combinadas, mesmo quando isso significava utilizar recursos do próprio bolso ou absorver prejuízos financeiros. Além disso, ele afirma que sempre considerou um compromisso com o público fazer os shows acontecerem, independentemente do retorno financeiro de cada apresentação.
“Teve shows que custaram caro pra caralho. Toda turnê custa caro. Teve turnê de trinta shows em que, sei lá, dezoito eram shows produzidos por mim. Eu era o produtor. Não existia contratante.
Dependendo dessas situações, eu precisava transformar todo aquele trabalho em uma logística que funcionasse para que a turnê acontecesse e eu conseguisse pagar todo mundo da forma correta: pagar o salário dos músicos, da equipe, é o ganha-pão de todo mundo.
Eu sempre tive duas prioridades na minha carreira solo em relação aos shows. Toda vez que eu fizer uma produção, uma turnê ou um show, duas coisas precisam estar cem por cento perfeitas, seja com um ingresso vendido ou com cinco mil. Primeiro: o cachê da banda, dos músicos e da equipe precisa estar pago.
Muitas vezes eu adiantei dinheiro do meu próprio bolso, porque alguns contratos só eram pagos trinta dias depois. Muitas vezes eu tomei prejuízo porque o público não foi o esperado. Também tomei prejuízo em show para cinco mil pessoas, como aconteceu em São Paulo, na gravação do DVD, porque tudo foi investido naquele projeto.
Às vezes acontecia prejuízo até em show para mil pessoas, porque combustível é caro, turnê é cara, aquele show era caro, o aluguel da casa era caro. Em alguns casos eu já sabia que determinado show não daria lucro, mas outro compensaria. Pela rota da turnê, você precisa fazer aquele show. Não dá para fazer um show aqui e outro lá. É uma turnê.”
Esse trecho dialoga diretamente com uma das principais críticas apresentadas por Roberto Barros: as dificuldades enfrentadas durante as turnês. Embora Edu não mencione o ex-guitarrista em nenhum momento, sua explicação oferece um contexto para compreender por que determinadas excursões eram conduzidas com margens financeiras reduzidas ou até mesmo operando no prejuízo.
Outro ponto que chama atenção é a afirmação de que, em diversas ocasiões, o vocalista antecipou recursos próprios. E tudo isso para honrar os pagamentos da equipe, enquanto aguardava o repasse de contratantes. Na prática, Edu afirma que assumia o risco financeiro da operação para evitar atrasos nos cachês e garantir que toda a estrutura continuasse funcionando.
As declarações também ajudam a entender a lógica por trás da realização de apresentações que, isoladamente, poderiam não ser lucrativas. Embora essas explicações não respondam individualmente às experiências relatadas por Roberto Barros, elas apresentam a forma como Edu afirma administrar sua carreira solo. Além disso, reforçam a ideia de que, na sua visão, manter a equipe remunerada e cumprir os compromissos com o público sempre estiveram entre suas prioridades.
3. Edu comenta redução de custos nas turnês e explica escolha das hospedagens
Na sequência da entrevista, Edu Falaschi entra em um ponto que acabou se tornando um dos temas mais debatidos nos dias posteriores. Curiosamente, essa entrevista foi gravada e publicada antes de as declarações do ex-guitarrista sobre os “hostels horríveis” ganharem repercussão.
Ainda assim, Edu já explicava que, em determinadas excursões, foi necessário reduzir o padrão das acomodações para manter a viabilidade financeira da operação, especialmente em períodos de day off, quando toda a equipe permanecia viajando, mas sem realizar apresentações e, consequentemente, sem gerar receita.
“Eu fiz várias turnês. E principalmente uma delas foi muito cara porque tinha muitos day offs (dias não trabalhados, mas remunerados ou que exigem gastos).
Ou seja, eram dias em que eu precisava bancar toda a equipe sem ter show. Não entrava dinheiro. Segunda, terça, quarta, quinta… era tudo day off. Eu pagando hotel, alimentação e todas as despesas de cerca de vinte pessoas.
Às vezes era preciso reduzir um pouco o status, (o padrão) da turnê. A gente sempre ficou em hotel, mas, em algumas situações, precisava ficar em uma pousada ou em um lugar mais simples.
Só que, quando você administra uma empresa, você precisa fazer acontecer.”
Enquanto Roberto descreveu situações em que a equipe teria sido acomodada em hostels com condições precárias, o vocalista afirma que houve momentos em que a produção realmente precisou reduzir o padrão das hospedagens por razões financeiras, mas sustenta que essa era uma decisão operacional necessária para garantir a continuidade da turnê.
Naturalmente, as duas versões não são idênticas. Mas independentemente da interpretação do leitor, esse trecho da entrevista chama atenção por antecipar um dos principais temas que dominariam a discussão pública dias depois. Em um momento em que praticamente ninguém imaginava a dimensão que a polêmica tomaria, Edu já reconhecia que, em determinadas circunstâncias, a equipe precisou abrir mão de um padrão maior de hospedagem para que a turnê pudesse seguir em frente.
4. “Sempre tudo foi falado, aprovado, combinado, assinado.”
Outro trecho da entrevista chama atenção por abordar um aspecto que também esteve presente nas primeiras críticas de Roberto Barros. Estamos falando da forma como as turnês eram conduzidas e o relacionamento entre a produção e os músicos.
Segundo Edu, as decisões envolvendo pagamentos, datas, condições de trabalho e organização das excursões nunca eram tomadas unilateralmente. O vocalista afirma que todos os envolvidos tinham conhecimento prévio das condições de cada projeto. Ele também deixa claro que os acordos eram formalizados antes do início das atividades.
“Minha prioridade era: podia ter uma pessoa, podia ter dez, podia ter cinco mil. Eu precisava pagar todo mundo na data combinada. Então, tudo o que eu fiz com a equipe, com a banda, com todo mundo que esteve envolvido nos meus trabalhos, sempre foi conversado. Inclusive, falei com um integrante da minha banda hoje sobre isso.
Sempre tudo foi falado, aprovado, combinado, assinado. E eu cumpri todos os compromissos de cachê, de data, de pagamento, tudo. Só que, às vezes, você não consegue suprir a expectativa de 100% das pessoas envolvidas. Mas eu fiz o meu melhor, cara. Sempre fiz o meu melhor e sempre vou fazer o meu melhor.
Porque aí surgiu um outro lado do Edu. Eu tive que aprender a ser empresário. Gerenciar pessoas é difícil pra caralho. Cada um é de um jeito, cada um tem uma personalidade. Fui aprendendo com tudo isso. Eu me dediquei muito. Me doei muito.
Enquanto a galera estava curtindo…
Muitas vezes acontecia de o Aquiles chegar para mim e falar: ‘Pô, Edu, vamos para a festa.’ E eu estava no computador fazendo conta. Pensando: ‘Puta merda, tomei um prejuízo de cinco mil aqui, vou precisar de dinheiro para cobrir isso’.”
As declarações acrescentam um novo elemento ao debate. Segundo Edu, as dificuldades enfrentadas na estrada não eram consequência de decisões tomadas de última hora ou impostas sem conhecimento da equipe. Pelo contrário, o vocalista sustenta que todas as condições das turnês eram previamente discutidas, aprovadas e formalizadas entre as partes envolvidas.
Outro ponto relevante é que Edu reconhece que nem sempre conseguia atender às expectativas de todos os profissionais que trabalharam ao seu lado. Ainda assim, afirma que buscou cumprir integralmente os compromissos assumidos e que a administração da carreira solo exigiu dele uma função que até então desconhecia: a de empresário responsável por gerir pessoas, contratos, logística e finanças.
Ao relatar que passava parte do tempo livre calculando prejuízos e reorganizando o orçamento das excursões, enquanto outros integrantes da equipe descansavam ou festejavam após os shows, Edu procura demonstrar que a pressão financeira recaía diretamente sobre ele. É uma perspectiva que ajuda a compreender como o vocalista enxergava os bastidores da operação. E, mais uma vez, oferece um contraponto às críticas apresentadas por Roberto Barros nos primeiros vídeos.
5. “A estrada também cobra muito”
Na parte final da entrevista, Edu Falaschi volta a enfatizar dois princípios que, segundo ele, nortearam toda a sua carreira solo. Garantir o pagamento dos músicos e da equipe técnica e cumprir o compromisso assumido com o público. Fazer os shows acontecerem independentemente das dificuldades financeiras enfrentadas era o principal norte naquele período.
O vocalista também retoma um argumento apresentado anteriormente, afirmando que todas as condições das excursões eram previamente discutidas com os envolvidos. Isto é, ninguém era colocado na estrada sem conhecer a realidade da operação.
“Quando você faz uma turnê, eu aprendi que você não ganha em um show. Você não pode pensar individualmente. Tem que pensar no todo. Eu precisava de um valor específico para bancar vinte pessoas durante quarenta dias.
Não dá para falhar. Não posso deixar de pagar os caras. Não posso falar: ‘Posso te pagar depois?’. Não posso fazer isso com a banda nem com a equipe.
E a outra prioridade, que acho que acabei nem comentando, era realizar o show. Tivesse dinheiro ou não tivesse dinheiro, você tinha que se virar. Se você vendeu ingressos e prometeu para o fã que aquele show iria acontecer, você tem que entregar.
Então, para mim, prioridade número zero era o pagamento de todo mundo e a realização do show. A entrega da experiência para o fã sempre foi um princípio.
Agora, como a gente estava falando, a estrada também cobra muito. Existe tensão, distância, cansaço. Então, nem sempre termina tudo com 100% das pessoas felizes. Mas eu sempre dei o meu melhor. Nunca foi nada pensado para prejudicar ninguém.
Nunca coloquei a galera na estrada sem combinar as coisas ou sem que todos soubessem o que iria acontecer. Sempre esteve tudo pensado, organizado, combinado e assinado. Tudo aprovado. E foi assim que seguimos.”
Esse talvez seja o trecho em que Edu mais se aproxima de responder às primeiras críticas feitas por Roberto Barros. Ao afirmar repetidas vezes que sua prioridade era honrar os pagamentos e garantir a realização dos shows, o vocalista apresenta uma lógica. Segundo ele, isso orientava todas as decisões tomadas durante as turnês.
Outro aspecto relevante é a insistência na ideia de que as dificuldades enfrentadas na estrada não surgiam de maneira inesperada para os músicos. De acordo com Edu, as condições de cada excursão eram previamente discutidas, aprovadas e formalizadas entre as partes. Sendo assim, todos sabiam quais seriam os desafios e limitações antes do início dos trabalhos.
Ao mesmo tempo, o cantor reconhece que o desgaste natural das longas viagens, a pressão, a distância de casa e o cansaço faziam com que nem sempre todos terminassem uma turnê plenamente satisfeitos. Na sua avaliação, porém, isso não significava falta de planejamento ou descumprimento de acordos. Significa uma consequência inerente à rotina de uma operação que envolvia dezenas de pessoas e altos custos logísticos.
A resposta foi satisfatória?
A entrevista ao Linhagem Geek não aborda temas como direitos autorais, participação na composição dos álbuns ou as despesas pessoais que Roberto Barros afirma ter assumido durante o período de criação de Vera Cruz e Eldorado. Isso também é compreensível do ponto de vista cronológico, já que essas acusações sequer haviam sido tornadas públicas quando a conversa foi gravada.
Ainda assim, as declarações de Edu Falaschi acabam respondendo, ainda que de forma indireta, boa parte dos questionamentos levantados nos primeiros vídeos publicados pelo ex-guitarrista. Ao explicar como estruturou sua carreira solo, incluindo os riscos financeiros e a administração das turnês. Mencionando a prioridade ao pagamento da equipe e à realização dos shows, o vocalista apresenta um contexto. E é importante mencionar que até então isso permanecia desconhecido por grande parte do público.
Caso Edu decida se manifestar especificamente sobre as acusações surgidas posteriormente, é provável que boa parte de sua linha de argumentação passe justamente pelos princípios apresentados nesta entrevista: a gestão da carreira como uma empresa, a necessidade de equilibrar custos, contratos e logística e a afirmação de que todas as condições eram previamente discutidas, aprovadas e formalizadas entre os envolvidos.
Finalmente, temos os dois lados da história contados
Desde o início desse embate, o que mais incomodava não era a existência de versões diferentes, mas a ausência de um posicionamento do Edu. Em situações como essa, o silêncio costuma deixar espaço para que apenas uma narrativa prevaleça. O fã, muitas vezes, não espera uma resposta agressiva ou uma troca pública de acusações. Em geral, quer apenas entender como o artista enxerga os acontecimentos e ter elementos suficientes para formar sua própria opinião.
É justamente por isso que esta entrevista ganha importância. Sem citar nomes, sem atacar ninguém e sem transformar a conversa em um acerto de contas público, Edu apresentou sua visão sobre os bastidores da carreira solo e ofereceu um contraponto relevante às críticas que já circulavam naquele momento.
No pronunciamento mais recente, Roberto Barros afirmou que, caso seu nome voltasse a ser citado de forma depreciativa em entrevistas, estaria disposto a revelar o que classificou como “o maior escândalo do Metal nacional”. Até o momento, porém, não houve novos desdobramentos públicos nesse sentido.
Se esse capítulo realmente chegou ao fim, talvez o mais saudável seja justamente isso: que as declarações de ambos permaneçam registradas. Cada lado teve a oportunidade de apresentar sua versão dos acontecimentos e que o público, de posse dessas informações, faça suas próprias reflexões.
Fim?
Talvez.