Dio: “Um médico disse: ‘Você provavelmente tem seis meses de vida’. Choramos a noite toda”

A viúva de Ronnie James Dio, Wendy Dio, concedeu uma nova entrevista ao podcast de Billy Corgan, The Magnificent Others with Billy Corgan e, compartilhou histórias e suas memórias pessoais sobre Dio. Além disso, ela abordou a trajetória musical de um dos maiores vocalistas da história do Metal, incluindo Rainbow e a reunião do Black Sabbath/Heaven and Hell no final dos anos 2000. Em um momento da entrevista, Wendy contou que Dio não tinha certeza se deveria entrar para o Black Sabbath após a saída de Ozzy em 1979. Dio tinha acabado de sair do Rainbow:
“Tony Iommi e Ronnie se encontraram no Rainbow, e acho que o Sabbath tinha decidido que Ozzy não podia mais se apresentar. Era o décimo aniversário da banda, eu me lembro disso. Ronnie voltou e disse: ‘Vou montar uma banda com o Tony’. Parece bom, sabe? De repente, Geezer Butler entrou e Bill Ward também. Ele disse: ‘Black Sabbath… Não sei se gosto da música deles’. Eu disse: ‘Temos 800 dólares no banco, você adora a música deles.'”
Entretanto, Wendy reconhece que, inicialmente, Dio não teve uma boa recepção por parte dos fãs do Black Sabbath:
“Foi difícil para ele, antes de mais nada. As pessoas estavam mostrando o dedo do meio para ele porque ele não era o Ozzy.”
Wendy conta que Dio tinha planos de gravar um novo álbum com o Black Sabbath/Heaven & Hell após o término da turnê em 2010:
“Todos voltaram a se amar, a se divertir, a aproveitar muito, todos se esforçando ao máximo, porque eram todos músicos excelentes.
Eles criaram o Bible Black [do álbum The Devil You Know, de 2009]. Todas aquelas músicas são muito boas e eles se divertiram bastante. Eles iam lançar outro álbum. Pararam a turnê porque o Vinny [Appice, baterista do Heaven & Hell] teve um problema na mão ou algo assim, precisou fazer alguma coisa — sei lá, enfim. Eles deram uma pausa. E o Ronnie não estava se sentindo nada bem. Então, na verdade, eu o levei ao meu médico.”
Mas, infelizmente, veio a notícia que os abalou por completo:
“O médico fez um exame de sangue, me ligou de volta e disse: ‘Wendy, não são boas notícias. Acho que precisamos fazer uma ultrassonografia e uma colonoscopia’. Fizemos tudo isso. Ronnie não sabia. E o médico disse: ‘Ele está com câncer em estágio quatro’. Eu disse: ‘Não conte para ele. Não conte para ele’. Então, passei o fim de semana inteiro tentando encontrar o melhor oncologista possível em qual hospital, e me disseram que era no MD Anderson [Centro de Câncer em Houston, Texas], mas não consegui uma consulta no MD Anderson. Eu estava tentando de tudo. E então alguém disse: ‘Vá para a Clínica Mayo’. Então, voamos para Minneapolis, fomos para a Clínica Mayo, e o médico, um péssimo médico, disse: ‘Bem, você vai morrer. Então, volte e coloque sua vida em ordem. Você provavelmente tem seis meses de vida’. Fomos e ficamos no hotel. Choramos a noite toda; eu me lembro disso.”
Posteriormente, Dio acabou sendo aceito para fazer tratamento no MD Anderson, e Wendy relembrou que Dio começou uma nova amizade com um jovem paciente que também estava se tratando lá:
“Havia um garoto lá, de 19 anos, que estava presente, e Ronnie dedicava mais tempo a cuidar dele do que a si mesmo. E nós costumávamos pular pelos corredores, dizendo: ‘Vamos matar o dragão’. Chamávamos isso de ‘matar o dragão’. E nunca, jamais, nenhum de nós pensou que Ronnie fosse morrer, porque ele se saiu muito bem.”
Após a morte do marido, Wendy Dio fundou o Ronnie James Dio Stand Up And Shout Cancer Fund, uma organização beneficente dedicada à educação, pesquisa e prevenção do câncer. A organização arrecadou quase 3 milhões de dólares, até o momento.
Por fim, assista a entrevisa completa em seguida: