Dimmu Borgir resgata parte da essência do passado e capricha na brutalidade em “Grand Serpent Rising”

A veterana banda norueguesa de Symphonic Black Metal Dimmu Borgir lançou oficialmente o aguardado álbum “Grand Serpent Rising” nesta sexta-feira, 22 de maio, pela Nuclear Blast Records. O disco marca o retorno do grupo após oito anos desde “Eonian” e apresenta treze faixas inéditas que equilibram agressividade extrema, melodias sombrias e uma abordagem mais orgânica da sonoridade característica da banda.
Gravado em Gotemburgo, na Suécia, o trabalho contou novamente com a produção de Fredrik Nordström, nome diretamente ligado a clássicos da discografia do Dimmu Borgir, como “Puritanical Euphoric Misanthropia” e “Death Cult Armageddon”. Segundo os músicos, o objetivo consistiu em recuperar a atmosfera obscura dos primeiros anos sem abandonar a dimensão épica construída ao longo das últimas décadas.
O repertório de “Grand Serpent Rising” reúne as faixas “Tridentium”, “Ascent”, “As Seen In The Unseen”, “The Qryptfarer”, “Ulvgjeld & Blodsodel”, “Repository Of Divine Transmutation”, “Slik Minnes En Alkymist”, “Phantom Of The Nemesis”, “The Exonerated”, “Recognizant”, “At The Precipice Of Convergence”, “Shadows Of A Thousand Perceptions” e “Gjǫll”. Além disso, o álbum reforça referências ao black metal norueguês dos anos 1990 enquanto incorpora estruturas mais dinâmicas e composições cuidadosamente refinadas.
“As Seen In The Unseen” ganha videoclipe cinematográfico
Junto do lançamento do álbum, o Dimmu Borgir disponibilizou o single “As Seen In The Unseen”, acompanhado de um videoclipe cinematográfico que amplia a atmosfera obscura e ritualística da nova fase da banda. A música aparece como uma das peças centrais do disco e evidencia a proposta sonora mais direta e intensa adotada pelo grupo nesta nova etapa.
Musicalmente, a faixa combina riffs agressivos, camadas orquestrais mais contidas e uma produção menos artificial em comparação aos trabalhos recentes. De acordo com Sven “Silenoz” Kopperud, a intenção foi fazer o álbum soar como uma verdadeira banda tocando ao vivo, sem exageros de edição digital ou baterias excessivamente quantizadas.
O single também reforça o conceito espiritual e filosófico presente em “Grand Serpent Rising”. Ao longo do disco, temas ligados à transformação pessoal, transcendência, alquimia espiritual e despertar interior aparecem constantemente nas letras. A simbologia da serpente ocupa posição central nessa narrativa, representando renovação, crescimento e libertação.
Shagrath destaca peso, melodia e diversidade do novo disco
O vocalista Stian “Shagrath” Thoresen afirmou que o novo trabalho reúne todas as fases da trajetória do Dimmu Borgir. Segundo ele, algumas músicas remetem diretamente aos primeiros anos da banda, enquanto outras expandem os limites da sonoridade construída ao longo das décadas.
De acordo com Shagrath, o grupo optou por utilizar os elementos sinfônicos de maneira mais estratégica desta vez. Em vez de preencher todas as músicas com grandes arranjos orquestrais, a banda preferiu inseri-los apenas nos momentos em que realmente intensificassem o impacto das composições. O resultado, segundo o vocalista, trouxe um álbum mais brutal, sombrio e dinâmico.
Silenoz comenta o processo criativo e a busca pela essência do Dimmu Borgir
Para Silenoz, o processo de composição exigiu um enorme esforço de seleção. O guitarrista revelou que o material produzido durante os anos de desenvolvimento era suficiente até mesmo para um álbum duplo. Ainda assim, o grupo decidiu eliminar diversas ideias para manter o disco mais coeso e impactante.
O músico descreveu essa etapa como o clássico processo de “matar seus queridinhos”, expressão usada para definir momentos em que riffs, melodias e trechos inteiros precisam ser descartados em favor da fluidez do álbum. Segundo ele, muitas das partes removidas ainda possuem qualidade, porém não se encaixavam adequadamente no contexto final das músicas.
Além disso, Silenoz destacou que o retorno da parceria com Fredrik Nordström aconteceu de forma natural. O guitarrista explicou que a conexão entre produtor e banda reacendeu após a remixagem de “Puritanical Euphoric Misanthropia”, o que acabou motivando uma nova colaboração em estúdio.
Mudanças internas influenciaram diretamente a composição
Outro detalhe importante envolvendo “Grand Serpent Rising” foi a saída do guitarrista Galder em 2024 para focar novamente no Old Man’s Child. Curiosamente, a mudança aproximou o processo criativo da formação clássica do Dimmu Borgir, concentrando as decisões principalmente entre Silenoz e Shagrath.
Mesmo assim, o álbum também recebeu contribuições importantes de Daray, Victor Brandt, Gerlioz e Damage, que participaram ativamente do desenvolvimento das faixas. Segundo Silenoz, a dinâmica atual da banda funciona de maneira extremamente direta, sem espaço para excessos ou ideias que não fortaleçam verdadeiramente as composições.
Durante entrevistas recentes, o guitarrista ainda comentou que o grupo nunca trabalhou sob pressão externa para lançar novos materiais rapidamente. Para ele, qualidade sempre esteve acima de quantidade, especialmente quando se trata de criar música extrema com identidade própria.
Confira abaixo a arte de capa e o tracklist de “Grand Serpent Rising”:
- 01 Tridentium
- 02 Ascent
- 03 As Seen In The Unseen
- 04 The Qryptfarer
- 05 Ulvgjeld & Blodsodel
- 06 Repository Of Divine Transmutation
- 07 Slik Minnes En Alkymist
- 08 Phantom Of The Nemesis
- 09 The Exonerated
- 10 Recognizant
- 11 At The Precipice Of Convergence
- 12 Shadows Of A Thousand Perceptions
- 13 Gjǫll