Dave Mustaine rebate fama de “vilão” e defende sua liderança no Megadeth

Dave Mustaine, vocalista e guitarrista do Megadeth e ex-integrante do Metallica, comentou sua participação no palco ao lado de seus antigos companheiros em dezembro de 2011 e rebateu a imagem de pessoa difícil que, segundo ele, passou a acompanhá-lo ao longo da carreira. Em entrevista ao podcast Let There Be Talk, apresentado por Dean Delray, o músico também refletiu sobre sua relação com o antigo grupo e defendeu sua trajetória como líder do Megadeth, que se aproxima de 45 anos de história.
Questionado sobre sua reação inicial ao convite para tocar novamente com o Metallica, durante a celebração dos 30 anos da banda no Fillmore, em São Francisco, Mustaine admitiu ter sentimentos contraditórios.
“Não me lembro claramente, mas provavelmente foi um pouco de ‘não’, um pouco de ‘sim’, um pouco de ‘por que demoraram tanto?’ e um pouco de ‘não deveríamos ter feito isso há muito tempo?’. Pense em todos os jovens que gostariam de ter me visto tocar com o Metallica. Essa parte é triste.”
A apresentação ocorreu na quarta e última noite da série especial de shows para integrantes do fã-clube, em dezembro de 2011.
“Eu não sou um cara mau”, afirma Mustaine
Durante a conversa, o músico também mencionou declarações recentes de Marty Friedman, ex-guitarrista do Megadeth, sobre sua saída da banda e a maneira como lidou com a decisão. Mustaine disse ter gostado da reflexão, pois acredita que acabou responsabilizado pela partida do colega.
“Quando Marty saiu, eu me tornei o vilão. E eu não sou um cara mau. Não sou um cara mau. Se você me irritar, sabe de uma coisa? Existe uma chance de 50% de eu reagir mal, mas, geralmente, não fico andando por aí com um peso no ombro.”
Ele também contestou as críticas à sua atuação como líder e a ideia de que não aproveitava as composições dos integrantes.
“Quando Marty saiu, todo mundo pensou: ‘Dave não estava usando as músicas dele’, ‘Dave é um péssimo líder de banda’. É muito fácil: você consegue dois caras dizendo a mesma coisa e, então, aquilo parece verdade. Não sou um mau líder de banda. Veja onde o Megadeth está agora, depois de quase 45 anos. Estamos maiores do que nunca. Os integrantes da banda estão mais felizes do que jamais estiveram.”
A saída do Metallica e a trajetória do Megadeth
Mustaine integrou a formação inicial do Metallica, mas deixou o grupo em 1983, após ser demitido pelo baterista Lars Ulrich. Kirk Hammett assumiu seu lugar, enquanto Mustaine seguiu outro caminho e fundou o Megadeth, que conquistou reconhecimento internacional. Apesar da importância de sua passagem pela formação inicial, ele não tocou em nenhum álbum de estúdio do Metallica. Além disso, o guitarrista ficou de fora da cerimônia de entrada da banda no Rock And Roll Hall Of Fame, em 2009.
Na época, Ulrich explicou ao jornal The Plain Dealer que a banda precisou estabelecer um limite para inclusões na homenagem.
“Dave Mustaine nunca tocou em nenhum disco do Metallica. Sem desrespeito a ele, mas havia meia dúzia de outras pessoas que fizeram parte da formação nos primeiros dias. Achamos que a coisa justa a fazer seria incluir todos que tocaram em um disco do Metallica.”
O baterista acrescentou que Mustaine permaneceu no grupo por 11 meses, principalmente em 1982, e ressaltou:
“Não estou tentando minimizar isso. Não tenho nada além de respeito e admiração pelas conquistas dele desde então”.