Marty Friedman admite arrependimento pela forma como deixou o Megadeth: “Não tenho orgulho das minhas atitudes”

Mais de 25 anos depois de encerrar sua passagem pelo Megadeth, Marty Friedman admite que não se arrepende de ter tomado a decisão de sair da banda, mas reconhece que a maneira como conduziu aquele processo deixou bastante a desejar.
Em uma nova entrevista ao radialista britânico Paul Stephenson, do podcast VRP Rocks, o guitarrista revisitou sua saída do grupo comandado por Dave Mustaine, falou sobre as mágoas daquele período e relembrou o reencontro histórico realizado no Nippon Budokan, em Tóquio, em 2023.
“A decisão não foi difícil”
Marty deixou o Megadeth em 2000, depois de aproximadamente uma década na banda. Durante sua passagem, participou de discos fundamentais como “Rust In Peace”, “Countdown To Extinction”, “Youthanasia”, “Cryptic Writings” e “Risk”.
O guitarrista explicou que, naquele momento, já sentia que havia chegado ao limite do que poderia fazer artisticamente dentro do grupo. Por isso, decidir sair não foi particularmente complicado.
“A decisão não foi difícil. Colocá-la em prática foi muito difícil.”
O problema estava no momento escolhido. O Megadeth ainda estava em turnê, e Friedman queria encerrar sua participação imediatamente, embora ainda tivesse compromissos profissionais com a banda.
Ele reconheceu que agiu de forma egoísta naquela situação. Em seu entendimento atual, emocionalmente já havia deixado o grupo e queria simplesmente concluir aquele ciclo, mas existiam responsabilidades que não poderiam ser ignoradas.
Marty afirmou que tentou cumprir seus compromissos, porém uma série de circunstâncias fez com que tudo terminasse de uma maneira muito menos tranquila do que gostaria.
“Naquela época, eu não tinha orgulho das minhas atitudes.”
Segundo o músico, o episódio provocou mágoas e permaneceu como algo que ele lamentou durante muito tempo. A história foi abordada com mais profundidade em sua autobiografia “Dreaming Japanese”, lançada em 2024.
Megadeth e Marty seguiram caminhos diferentes — e ambos venceram
Apesar do desgaste ocorrido na época, Friedman não demonstra ressentimento ao olhar para o que aconteceu depois.
O guitarrista observa que o Megadeth se recuperou de sua saída e continuou construindo uma carreira de enorme sucesso. Ao mesmo tempo, ele seguiu um caminho completamente diferente, mudou-se para o Japão e estabeleceu uma carreira solo bastante particular.
Para Marty, no fim das contas, os dois lados conseguiram vencer. Com o passar dos anos, a relação com Mustaine também foi reconstruída. Os dois continuaram mantendo contato, abrindo caminho para algo que durante muito tempo parecia improvável.
O show no Budokan resolveu uma história antiga
Em 27 de fevereiro de 2023, Marty voltou ao palco com o Megadeth durante o primeiro show da história da banda no lendário Nippon Budokan, em Tóquio.
Ele participou de três músicas: “Countdown To Extinction”, “Tornado Of Souls” e “Symphony Of Destruction”.
A apresentação possuía um significado particular para Friedman e Mustaine.
Durante a turnê de “Countdown To Extinction”, nos anos 1990, o Megadeth havia conseguido esgotar um show no Budokan, mas problemas acabaram impedindo que aquela apresentação acontecesse.
Para Marty, aquilo permaneceu como uma espécie de assunto inacabado.
Quando Mustaine finalmente avisou que o Megadeth tocaria no local e perguntou se ele gostaria de participar, Friedman aceitou.
“Foi uma noite de milagres.”
Segundo o guitarrista, havia fãs chorando e outros sorrindo de orelha a orelha. Para ele, não se tratou simplesmente de mais um concerto, mas de uma noite em que muitas pontes foram definitivamente reconstruídas.
“Muita boa vontade aconteceu naquele dia”
Curiosamente, Marty já havia tocado oito vezes no Budokan em outras situações ao longo de sua carreira no Japão.
Mesmo assim, ainda sentia que precisava subir naquele palco novamente com o Megadeth. O reencontro de 2023 finalmente encerrou esse capítulo.
Friedman explicou que não existia necessariamente uma enorme ruptura entre ele e Mustaine naquele momento, mas o show representou algo simbólico para ambos e para uma geração inteira de fãs.
Meses depois, em agosto de 2023, Marty voltou a participar de um show do Megadeth no Wacken Open Air, tocando “Trust”, “Tornado Of Souls”, “Symphony Of Destruction” e “Holy Wars… The Punishment Due”.
Marty Friedman estará no Brasil em novembro
Os fãs brasileiros também terão a oportunidade de ver Friedman muito em breve.
O guitarrista passa pelo país com a turnê comemorativa de 34 anos de “Scenes” e fará duas apresentações:
- 11 de novembro — Manifesto Bar — São Paulo/SP
- 12 de novembro — Jokers Pub — Curitiba/PR
Em São Paulo, os ingressos disponíveis atualmente partem de R$ 275 no segundo lote para meia-entrada ou ingresso solidário, além das taxas. A apresentação acontece no Manifesto, na Vila Olímpia.
Décadas depois de uma separação que deixou feridas, Marty Friedman parece enxergar aquele período com muito mais tranquilidade. E, de certa maneira, aquele show no Budokan serviu para finalmente fechar uma conta aberta desde o fim dos anos 1990.