Dave Mustaine fecha o ciclo com “Ride The Lightning”: “Eu queria prestar meu respeito a James Hetfield”

Desde os primeiros anos do thrash metal, Dave Mustaine ocupa um papel central na construção do gênero. Antes mesmo de consolidar sua própria banda, o músico participou diretamente da formação criativa do Metallica, deixando sua marca em riffs, estruturas e ideias que moldariam o som do grupo. Agora, décadas depois, essa história ganha um novo capítulo com a decisão de revisitar uma de suas composições mais emblemáticas.

Mesmo tendo sido desligado do Metallica antes da gravação do álbum de estreia, Dave Mustaine manteve créditos autorais em músicas que se tornaram fundamentais no catálogo da banda. No segundo disco do grupo, duas faixas carregam sua assinatura, reforçando o peso de sua contribuição naquele período formativo. Entre elas está Ride The Lightning, escolhida para ganhar uma nova leitura no próximo trabalho do Megadeth.

Ao longo do tempo, a relação entre passado e presente sempre esteve presente na trajetória do Megadeth. Já no primeiro álbum, Killing Is My Business… And Business Is Good!, o grupo apresentou Mechanix, versão acelerada de The Four Horsemen, música que originalmente aparecia na demo No Life ‘Till Leather. Esse gesto simbolizava não apenas ruptura, mas também continuidade criativa.

Respeito, memória e fechamento de ciclo

Desta vez, o contexto é diferente. A nova versão de Ride The Lightning surge como um gesto consciente de respeito e reconhecimento. Dave Mustaine deixou claro que não se trata apenas de um cover tradicional, mas de uma retomada pessoal de algo que ele ajudou a criar. Segundo o músico, a escolha da faixa passou por uma reflexão profunda sobre legado e trajetória.

Nesse processo, Dave Mustaine também fez questão de destacar a importância de James Hetfield e Lars Ulrich durante a fase inicial da banda. Ele relembrou como ambos participaram ativamente da construção das músicas, ressaltando especialmente o impacto da evolução musical de Hetfield como guitarrista e intérprete.

Além disso, o líder do Megadeth comentou que, na época em que integrava o Metallica, a banda nunca chegou a produzir uma versão totalmente acabada de Ride The Lightning. Assim, revisitar a canção agora também representa a chance de ouvir aquela ideia antiga sob uma nova perspectiva, com produção completa e identidade atualizada.

Photo: Javier Vicencio/ Eyepix Group/LightRocket/ Getty Images

Uma releitura com identidade própria

Musicalmente, a nova gravação preserva a essência da composição, mas traz ajustes pensados para o presente. Dave Mustaine explicou que o Megadeth acelerou levemente o andamento e reforçou alguns trechos para conferir um peso mais moderno. Ainda assim, o objetivo principal nunca foi competir com a versão original, e sim honrá-la.

O músico também ressaltou sua admiração pela performance vocal original de James Hetfield, descrevendo-a como impressionante e cheia de intensidade. Para ele, revisitar a faixa foi uma forma sincera de reconhecer o impacto artístico dos antigos companheiros e a relevância histórica do trabalho que realizaram juntos.

Esse espírito de encerramento simbólico se conecta diretamente ao novo álbum do Megadeth, que marca mais um passo importante na longa carreira da banda. Ao incluir Ride The Lightning como faixa bônus, Dave Mustaine transforma o disco em um ponto de encontro entre passado, presente e legado.

Declarações de Dave Mustaine à Guitar World:

“A principal razão pela qual escolhi fazer isso foi fechar o círculo e prestar meu respeito aos meus parceiros. Achei que essa seria uma ótima maneira de fazer isso.

Sempre que escolhemos músicas de outras bandas para colocar nos nossos álbuns, às vezes há muita reflexão por trás e às vezes não. Essa foi uma daquelas em que pensamos bastante, porque tudo o que eu queria era tocar a música que escrevi com os caras do Metallica. Eu queria prestar meu respeito a James Hetfield, que considero um guitarrista incrível, e a Lars Ulrich, que foi um excelente compositor. Quando eu estava lá, montando essas músicas, o Lars não ficava apenas parado; ele foi muito importante na criação dessas canções.

Nunca conseguimos fazer uma versão totalmente produzida de ‘Ride The Lightning’ enquanto eu estava no Metallica, e eu sempre quis ter ouvido isso.

Preciso dizer que, ouvindo hoje a performance vocal original do James, ela foi realmente tremenda.

No fim das contas, não há uma grande estratégia por trás disso; eu respeito os caras e só queria mostrar isso. E é uma música incrível.”


Photo: Joseph Okpako, WireImage/ Getty Images
Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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