Clássicos: Xentrix – “Shattered Existence” (1989)

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Gravadora: Roadracer Records

Assim como a sua primeira demo em toda a história, o britânico Xentrix, banda de Thrash Metal que iniciou suas atividades em…, seu primeiro full-length recebeu o nome “Shattered Existence”, com a intenção de mostrar aos adeptos europeus que a Inglaterra não havia perdido o pique após o fim da New Wave Of British Heavy Metal, ainda na primeira metade da década de 80. E também para mostrar que o Thrash Metal não estava surgindo e sendo inserido nos EUA e na Alemanha somente. Em 1988 era dada a largada de mais uma banda de Thrash Metal inglesa de Preston, Lancashire, pronta para figurar ao lado de bandas compatriotas de alto calibre como Onslaught e Sabbat, para citar alguns ótimos exemplos. Voltando um pouco no início da jornada, o Xentrix (pronuncia-se “Zen-tricks”) começou sua carreira em 1985 com o nome de Sweet Vengeance, tocando covers de bandas de Metal antes de concentrar todos os seus esforços em criar material original. Após apresentações realizadas pelo guitarrista e vocalista Chris Astley, o guitarrista Kristian Havard, o baterista Dennis Gasser e o baixista Paul Mackenzie, suficientes para despertar o sensor do investimento nas gravadoras, a filial da Roadrunner Records percebeu e assinou o grupo em janeiro de 1989.

O álbum de estreia da banda, “Shattered Existence”, foi lançado em 18 de setembro de 1989 pela Roadracer Records, sendo produzido por John Cuniberti, fato que trouxe mais espaço para a banda realizar seus trabalhos ao vivo. Em meio a vários shows espaçados o grupo conseguiu embarcar em sua primeira turnê no Reino Unido em maio de 1990. Coincidindo com a turnê, o quarteto lançou um novo EP de três canções com um cover de “Ghostbusters” de Ray Parker Jr, gerando alguma polêmica por causa do logotipo Ghostbusters em seu EP. O sucesso deste EP levou à gravação do segundo LP para Roadrunner, que, lançado no final de 1990 sob o título “For Whose Advantage?”, disco que se tornou rival do debut entre os fãs, já que parte deles têm o “Shattered Existence” como o melhor álbum do Xentrix, e outra parcela dos adeptos preferem o segundo disco. Já a matéria prefere hoje falar do debut, pois este sim é o primeiro clássico não somente da banda, como também de todo o Thrash Metal mundial.

O sucesso do Xentrix, além de não ter sido muito grande, também não foi tão duradouro assim. Porém, para os padrões do underground, uma banda que consegue realizar sua primeira ‘tour’ logo após o lançamento do seu primeiro álbum é algo a se comemorar muito, mesmo até para os padrões de hoje. Não é toda banda que conquista esse feito, e na época em que o Xentrix conseguiu esse grandioso feito, o mundo vivia grandes tensões geográficas que resultariam em muitas dissoluções na virada da década de 80 para 90. O Metal ainda possuía sua força mais extensiva, tanto que os ingleses conseguiram chegar até seus principais objetivos até então. Sem ser do eixo Alemanha e Estados Unidos, eles mostraram que poderiam ir longe mesmo sendo de outro país, o país mais conhecido pelo Classic Rock e pelo Heavy Metal tradicional, muito graças à saudosa e já citada NWOBHM. Ainda sobre o disco, este foi gravado no Sinewave Studios, Birmingham, de 22 de maio a 2 de junho de 1989. E a faixa “Crimes”, que vem a ser a terceira faixa no tracklist, recebeu um videoclipe, mostrando que o investimento foi bastante sério e que trouxe bons resultados para o conglomerado inglês, que conseguiu sequenciar o seu percurso, conforme acompanhamos acima.

Contados os fatos que justificam a audácia dos cidadãos de Lancashire, vamos mergulhar nos fatores musicais que fizeram de “Shattered Existence”, um dos grandes álbuns lançados na terra da rainha. Há quem diga nunca ter ouvido falar no glorioso Xentrix, mas estamos aqui para mostrar o quão gigantesco é o universo do Metal, e que não existem somente as bandas citadas nas mais variadas revistas virtuais de fofocas que se tem notícia por aí. Além do mais, também existem bandas que com holofotes quase desligados, conseguiram êxito e construíram sua trajetória em seus primeiros anos de existência, graças aos objetivos alcançados relacionados às sonhadas turnês de divulgação.

De acordo com a imagem da capa de “Shattered Existence”, a mesma se reparte em vários pedaços como uma vidraça ao ser atingida por uma violenta pedrada. É essa a mensagem inicial de “No Compromise”, faixa de abertura deste belo papiro britânico que coloca à prova todo o seu potencial para que o ouvinte não tenha tempo de questionar coisas sem o devido valor. Os primeiros dedilhados de guitarra junto às bases iniciais apresentam a ideia de que você não deve desistir das coisas e dos caminhos almejados por conta dos dizeres daqueles que só querem ver a sua desgraça. “Eles” têm medo da sua astúcia e da sua capacidade de seguir em frente. Isso vale para quem comanda a pena recheada de nanquim que por pouco não desiste de cada ideia traçada. A batalha continua seguindo o ritmo frenético das linhas e viradas de bateria de Dennis Gasser. Não se comprometa ao ser quem você não é. Faça o seu caminho e mostre a eles o seu devido valor. O balanço do mar de pancadas é contemplado pela “Balance Of Power”, que te leva para um momento de pura e excelente sensação através da pulsação do baixo de Paul Mackenzie. As principais causas nem sempre são os fatos mais importantes para entender a situação de quem se vê perante uma batalha sem vencedores, somente perdedores. Todos perdem e sobra apenas uma bandeira que perde o seu significado ao ser hasteada em um lugar completamente inundado de mentes incapazes de tomar a frente de seu pelotão. Os riffs celebram a fraqueza e a proibição de diversas condições. Você envia o seu filho sem saber se ele irá voltar. E quando volta passa a odiar tudo que tenha ligação contigo. A busca pelo equilíbrio e o balanço correto é incessante e constantemente atropelada por leis abruptas e arrogantes que apenas possuem a função de afundar a humanidade em sangue e corpos ao meio fio. Os solos de Kristian Havard lembram bastante as tradições do Metallica, mas sem jamais perder a sua própria identidade, enquanto as bases mantêm o navio no prumo com tranquilidade.

“Crimes” videoclip

Graças aos super poderes de seu videoclipe, “Crimes” fecha a primeira trinca de ases dentro do próprio material com partes completamente insanas e vibrantes. “Eu controlo meu destino / Ou existe uma autoridade superior / Isso comete atrocidade / Temo pela humanidade” – a dúvida sobre o controle total, os crimes acobertados e várias mãos sujas sendo limpas da noite para o dia. Parece com um certo desgoverno por aqui que não consegue provar nada do que diz e continua nos roubando diariamente. Ah, se eu tivesse meu incinerador de políticos gigante… O destino não pode ser simplificado dessa forma e você pode fugir da queda ao lutar contra isso. Sendo controlado ou não, siga em prol dos teus sonhos, pois as guitarras do Xentrix te chamam e clamam o seu nome para entrar em combate e fazer bonito nesse mosh! Para manter o público dentro da realidade temos “Back In The Real World”, que te joga no centro da cidade junto a toda a correria que enfeita o lugar repleto de luzes e diversas atrocidades que quase ninguém consegue prestar a devida atenção. “Quantas vezes você deve nos contar sobre os seus / Sonhos estúpidos e sem sentido? / Acorde e perceba que a vida / Não é tão fácil quanto parece” – os backing vocals oferecidos pelos outros integrantes mostram toda a força da banda que nos passa o recado de que nem tudo são flores, como diria o velho e carcomido ditado, e somado a todo o massacre sonoro temos a noção repassada sobre o quão cruel pode ser a vida e o quanto você pode estar cego ao ter sonhos estúpidos dos quais vive a contar sem que pare para pensar se isso possui algum sentido, se realmente vale à pena lutar por isso. Destaque mais uma vez para os solos de guitarra, sem contar toda a estrutura oferecida pelos demais instrumentos. Pedais duplos comendo soltos como guepardos famintos, e contrabaixo que parece uma surra de sino de igreja na fuça do bandido devido ao peso da criança.

“Dark Enemy” mostra sua face sombria e acelera o ritmo em direção ao tratante que te atrapalha em todo o seu percurso, custando a melhorar conforme os dias passam. Riffs e mais riffs são despejados e contornados também pelos vocais raivosos de Chris Astley, que trabalha bem os fraseados rítmicos de sua poderosa guitarra. Seu parceiro de instrumento, Kristian Havard, amplia o marcador em favor do time inglês. Os solos devastadores tentam te acordar para que não caia nas garras da depressão nefasta, te tornando mais uma vítima sufocada e acorrentada por si mesma sem que ao menos perceba. O sangue maligno aparece em “Bad Blood” com pitadas de Slayer completamente à mostra. Para o nome e o tema da canção, fica óbvia a influência sonora citada. Porém, os moldes são todos assinados pelo bravo Xentrix. “Um punho cheio de fúria, sem juiz e sem júri / Existe um tempo e um lugar / Uma decisão acertada com precisão perfeita / Acho que é hora de acabar com a raça humana” – você pode tratar esse momento como um crime contra a suposta pessoa amada e ao mesmo tempo através de um ser poderoso que deseja pulverizar a população, e visto por estes dois ângulos são fáceis notar a similaridade com relação ao ódio em ambos os cenários. Um ódio absurdo e presente à nossa volta. Basta você não se deixar levar pelo cheiro de sangue e pelo sabor de morte contido em tais ideias imbecis. Após a introdução excelente, o inimigo se identifica e a caçada começa com tiros certeiro de uma bateria arrebatadora de seres sensíveis às luzes de uma sonoridade tão maligna, positivamente falando. A vontade de tocar é sentida em todas as linhas sonoras da “múzga”. Diferente do Metallica, o baixo é amplamente valorizado e destacado neste disco, e novamente os solos são alegremente assimilados e absorvidos pelos ouvidos ávidos por um som de qualidade como este.

Se há motivos para destruição total, está inserida em “Reasons For Destruction”, faixa que exerce o papel de acordar os mais distraídos e tapados para que fujam dos vigários de batina. “Senhores da guerra religiosos para nos manter na linha / Exércitos dogmáticos para adorar o santuário / Líderes fanáticos em todo o mundo / Guerras religiosas para todos nós amaldiçoarmos” – guerras santificadas por defenderem algo que a população nem sequer pediu, pois nunca teve direito a nada. O sangue sem nome é derramado em vão e se tornando número estatístico horas mais tarde graças à TV. Os solos e toda o andaime sonoro erguido mostra uma estrutura bastante segura e equilibrada, o que reforça ainda mais a mensagem sobre ninguém ser obrigado a seguir dogmas de seres que só se fazem presente para atrapalhar o planeta. A imposição é um mal que praticamente não possui cura. Para manter a segurança de um trabalho promissor e realista, surge na sua frente “Position Of Security”, com uma introdução constituída pelo nobre baterista Dennis Gasser, até que guitarras e baixo entram em ação para abrir as cortinas aos vocais de Chris Astley, que com suas linhas de guitarra, conduz mais uma canção para o alto em se tratando de algo bastante produtivo e que serve para mostrar que se deve analisar as suas conquistas, mantendo-as e constante conclusão para que não caia em tentação e sofra com as amarras da sociedade que te empurra morro abaixo constantemente. A versatilidade do Thrash Metal proporcionado pelo Xentrix empolga bastante e mostra através dos versos proferidos por Chris os dizeres sobre você achar que está tudo bem, mas que você está completamente cego e é mais do que a hora de rever seus conceitos e avaliar suas decisões para que haja cada vez mais equilíbrio durante o seguimento da estrada, assim mantendo sua posição de segurança, acompanhado deslumbres musicais sensacionais, que abrem espaço para mais solos magistrais, e se chegue firme até o final.

“Pick up the pieces, a shattered existence

Turn the page, put up some resistance”

“Heaven Cent” fecha este que representa o poder do Thrash Metal, seja qual for a origem de quem o faz, colocando uma correria desenfreada do jeito que o bom estilo pede. Os versos prescritos nos muros do Metal a princípio pregam uma situação relacionada ao político que sobe ao cargo apenas para explorar e exterminar a população sem dar chance para nenhum tipo de reivindicação, muito menos um aprendizado sobre a bandidagem para que sumam com esses charlatães de plantão… Porém, no decorrer da pista, vemos os métodos voltados ao senhores da “palavra”, que pregam e não importando se haverá o sacrifício de quem se ama por conta de uma falsa pureza. Os acordes vorazes cobrem todo o alicerce verbal e fazem da canção outro belo gol de placa, ao mesmo tempo em que é dito sobre as pessoas sangrarem contra a vontade, por conta da realização da obra do “senhor” com habilidade invejável e mortal. Entre idas e vindas, finalmente o Xentrix está de volta, mas ao retratar o seu passado podemos averiguar que a banda poderia ir ainda mais longe se soubesse encarar as mudanças nos anos 90. Foi difícil para muitas bandas de Metal, mas vemos que a banda tinha potencial e não foi tão explorado assim. “Shattered Existence” abriu os horizontes para os ingleses e eles embarcaram e conquistaram muitas coisas que só fizeram a banda ser mais reconhecida. A banda está de volta e muitos desejam que o próximo álbum possua características do debut.

“A igreja para os pecadores, sua hora mais negra.
Homens santos pregando mentiras sagradas.
Cego demais para ver o sorriso do Poderoso,
Quem se importa se vivemos ou morremos.
Para fazer e obedecer…”

Nota: 9,4

Integrantes:

  • Chris Astley (vocal, guitarra rítmica)
  • Kristian Havard (guitarra solo, vocal de apoio)
  • Paul Mackenzie (baixo, vocal de apoio)
  • Dennis Gasser (bateria, vocal de apoio)

Faixas:

  • 1. No Compromise
  • 2. Balance Of Power
  • 3. Crimes
  • 4. Back In The Real World
  • 5. Dark Enemy
  • 6. Bad Blood
  • 7. Reasons For Destruction
  • 8. Position Of Security
  • 9. Heaven Cent

Redigido por: Stephan Giuliano

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