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Clássicos: Triumph – “Thunder Seven” (1984)

MCA Records

Após uma sequencia de dois álbuns que aumentaram a sua visibilidade na cena mundial, “Allied Forces” em 1981 e “Never Surrender” em 1983, o power trio canadense de Prog/Hard Rock, Triumph, escalou ninguém menos que o gênio Eddie Kramer para a produção do seu sétimo disco, “Thunder Seven”. Kramer faz parte da elite de produtores, que é formada por nomes como Martin Birch, Andy Sneap, Rick Rubin, Chris Tsangarides, George Martin, entre outros.

Lembro até hoje o dia em que fui pela primeira vez na casa de um amigo e, posteriormente, professor. Ele tinha três álbuns do Triumph, “Just A Game”, “Never Surrender” e “Thunder Seven”. Foi dessa forma que eu conheci a banda e, instantaneamente, me tornei fã. Gosto de todos os dez discos deles, mas o sétimo full-lenght se tornou cada vez mais especial com o passar dos anos.

   
TRIUMPH / Reprodução

Esse álbum possui uma estranha peculiaridade, que talvez tenha sido o seu único equívoco. Os dois singles, apesar de serem duas ótimas canções, são as faixas com o menor potencial entre as dez.



Um dos singles, “Spellbound”, abre o álbum com um riff envolvente e mágico. Hard Rock fascinante que hipnotiza como se enfeitiçasse.

“Fascinado, sonhando com você o tempo todo… / Encantado, parece que estou caindo sobre a linha… / Encantado, ficará tudo claro em minha mente ao amanhecer?”

O refrão me congela de forma criogênica em minha juventude e demoro a sair desse transe.

“Eu não faço promessas / as quais eu não possa cumprir, então é melhor eu pensar bem / pois estou muito envolvido”.

Esse é outro trecho que descreve com perfeição como eu me sinto. A introdução de “Rock Out, Roll On” já faz com que eu me arrepie todo e que eu derrube as primeiras lágrimas as quais eu nem sei ao certo o porquê estão caindo.

“Você não consegue ouvir o futuro batendo na sua porta… / Você não consegue ouvir os passos assassinos no chão / chega uma hora que você se cansa e decide romper a barreira / daí então é tudo uma questão de tempo”

Essa canção realmente me deu forças para me superar e derrubar todos os meus limites. Uma linda guitarra acústica faz soar os primeiros acordes de “Cool Down”, um Rock’N’Roll clássico que inevitavelmente remete a Led Zeppelin. É certo que o toque genial de Eddie Kramer se faz presente nessa canção. O segundo single, “Follow Your Heart”, foi aposta da banda para ser um eterno hit, o que infelizmente não ocorrera. O que eu posso dizer sobre uma música que começa assim:

“Dizem para que nunca olhemos para trás / felicidade é só um estado de espírito… Rock And Roll vive e respira nos corações dos jovens”?

Qualquer coisa que eu dissesse a mais seria muito menor que…

“sua hora está chegando / mantenha os seus sonhos vivos / siga o seu coração / vivendo o hoje e esquecendo o amanhã”.

Michael Levine, Gil Moore e Rik Emmet jamais saberão, mas eles me ajudaram de alguma forma a não desistir de absolutamente nada.

TRIUMPH / Reprodução / Facebook

Vamos então para o lado B do álbum. A partir daí não é humano o que acontece comigo. Tentei por diversas vezes entender o que sinto, mas fracassei em todas. “Time Goes By” em um dos hinos da trilha sonora da minha vida. Emmett e Moore revezam o vocal principal e o resultado final demonstra que não poderia ter sido de outra forma.

“Você pode sentir o trovão rolando no coração de um jovem? / Você pode ver a frustração que o está afastando?”.

Juventude e tempo são os temas mais tratados pela banda nesse disco, sendo justamente nessa fase que somos invadidos pelos mais diversos questionamentos profundos.

“Ninguém sabe realmente o que dizer / Amanhã é outro dia, que parece a milhas de distância, muito, muito longe…/ O tempo passa / pontes queimam e grandes rodas giram…/ O tempo voa / ele te trará de volta? / Você sabe que eu não posso viver sem o seu amor… / O tempo passa / você sabe que jamais viverei sem você / sem você…”

Parece o roteiro da minha jornada interior. Algo que é característico nos registros do Triumph, Rik Emmet demonstrando toda a sua musicalidade como guitarrista em temas instrumentais. Com “Midsummer’s Daydream” não foi diferente. Emmett é um músico diferenciado.

TRIUMPH / Divulgação / Thuder Seven

A capela “Time Canon” me leva ao pleno êxtase durante um minuto e trinta e três segundos. Rik e Gil não conseguiriam fazer mais perfeito do que fizeram, pois não há menor possibilidade. Moore e Emmett novamente revezam as vozes na fantástica “Killing Time”, o ponto mais elevado do “Thunder Seven”. A emoção transborda novamente da minha alma e a introdução já me entorpece.

”Você sente que é agora ou nunca / mas as palavras parecem não vir…/ O tecido dos seus sonhos começa a se desmanchar…/ Você percebe que acabou antes de ter começado, você busca por algo especial, mas esse algo nunca vem…”.

A última estrofe e refrão da música é a lição final que todos nós custamos a aprender, mas é fundamental que o façamos:

“O tempo que perdemos com ódio, cheios de raiva e ciúme / todas as vezes que se voltou para mim, todos aqueles dias solitários / quando estávamos matando o tempo, eu precisava de você mais do que nunca, você não conseguia ver isso em meus olhos? / O tempo está se esgotando, passando por nós, eu até poderia chorar, porque se foi e nunca mais voltará…O tempo seguiu em frente e nos deixou para trás”.

Todas as vezes que eu ouço esse álbum completo e termina essa faixa, um Cristiano morre e outro nasce mais forte e mais cheio de energia do que antes. “Stranger In A Strange Land” é o relaxamento para o turbilhão de emoções explícitas vívidas até ai. Uma bela canção que remete a sonoridade que a banda possuía nos anos 70, em seu início, quando alguns equivocadamente a comparava com outro power trio canadense, Rush. Comparação ridícula essa. São duas bandas diferentes de sonoridades completamente distintas. O Rush teve somente em seu início algo parecido com Hard Rock e só, linha que sempre foi perseguida pelo Triumph. Ademais, nenhuma banda no mundo pode ser comparada com o Rush, isso é insano. O lindo instrumental “Little Boy Blues” encerrou o álbum seguindo a mesma fórmula de volta as raízes da faixa anterior.

“Allied Forces”, “Never Surrender” e “Thunder Seven” formam a trinca de diamante do Triumph, lamentável e inexplicavelmente esse último só se tornou clássico para os fãs de carteirinha da banda. Tivesse eu um dia a oportunidade de fazê-lo, agradeceria pessoalmente aos três músicas e ao Eddie Kramer por terem ajudado a aliviar todas as minhas frustrações cotidianas e por terem tornado a minha missão mais tênue através dessa obra prima.

Nota 9,8

Integrantes:

  • Rik Emmett (vocal e guitarra)
  • Gil Moore (vocal e bateria)
  • Michael Levine (baixo e teclado)

Faixas:

  • 1.Spellbound
  • 2.Rock Out, Roll On
  • 3.Cool Down
  • 4.Follow Your Heart
  • 5.Time Goes By
  • 6.Midsummer’s Daydream
  • 7.Time Canon
  • 8.Killing Time
  • 9.Stranger In A Strange Land
  • 10.Little Boy Blues

Redigido por: Cristiano “Big Head” Ruiz

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