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Clássicos: Deep Purple – “Stormbringer” (1974) – Discos que completam 50 anos

“Stormbringer” é o nono full lenght da carreira da banda britânica de Hard Rock, Deep Purple. Ele é também o segundo disco a contar com a dupla Coverdale e Hughes, além do último com o guitarrista Ritchie Blackmore antes de sua saída a fim de formar seu próprio projeto, Rainbow.

   

O sucessor do clássico “Burn” surgiu após nove meses de seu lançamento como o disco da discórdia, já que Ritchie Blackmore não estava gostando do direcionamento Funk+Hard Rock que a sonoridade estava tomando, a qual Glenn Hughes trazia como bagagem de suas ex-banda, Trapeze.

Blackmore estava coberto de razão nesse caso, já que o disco lançado após sua saída, “Come Taste The Band” (1975), mergulhou completamente em uma sonoridade híbrida entre: Hard Rock, Funk, Prog e Soul. Há quem diga que “Stormbringer” e um disco injustiçado, mas até que ponto? Está aí umas das peculiaridades do Deep Purple na década de 70, pois até um disco que não se tornou um clássico carrega consigo a excelência de um verdadeiro clássico.

Deep Purple MKIII Muziek Express Holland / Reprodução / Acervo

“Stormbringer”

Aqui é o princípio de um dos últimos álbuns do Deep Purple dos anos 70 que conheci. Desde que ouvi sua faixa-título, pela primeira vez, foi inevitável não associa-la a “Wrathchild” do Iron Maiden, presente no álbum “Killers”, de 1981. Há algum tempo atrás, David Coverdale confessou que nunca buscou algo mais Heavy Metal em suas composições, ainda assim, as canções “Burn” e “Stormbringer”, as quais compôs juntamente com Blackmore, pendem para esse lado. Assim que fizermos uma audição detalhada de ambas, é possível compreender que Coverdale está absolutamente lúcido no que afirma.

Salvo a canção “Stormbringer”, não há nada que possa ser considerado tão pesado no lado A. Aquela mescla temida por Ritchie Blackmore começa logo após. “Love Don’t Mean a Thing” é um híbrido de todas as tendências musicais que o vocalista/baixista trazia do Trapaze, inclusive, ele e Coverdale dão um show de interpretação vocal, revezando a voz princípal. Além disso, Blackmore faz um fantástico solo totalmente baseado em suas influência em Blues.

A balada “Holy Man” tem Hughes como seu único vocalista e, dessa forma, é um dos destaques do álbum ao lado da faixa que o intitula. A belíssima “Hold On” encerra o lado A com emocionantes interpretações de ambos os cantores, contudo, Ritchie Blackmore consegue roubar a cena com mais um solo acima da média, seguido do maestro Jon Lord com seu solo de teclado. Temos que salientar que, embora o guitarrista se mostrasse descontente com o direcionamento musical do quinteto, esteve inspiradíssimo nessa gravação.

MKIII Photo By: Humberto Gillan

Lado B

Um belo repique de bateria de Ian Paice introduz “Lady Double Dealer”, canção quase que puramente Hard Rock, que é bem mais acelerada que as últimas três do lado A. Aliás, não posso deixar de falar sobre a performance absolutamente perfeita de Ian Paice. Mas claro, isso não é nenhum novidade para quem está acostumado com Deep Purple.

Ainda que “You Can’t Do It Right (With the One You Love)” esteja no “Stormbringer”, ela poderia muito bem estar no “Come Taste the Band”. Ou seja, ela é a canção mais Funk Hard Rock do disco e que tem um solo para lá de marcante do nosso saudoso Jon Lord. Em alguns momentos você pode pensar que ouve o Earth, Wind & Fire, porém, não se engane, é “só Deep Purple”.

Em seguida, “High Ball Shooter” pende mais para o lado Hard Rock da força, mesmo que a magia do Funk/Blues/Soul persista viva na alma dos músicos. Temos nessa canção mais um show de solo do Mr Lord a fim de fazer com que cada um de nós jamais esqueça de seu legado musical. Se é que esquecer Lord estivesse nos planos de alguém.

Quando o riff de “The Gypsy” soou pela primeira vez para mim, eu jamais imaginei que ficaria em transe logo depois. No entanto, quando as vozes de Hughes e Coverdale cantaram em uníssono durante toda a duração da parte vocal, o espírito percorreu os multiversos do pleno êxtase. Pensamos que depois disso acabaria, mas não acabou. O solo de Ritchie Blackmore invadiu a canção para tornar tudo ainda mais fabuloso.

Soldier Of Fortune

Eu tive o imenso prazer de assistir Whitesnake e Judas Priest, no mesmo dia, em 2011. Obviamente, além das canções clássicas do Whitesnake, eu esperei ouvir Coverdale cantando os clássicos de seu período no Deep Purple.

   

Eu ansiava por “Burn” e “Mistreated”, “Burn”, obviamente veio, porém não pude ouvir “Mistreated” em sua voz original. No lugar dela, ele cantou “Soldier Of Fortune”, balada que fecha o “Stormbringer”, a qual ele canta sozinho, sem a voz de Hughes. Como resultado, eu simplesmente viajei no tempo e me vi sentado no chão da minha casa, colocando-a para ouvir.

Ao mesmo tempo, vieram coisas boas da minha juventude, como sempre vem. Canções que são acima do bem e do mal dificilmente trazem consigo recordações negativas, sendo assim, jamais são “Provedoras de Tempestade”.

Nota 9,1

Integrantes:

Ian Paice (bateria)
Jon Lord (teclado)
Ritchie Blackmore (guitarra)
David Coverdale (vocal)
Glenn Hughes (vocal e baixo)

Faixas:

1.”Stormbringer”
2.”Love Don’t Mean a Thing”
3.”Holy Man”
4.”Hold On”
5.”Lady Double Dealer”
6.”You Can’t Do It Right (With the One You Love)”
7.”High Ball Shooter”
8.”The Gypsy”
9.”Soldier of Fortune”

Redigido por: Cristiano “Big Head” Ruiz

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Comentários

  1. Excelente, a trinca de álbuns com Coverdale e Hughes são simplesmente fantásticos, Come Tast The Band e muito injustiçado, amo igual ao Burn e Stormbringer!

  2. Aos 16 anos, depois de ouvir Help, Honk Tonk Women, pisei numa loja de discos, em Santos e fui noucateado pela Highway Star.
    Pronto, virou minha banda “de cabeceira” e o Stormbringer foi uma “misturança” do Deep inicio e depois c/ alta km. A surpresa q tive c/ o DP foi ouvir. “Hey Joe” num álbum importado. Isto anos 70. Vida longa ao Rock/heavy metal e à esta banda.

  3. Sou suspeito psra falar. Tenho o lp original comprado na época do lançamento na saudosa Mesbla da 24 fe Msio em Sampa. Comprei na esteira de Burn. No começo achei meio estranho, mas depois de algumas audições, escuto o disco até hoje. Acabei comprando o cd comemorativo de 35 anos. Soldier of Fortune escutava sentado no chão do meu quarto. Hoje escuto o disco inteiro mas Hold On é minha preferida. Discão!

  4. Stormbringer foi o segundo ou terceiro álbum de Hard rock/Heavy Metal que ouvi na vida. Isso em 1983. Um amigo me emprestou na escola, junto com o Killers do Iron Maiden e o Bark at the Moon (lançamento daquele ano) do Ozzy. Curiosamente, foi o disco que eu mais ouvi, hipnotizado que ficara pela voz do David Coverdale (na verdade, eu tinha curtido a voz do DC e do Hughes, mas achei que era um cantor só, cheio de modulações na voz… kkkkkk). Resultado: me tornei vocalista de uma banda! Salve o deep purple! Salve o Stormbringer!!!

  5. Um dos melhores discos do Purple.
    Muito subestimado.
    O destaque dos vocais do Coverdale e do Glenn Hughes são um capítulo a parte do disco.
    Este disco será tratado no meu programa Hora Rocker no Instagram.
    Espero vocês lá.

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