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Clássicos: Black Sabbath – “Dehumanizer” (1992)

“Dehumanizer” é, com toda a certeza, um dos melhores álbuns de Heavy Metal da década de 90. Em termos de álbuns com este tipo de sonoridade, podemos afirmar que é um verdadeiro oásis no deserto. É também um dos mais pesados de toda a carreira do Black Sabbath (talvez o mais pesado) e promove a volta da inesquecível formação que excursionou na promoção de “Heaven And Hell” (em 1980) assim como gravou “The Mob Rules” (em 1981).

   

A banda passou por alguns momentos de incerteza durante a maior parte da década de 80 e começava a se acertar lançando bons discos com o vocalista Tony Martin, porém após um show em que o eterno Ronnie James Dio se apresentou ao lado de Geezer Butler, surgiu uma vontade de ambas as partes em gravar novamente com o Black Sabbath. É claro que Tony Iommi, a princípio, não gostou da ideia e precisou ser convencido a aceitar que tais mudanças viessem a ocorrer.

Reprodução/Divulgação

Diferenças à parte…

Após um período de negociações, o vocalista Tony Martin e o baixista Neil Murray foram demitidos para que Dio e Geezer retornassem. Nas baquetas o responsável ainda era Cozy Powel, porém quis o destino que Powel fraturasse uma costela e, dessa forma, impedido de tocar, a escolha lógica foi a de chamar Vinny Appice.

Nas gravações, ficou claro que dificilmente conseguiriam manter essa formação por muito tempo, ainda mais que Iommy e Dio não se bicavam e diversas discussões ocorreram no período. A guerra de egos fez com que o álbum demorasse mais do que o previsto para ser finalizado, porém, no dia 22 de junho de 1992, “Dehumanizer” finalmente chegou às lojas.

Se internamente os ânimos estavam a flor da pele, em contrapartida, o resultado da junção de músicos tão talentosos não poderia gerar outro resultado musicalmente. Um disco singular, inspirado, assim como classudo e que gerou uma excepcional resposta comercial à banda. Dio estava soberbo, Iommi compôs riffs sensacionais e a parte rítmica comandada pelo baixo de Geezer Butler e a bateria de Vinny Appice era pesada e precisa.

Sinceramente, é intimidador o que ouvimos neste tracklist. O que dizer de um trabalho que começa com pedradas do porte de “Computer God” e “After All (The Dead)”e termina com as maravilhosas “I” e “Buried Aliive”? Bem, vamos por partes.

Divulgação

Perfeição tem nome

A poderosa faixa de abertura “Computer God” anuncia que o velho Black Sabbath está de volta, e quando digo velho Black Sabbath, me refiro aquela banda estonteante que encantou o mundo durante praticamente toda a década de 70 e começo dos anos 80. “After All (The Dead)” é aquele Doom Metal arrastado, mas vigoroso, cheia de ótimos riffs e vocais inspiradíssimos de Dio. Nos mesmos moldes de “Neon Knights”, do clássico “Heaven And Hell”, temos “TV Crimes”, uma versão atualizada que chega ríspida e trazendo velocidade para a audição. A mão pesada de Iommi é sentida durante todo o track, e em faixas como “Letters From Earth” e “Master Of Insanity”, o peso da cozinha é notório. Contando com a precisão de Appice e as linhas únicas de Geezer, as referências são eles próprios e o resultado é assombroso.

“Time Machine” é outra das vigorosas que, assim como o nome sugere, nos leva em uma viagem diretamente ao início dos anos 80. Com um refrão fácil e linhas vocais belíssimas de Dio, este é o momento da audição em que pensamos em quão difícil é acreditar que um disco como este tenha sido lançado no mesmo momento histórico de coisas como “Black Album” (Metallica), “Nevermind” (Nirvana), “Vulgar Display Of Power” (Pantera), “Ten” (Pearl Jam) assim como “Use Your Illusion” (Guns N’ Roses).

Reprodução

Ótimo do começo ao fim

Observando “Dehumanizer” com os olhares críticos de hoje, ele soa quase como uma obra prima que foi deslocada do seu tempo e colocada em um outro período. Como resultado disso, a maioria das pessoas não o entenderam e o disco, apesar de ter vendido bem, não rendeu nem perto de tudo que poderia. Imagine, caso tivesse sido lançado alguns anos antes ou alguns anos depois, fatalmente, seria considerado uma das maiores obras do Metal.

O desfile absurdo de faixas de efeito contido em “Dehumanizer” continua com “Sins Of The Father” assim como com “Too Late”. A primeira se conectando diretamente com a fase Ozzy, mais precisamente em discos como “Master Of Reality” assim como “Vol 4”. Impossível não pensar que Iommi parece ter escrito esta canção pensando na voz do Madman. Já “Too Late”, é a típica música que poderia ter feito parte de “Heaven And Hell”. E esta sim, perfeita para a voz de Dio. O final do disco ainda nos reserva a icônica “I”, que é pesada, moderna, com linhas vocais de fácil absorção e, finalmente, com um ritmo altamente viciante. Para finalizar, nade menos que “Buried Alive” quebrando tudo e nos trazendo um Sabbath bombástico e visceral, com mais uma performance de gala de Dio.

Reprodução/Divulgação

O que era bom durou pouco

O trabalho rendeu uma extensa turnê ao grupo, inclusive, com uma histórica passagem pelo Brasil. Uma curiosidade é que quando tocaram por aqui, não havia versão nacional lançada do álbum e a grande maioria dos fãs presentes no Olímpia (SP) assim como no Canecão (RJ) não conheciam as músicas do novo registro. Coisas inexplicáveis que acontecem no Brasil…

   

Assim como nos anos 80, o que era bom durou pouco. Já nesta época, Ozzy anunciava sua aposentadoria (sim, é isso mesmo!) e pediu ao Black Sabbath que abrisse alguns shows de sua banda solo na turnê “No More Tours”. Seja como for, segundo as más línguas, Dio se negou prontamente a fazer tais apresentações e avisou que se eles aceitassem ele estaria fora. Como as datas foram realmente confirmadas, Dio abandonou o posto sem maiores explicações e, Rob Halford (Judas Priest), foi chamado às pressas para cantar em um show que, surpreendentemente, acabou se tornando histórico.

Brigas, desentendimentos e egos à parte, “Dehumanizer” é brilhante. Ótimo do início ao fim e nada será capaz de apagar isso.

Nota: 9,9

Integrantes:

Ronnie James Dio (vocal)
Tony Iommi (guitarra)
Geezer Butler (baixo)
Vinny Appice (bateria)
Geoff Nicholls (teclado)

Faixas:

  1. “Computer God”
  2. “After All (the Dead)”
  3. “TV Crimes”
  4. “Letters from the Earth”
  5. “Master of Insanity”
  6. “Time Machine”
  7. “Sins of the Father”
  8. “Too Late”
  9. “I”
  10. “Buried Alive”

Redigido por Fabio Reis

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