Chris Poland lembra por que recusou gravar “Rust In Peace” com o Megadeth: “estaria morto em um ano”

O início do Megadeth foi marcado por instabilidade, trocas constantes de integrantes e um ambiente caótico alimentado pelo uso excessivo de drogas. Nesse contexto turbulento, o líder Dave Mustaine enfrentava dificuldades para manter a formação estável e profissional. Antes das gravações do terceiro disco da banda, a situação atingiu um ponto crítico.

De acordo com relatos do próprio Dave Mustaine, registrados em sua autobiografia, o guitarrista Chris Poland e o baterista Gar Samuelson foram demitidos após episódios considerados inaceitáveis — incluindo a venda de equipamentos da banda para sustentar o vício em heroína. Esse momento marcou uma ruptura definitiva na formação clássica que havia gravado os primeiros álbuns do grupo.

Reaproximação e a chance de voltar

Apesar da demissão conturbada, Chris Poland conseguiu, ao longo dos meses seguintes, reconstruir parte da confiança com Dave Mustaine. Assim, gradualmente, o guitarrista voltou a se aproximar do universo do Megadeth e chegou a colaborar com demos que mais tarde fariam parte de Rust In Peace (1990).

Em entrevista recente ao VRP Rocks, o músico revelou que esteve muito perto de retornar oficialmente à banda. No entanto, uma conversa decisiva mudou completamente o rumo dessa história.

Durante a entrevista, Chris Poland relembrou um momento crucial ao lado de sua empresária, que o fez reconsiderar sua decisão. A seguir, suas declarações completas traduzidas:

“Eu estava no carro indo encontrar o Ron Lafitte e o Dave [Mustaine], e acho que o Andy Somers também estaria lá. Eu estava indo com a Janie Hoffman, minha empresária, e ela estava dirigindo. Então ela virou para mim e disse: ‘Chris, você está falando sério sobre retornar a essa banda?’ E eu respondi: ‘Estou pensando nisso.’ E ela disse: ‘Se você entrar nessa banda, você vai estar morto em um ano.’”

A fala teve um impacto imediato. Considerando seu histórico com dependência química, Poland percebeu que retornar àquele ambiente poderia representar um risco real à sua saúde e à sua vida.

Decisão pela sobriedade

Diante desse alerta direto, Chris Poland optou por recusar a proposta de voltar ao Megadeth, mesmo com a possibilidade de participar de um dos álbuns mais icônicos do Thrash Metal. A decisão, embora difícil, demonstrou um compromisso com sua recuperação e estabilidade pessoal.

Anos depois, entretanto, Chris Poland voltou a trabalhar com o Megadeth, contribuindo em estúdio para o álbum The System Has Failed (2004). Ainda assim, quando Dave Mustaine decidiu retomar as turnês, o guitarrista preferiu não se envolver novamente com a rotina intensa da estrada.

Dessa vez, sua escolha seguiu a mesma lógica: preservar a saúde, manter-se longe de recaídas e evitar ambientes que pudessem reacender antigos vícios. Para ocupar seu lugar, entrou Glen Drover, irmão do baterista Shawn Drover, que havia sido recrutado recentemente.

A história de Chris Poland com o Megadeth se consolidou como uma trajetória marcada por talento, conflitos e, acima de tudo, escolhas difíceis em nome da sobrevivência.

Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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