Carniça denuncia remoção de álbum pelo YouTube por causa da capa: “Tremenda censura”

A veterana banda gaúcha Carniça denunciou a remoção de Rotten Flesh, seu álbum de estreia, do YouTube e YouTube Music. Segundo o grupo, o motivo apresentado está relacionado à arte de capa do disco, considerada excessivamente violenta e incompatível com as diretrizes das plataformas.

Lançado originalmente em 1999, Rotten Flesh representa um dos primeiros registros da trajetória da banda de Thrash/Death Metal, formada em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, em 1991. A retirada acontece justamente no ano em que o Carniça comemora 35 anos de atividade.

Para Mauriano Lustosa, vocalista, baixista e fundador do grupo, a decisão ultrapassa uma simples questão envolvendo regras de uma plataforma digital.

“Isso foi uma tremenda censura e cerceamento de liberdade de expressão da nossa arte. É inadmissível que, em pleno 2026, artistas ainda sofram esse tipo de ação.”

A banda informou que já trabalha para tentar reverter a decisão e disponibilizar novamente o álbum nas plataformas.

Um disco lançado há 27 anos esbarra nas regras atuais das plataformas

A situação chama atenção principalmente pela idade da obra envolvida. Rotten Flesh chegou ao público há 27 anos, muito antes da existência do YouTube e das atuais políticas utilizadas pelas grandes plataformas para moderar conteúdo.

A capa acompanha o álbum desde seu lançamento e faz parte da estética adotada pelo Carniça em seu primeiro trabalho. Ainda assim, segundo o relato da banda, foi justamente a imagem que levou à remoção do material.

O episódio levanta uma questão recorrente para artistas de Metal extremo. Capas com violência gráfica, horror, morte e imagens perturbadoras fazem parte da identidade visual de diferentes vertentes do gênero há décadas. Trabalhos criados originalmente para formatos físicos agora precisam conviver com critérios de empresas responsáveis por distribuir grande parte da música consumida digitalmente.

Nesse cenário, obras antigas podem acabar submetidas retroativamente a regras que simplesmente não existiam quando foram concebidas.

Por outro lado, plataformas como o YouTube possuem seus próprios termos de utilização e políticas para conteúdos considerados violentos ou gráficos. A discussão, portanto, não está apenas na existência dessas regras, mas também em como elas são aplicadas quando o conteúdo em questão possui contexto artístico e histórico.

“Rotten Flesh” ganhou versão remasterizada em 2016

Rotten Flesh recebeu uma nova edição em 2016, quando o Carniça comemorou 25 anos de carreira. Na ocasião, o álbum passou por remasterização e ganhou três faixas bônus.

O disco ajudou a estabelecer a identidade musical que acompanharia o grupo nas décadas seguintes, combinando Thrash Metal e Death Metal com elementos do Heavy Metal tradicional.

Posteriormente, a discografia ganhou sequência com Temple’s Fall… Time to Reborn (2011), Nations of Few (2013), Carniça (2017) e A New Medium Ages (2022).

Embora tenha desaparecido do YouTube e do YouTube Music, Rotten Flesh continua disponível em outras plataformas digitais, incluindo o Bandcamp oficial da banda.

Carniça prepara novo EP durante comemoração dos 35 anos

A controvérsia envolvendo o primeiro disco acontece enquanto o Carniça prepara material inédito.

A banda trabalha atualmente em um EP com três novas músicas. Uma delas será “Lanceiros Negros”, composição que dará continuidade conceitual a “Revolução Farroupilha”, presente no álbum autointitulado de 2017.

A faixa abordará a história dos Lanceiros Negros, combatentes negros que participaram da Revolução Farroupilha, mantendo a característica do grupo de utilizar acontecimentos históricos como inspiração para suas letras.

A formação atual conta com Mauriano Lustosa novamente acumulando baixo e vocais, ao lado de Parahim Neto na guitarra e Marlo Lustosa na bateria.

Enquanto prepara o EP e uma série de apresentações comemorativas pelos 35 anos, o Carniça tenta agora recuperar justamente o trabalho que iniciou sua discografia. Para a banda, a discussão não termina na retirada de um álbum de uma plataforma: envolve também o direito de preservar uma obra lançada no final dos anos 1990 com sua identidade visual original.

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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