Blaze Bayley fala sobre infarto, sobriedade e rotina pesada de turnês

Blaze Bayley falou abertamente sobre o infarto que sofreu e sobre os desafios de manter uma rotina de turnês como artista independente. Em entrevista à Metal Hammer dada no começo de agosto, o ex-vocalista do Iron Maiden e atual líder de sua carreira solo comentou que viajar constantemente pode ser prejudicial à saúde, mesmo sem álcool ou drogas envolvidos.
Segundo Blaze, a vida na estrada envolve sono irregular, longos deslocamentos e muito tempo sentado em vans. Algo que, de certa forma, cobra um preço físico com o passar dos anos. Também salientou que não se cuida tão bem quanto deveria, justificando seu infarto.
“Eu não cuido [da saúde] — tive um ataque cardíaco! Fazer turnês não é saudável, e isso mesmo sem álcool e drogas, porque há um sono irregular e longas viagens sentado em uma van. Mas a maneira como cheguei até onde estou é que sou straight edge. Penso muito na minha saúde. Já faz sete anos desde que parei completamente de beber.”

Entretanto, o cantor também explicou que está sóbrio há sete anos e relacionou essa decisão a sua saúde mental. Ele contou que foi diagnosticado com depressão há cerca de 25 anos. Na época, sequer entendia exatamente o que aquilo significava ou que havia tratamento.
“Saúde mental — sempre tive problemas. Quando fui diagnosticado com depressão, 25 anos atrás, eu nem sabia o que era. Já tinha ouvido falar, mas não sabia que era possível tomar medicamentos para isso. Eu já tinha parado de beber nos dias de shows ou no dia anterior a um show, mas quando estava fora de turnê, voltava ao hábito de beber — fazendo coisas que não deveria, como beber sozinho, então decidi continuar sem beber. Qualquer pessoa que ache que pode ter um problema, eu aconselho a tentar parar e ficar seis meses sem beber. Completei sete anos [sóbrio] em 19 de junho, e as pessoas que conheço que estão nessa jornada… nós nunca voltaríamos atrás.”
A sobriedade, segundo ele, tornou-se parte importante de sua estabilidade pessoal e profissional.
Orgulho da fase Iron Maiden
Na mesma entrevista, Blaze também voltou a falar sobre sua passagem pelo Iron Maiden, banda que integrou entre 1994 e 1999. Ele destacou que entrou no grupo como fã, algo que Bruce Dickinson e Paul Di’Anno não haviam vivido da mesma maneira antes de assumirem o posto.
“Eu os vi no Birmingham Odeon três vezes, em três turnês diferentes. Eu tinha todos os álbuns de estúdio. Quando entrei nisso, esperava que durasse, mas sabia que, se algum dia terminasse, eu seria rotulado como ex-membro do Iron Maiden. O que, como fã… ótimo! O Iron Maiden é tão importante culturalmente quanto Star Wars.”
Por fim, o vocalista disse que nunca houve animosidade e que toparia participar de um projeto envolvendo as diferentes vozes da história do Iron Maiden, caso surgisse a oportunidade. Para ele, dividir palco com Bruce Dickinson e Paul Di’Anno teria sido uma experiência muito especial para os fãs.
“Se houvesse um projeto em que eles quisessem as duas vozes, eu ficaria absolutamente de boa. Por que eu seria contra isso?! Seria divertido! Meu sonho era fazer um show em que Paul, Bruce e eu pudéssemos dividir o palco. Para os fãs, seria uma loucura absoluta. Ao mesmo tempo, se eu escrevesse algo e pensasse: ‘Isso ficaria melhor com o Bruce’, eu perguntaria a ele, assim como perguntaria a qualquer outra pessoa!”
A fala reforça uma característica que acompanha Blaze Bayley há anos: mesmo tendo vivido um dos períodos mais difíceis e criticados da história do Iron Maiden, ele segue tratando aquela fase com orgulho, gratidão e consciência do peso cultural da banda.
