Atheist: novo disco seguirá a mesma filosofia de provocar com coisas inesperadas

A lendária banda americana de Progressive/Technical/Death Metal, Atheist, está trabalhando no seu próximo álbum de estúdio, sucessor de “Jupiter” (2010). Já são 15 anos sem lançar material novo. O vocalista/fundador Kelly Shaefer, concedeu recentemente uma entrevista ao podcast Inner-Strength Check e falou sobre o andamento do processo de composição do novo álbum:
“Temos uma quantidade enorme de ideias individualmente, mas, coletivamente, compilamos cerca de seis ou sete músicas.”
A atual formação consiste, além de Shaefer, em Yoav Ruiz-Feingold (baixo), Alex Haddad (guitarra), Jerry Witunsky (guitarra) e Dylan Marks (bateria).
“Acho muito importante, e já mencionei isso em algumas entrevistas nos últimos meses, que as pessoas entendam que quase nenhuma banda tem todos os membros originais. Então, as pessoas precisam superar isso. Na internet, todo mundo fica só reclamando, tipo: ‘Ah, não são os caras originais’. É, tipo, não é com o Metallica , não é com o [Judas] Priest, não é com o Iron Maiden. Ninguém. Você teria dificuldade em me nomear uma banda que tivesse todos os membros originais ainda os mesmos — nem o Anthrax, nem ninguém. Então você tem que confiar nos principais compositores da banda, e eu e [o ex- baterista do Atheist] Steve Flynn e [o falecido baixista do Atheist] Roger Patterson éramos o verdadeiro núcleo do Atheist. E eu, mais do que ninguém, entendo suas contribuições, suas filosofias e modelos para o que constitui uma música do Atheist. E sendo eu mesmo um guitarrista, e sendo que estou escrevendo muitas dessas coisas de guitarra, preciso que as pessoas confiem em mim para escolher os caras certos para estar na banda e fazer um disco. E eu não poderia ter escolhido um grupo melhor de caras. Quer dizer, os caras desta banda agora, cada um tem suas próprias bandas individuais que são Incrível, que já lançou álbuns. E cada um deles tem essas qualidades diferentes que, como arranjador e compositor, acho quase como se alguém lhe desse todas essas cores novas para pintar e diferentes tipos de pincéis. E é assim que me sinto, como se tivesse essa paleta de talentos tremenda na ponta dos dedos. Então, eles conseguem tocar qualquer coisa que eu possa imaginar. Mesmo que eu não saiba tocar, consigo explicar para eles. E eles também têm um nível de conhecimento diferente do meu. Eu não leio partituras. Aprendi tudo de ouvido.”
Ainda sobre as sessões de composição do próximo disco, Shaefer disse que, novamente, o novo disco não deve soar como nenhum outro do Atheist. Assim como os discos passados, nenhum é igual ao outro. Cada disco do Atheist é único e com uma personalidade própria:
“Tenho quatro horas de riffs gravados. Gravo em um estúdio pequeno e bacana. Assim, consigo tocar as duas partes de guitarra que tenho em mente para a música em que estamos trabalhando. E, em alguns casos, até a bateria. Mas muitas vezes gravo em uma faixa de clique, envio para o baterista e deixo ele reagir. E aí, quando nos reunimos e entramos em uma sala, conseguimos realmente refinar tudo.
Tenho uma compreensão profunda do nível de qualidade que o Atheist precisa atingir. Dito isso, porém, todo esse material novo, assim como todos os álbuns do Atheist, é diferente. Portanto, não há dois discos do Atheist que soem idênticos. Eles são bem diferentes, na verdade. E este será igual. Mas seguirá a mesma filosofia de pegar as pessoas desprevenidas. Não enganando os ouvidos, mas sim provocando-os com coisas diferentes que você não esperaria. O inesperado é algo que eu realmente adoro, e adoro dinâmicas. Adoro que seja feroz e depois não seja, e depois feroz de novo.
Eu sei como o Atheist deveria soar. E se todos simplesmente permitirem que isso aconteça… E vocês não vão conseguir uma performance repetida de nós. Vocês vão conseguir algo novo. E pode levar alguns anos para se acostumar, mas foi assim com ‘Piece Of Time’ e ‘Unquestionable Presence’. Demorou 15 anos para as pessoas dizerem ‘Ah’. Finalmente, porra. Ou ‘Espere um minuto. Agora eu entendo’. Todas essas pequenas coisas. Naquela época, quando foi lançado, não foi tão bem recebido e as pessoas ficaram muito confusas. Então é realmente revigorante sair agora, nesta geração, e receber o amor e o reconhecimento de tantas bandas jovens. E é legal. Então, às vezes, é bom ser o cara velho. [Risos]”