Armadilha reverencia pioneiros do Heavy Metal brasileiro em “Velhos e Eternos”

O Heavy Metal brasileiro possui uma história construída muito antes de o país começar a exportar grandes nomes para o restante do mundo. Bandas como Stress, Centúrias, Azul Limão, Avenger e tantos outros abriram caminhos em uma época na qual gravar um disco pesado no Brasil já representava, por si só, uma batalha. É justamente para essa geração que o paulistano Armadilha direciona sua homenagem em “Velhos e Eternos”, faixa que acaba de ganhar videoclipe e integra o próximo álbum Além do Limite Astral.
A escolha do tema dificilmente poderia combinar melhor com a música. “Velhos e Eternos” aposta naquele Heavy Metal clássico que não precisa de grandes malabarismos para funcionar. Guitarras bem colocadas, peso, melodias diretas e uma sonoridade que conversa abertamente com a escola tradicional do gênero sustentam uma composição que poderia facilmente ter surgido durante a primeira grande geração do Metal brasileiro, mas sem a sensação de simples exercício nostálgico.
O Armadilha conhece muito bem esse terreno. Criada em São Paulo em 2010, a banda sempre manteve uma ligação forte com o Heavy Metal tradicional e, principalmente, com a ideia de cantar esse estilo em português sem tratar o idioma como obstáculo.
Atualmente formada por Pedro Zupo nos vocais, Denys Garcia e Gregório Palhano Bondezam nas guitarras, Pedro Cavichiollo no baixo e Marcelo S.O.S. na bateria, a banda já possui em sua discografia os álbuns Choque Elétrico (2013) e Sangue de Ferro (2021). Agora, prepara seu terceiro trabalho.
Uma homenagem a quem veio antes
“Velhos e Eternos” não surgiu isoladamente dentro da proposta do Armadilha. A própria banda aponta nomes pioneiros do Metal brasileiro entre as referências fundamentais para sua maneira de enxergar o Heavy Metal. Em vez de esconder essas influências, o grupo sempre deixou essa conexão bastante explícita.
Um exemplo apareceu anteriormente em “Missão Metálica”, lançada como homenagem ao Avenger. Agora, “Velhos e Eternos” renova essa reverência para uma geração inteira de músicos que ajudou a estabelecer uma identidade própria para o Metal nacional. É também por isso que o português funciona tão naturalmente na composição.
Durante décadas, muitas bandas brasileiras enxergaram o inglês quase como uma obrigação para quem pretendia tocar Heavy Metal. O Armadilha, no entanto, segue na direção contrária. As bandas mudam, as gerações passam, mas determinados riffs, referências e formas de entender o Heavy Metal continuam atravessando décadas.
Além do Limite Astral

Além do Limite Astral terá nove faixas e continuará explorando a relação da banda com o Heavy Metal brasileiro e latino-americano. A produção, mixagem e masterização ficaram nas mãos de Val Santos, enquanto Gregório Palhano Bondezam também participou da coprodução do áudio e coordenou parte das gravações de cordas e baixo. Segundo o guitarrista, uma das prioridades durante o processo esteve justamente em conseguir guitarras bem definidas e uma bateria forte.
Essa escolha aparece de maneira coerente com aquilo que o Armadilha pretende representar: um Heavy Metal de construção tradicional, com instrumentos ocupando seu espaço e sem a necessidade de esconder tudo atrás de uma produção excessivamente moderna.
Além de “Velhos e Eternos”, o repertório terá outro momento particularmente importante em “Hermandad de Acero”. Assim, a faixa reúne músicos de diferentes países da América Latina e reforça um conceito que a banda vem tentando desenvolver através da sigla N.L.H.M.L.A. — Nova Linha do Heavy Metal Latino-Americano.
A proposta busca aproximar bandas e públicos de diferentes países do continente em torno de uma cena que, apesar da proximidade geográfica, muitas vezes funciona de maneira bastante fragmentada. E essa preocupação também aparece fora do estúdio.
Heavy Metal brasileiro encontra Chile e Uruguai em São Paulo
No próximo 5 de setembro, o Armadilha promove o SP Under Attack, no Red Star Studios, em São Paulo.
O evento reunirá representantes de três países latino-americanos. Além do próprio Armadilha e dos paulistanos do Vingança Suprema, o palco receberá o Feedback, do Chile, e o Acido, do Uruguai. Dessa maneira, o festival também servirá como celebração de Além do Limite Astral e traduz para os palcos justamente aquilo que o grupo pretende defender musicalmente: maior proximidade entre as cenas de Heavy Metal da América Latina.

Serviço — SP Under Attack
- Data: 5 de setembro de 2026, sábado
- Horário: 17h
- Local: Red Star Studios
- Endereço: Rua Teodoro Sampaio, 512 — Pinheiros, São Paulo/SP
- Próximo ao Metrô Clínicas
Bandas:
- Armadilha — Brasil
- Feedback — Chile
- Acido — Uruguai
- Vingança Suprema — Brasil
Ingressos:
https://share.google/sxHDmENmMFVuErjtj
