Angra: “eles definiram o chamado Power Metal melódico”, diz Rafael Bittencourt sobre Iron Maiden e Saxon

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Entender os muitos estilos oriundos do Heavy Metal não é uma tarefa das mais fáceis. Há muitas discussões sobre quais álbuns e bandas foram precursores em determinados subgêneros.

Quem nunca viu a famosa discussão sobre quem é o pai do Death Metal, Death ou Possessed?

O que precisa ser compreendido é que os estilos são criados à partir de padrões musicais. E, geralmente, uma única banda não consegue conceber todos estes padrões. O mais comum é marcarmos um disco como aquele que deu o ponta pé inicial e depois observarmos as outras bandas que adicionaram elementos e contribuíram de forma ativa para seu desenvolvimento.

Por exemplo, amplamente mencionado como pai do Heavy Metal, se você ouvir o disco de estreia do Black Sabbath, não irá encontrar o chamado Heavy tradicional. E isso acontece porque foi apenas o ponto de partida, depois dele, o Judas Priest adicionou guitarras gêmeas e outras bandas contribuíram com mais características. Com o passar dos anos, o gênero foi sendo moldado até se transformar no que conhecemos hoje.

Não é um assunto fácil e requer um “estudo” mais aprofundado. Nós fizemos um programa sobre o nascimento dos principais subgêneros e caso você tenha curiosidade sobre este tema, veja na íntegra clicando AQUI.

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Saxon e Iron Maiden definiram o Power Metal?

O mais legal e até mesmo engraçado é notar que músicos que basearam praticamente toda sua carreira em determinado estilo, mesmo assim cometem gafes. Como neste caso em que o guitarrista do Angra, Rafael Bittencourt, trocou as bolas ao comentar o início do Power Metal.

Em um novo episódio do podcast Amplifica, Rafael recebeu o guitarrista Kiko Loureiro e eles conversavam sobre como o Iron Maiden influenciou o Angra com algumas ideias musicais. Veja como foi este ponto da conversa:

“A gente já falou aqui que plagiou o Iron Maiden, porque a gente se inspirou em muitas coisas”

Kiko Loureiro diz:

“As vezes de propósito né, qual era aquela música que terminava bem Iron Maiden? ‘Millenium Sun’! Que no finalzinho…”

Rafael interrompe Kiko e canta o trecho final de “Millenium Sun”. Na sequência ele comenta:

“Todos esses ‘ôôôs’, junto com Saxon, claro, mas eles definiram o chamado Power Metal melódico.”

Explicando o começo do Power Metal

É claro que foi uma gafe. Iron Maiden e Saxon ajudaram a definir o que conhecemos hoje como Heavy Metal tradicional, o Power Metal propriamente dito veio a aparecer mais tarde. E o mais interessante é que o Power Metal melódico tem como pioneiros o Helloween, com os famosos “Keepers Of The Seven Keys Parts I & II” (1987, 1988), além dos nossos conterrâneos do Viper, com o ótimo “Theatre Of Fate” (1989).

Importante ressaltar que Helloween e Viper, na época, não deram sequência neste tipo de musicalidade. Ambas as bandas, por motivos diferentes, partiram para outro tipo de Metal depois desses lançamentos. Isso deixou o Power Metal melódico na geladeira durante alguns anos. E foi exatamente este o fator que gerou o surgimento do próprio Angra, já que o mercado ficou “orfão” daquele tipo de sonoridade e, quando o vocalista André Matos resolveu retornar ao mundo do Heavy Metal, havia empresários e gravadoras sedentos para que uma sequência de “Theatre Of Fate” viesse à tona.

Traduzindo, “Angels Cry” (1993), disco de estreia do Angra, tem muito mais créditos ao definir e popularizar o Power Metal melódico como conhecemos hoje, do que o Iron Maiden ou o Saxon, como afirmou Rafael Bittencourt

Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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