AngelMaker – This Used To Be Heaven (2025)

AngelMaker entrega brutalidade, melodia e atmosfera em This Used to Be Heaven. Confira nossa análise do novo disco de deathcore.

O metal já foi tratado como “barulho”

Na década de 1970, bandas como Black Sabbath, Judas Priest e Deep Purple enfrentaram uma cena que ainda tentava entender o que estava acontecendo. O rock já era considerado barulhento demais, mas aqueles riffs mais pesados, vocais agressivos e estruturas pouco convencionais pareciam levar tudo para outro nível. Havia preconceito, havia resistência e, para muita gente, aquilo seria apenas uma moda passageira. Só que o tempo fez seu trabalho. As bandas permaneceram, desenvolveram suas técnicas e ajudaram a transformar completamente a música pesada. O que antes parecia uma ruptura absurda virou referência para praticamente tudo que veio depois.

Décadas mais tarde, a história se repete com outras roupas. O deathcore ainda encontra resistência entre uma parcela do público que o enxerga como uma versão exagerada, moderna demais ou distante da essência do Metal. A discussão, porém, ignora algo básico: gêneros musicais também amadurecem. É como a culinária. Um cozinheiro pode começar reproduzindo uma receita tradicional, depois testar novos ingredientes, mudar temperaturas, aperfeiçoar cortes e descobrir uma técnica própria. O prato continua carregando a identidade da receita original, mas chega a outro nível quando todos esses elementos são trabalhados com domínio. Ninguém olha para um chef que aperfeiçoou uma técnica e diz que ele “deixou de cozinhar” porque resolveu fazer algo diferente. No Metal, curiosamente, essa lógica nem sempre é aceita.

O novo“barulho”

É justamente nesse ponto que entra o AngelMaker. Em This Used to Be Heaven, a banda não precisa pedir autorização para fazer deathcore, muito menos provar que consegue ser brutal. O que interessa é observar até onde uma linguagem musical pode chegar quando seus recursos são tratados com cuidado. Breakdown, blast beat, vocais extremos, melodias e atmosferas não são ingredientes novos isoladamente. A maturidade aparece na maneira como eles são combinados. E talvez seja essa a melhor forma de encarar este disco: não como uma tentativa de convencer os puristas de que o deathcore merece existir, mas como mais um capítulo de uma evolução que o Metal conhece muito bem. Afinal, se a música pesada tivesse parado nos anos 1970 para preservar uma suposta pureza, boa parte daquilo que hoje chamamos de Metal simplesmente não existiria.

O céu também pode apodrecer

AngelMaker é uma daquelas bandas que entenderam que o deathcore não precisa escolher entre brutalidade e musicalidade. É possível entregar breakdowns violentos, vocais absurdamente graves e, ao mesmo tempo, construir melodias que permanecem na cabeça. Em This Used to Be Heaven, lançado em 20 de novembro de 2025, os canadenses fazem justamente isso. Porém, existe uma diferença importante: desta vez, a banda parece muito mais confortável em explorar os próprios limites.

O quarto álbum de estúdio do grupo chega depois de Sanctum (2022) e apresenta uma mudança importante na formação. Ian Bearer, conhecido principalmente por sua passagem pelo Rings of Saturn, assume um dos postos vocais ao lado de Casey Tyson-Pearce, enquanto Steven Sanchez aparece na bateria. A mudança poderia gerar dúvidas, principalmente para quem acompanhava a formação anterior, mas o resultado mostra que a escolha funcionou.

E aqui está o ponto mais interessante: This Used to Be Heaven não parece interessado em provar que o AngelMaker consegue ser mais brutal que todo mundo. Ele quer provar que ainda existe espaço para fazer deathcore com identidade.

O AngelMaker encontrou seu próprio equilíbrio

Existe uma discussão recorrente dentro do metal extremo sobre o quanto o deathcore evoluiu. De um lado, temos bandas que levaram o gênero para terrenos sinfônicos e cinematográficos. Do outro, grupos que preferiram resgatar a sujeira, os breakdowns e a simplicidade agressiva dos primeiros anos.

O AngelMaker sempre transitou entre esses dois mundos.

Por isso, quem chega esperando apenas uma sequência interminável de breakdowns pode se surpreender. O grupo trabalha com camadas de guitarra, linhas melódicas, mudanças de andamento e atmosferas que aproximam determinadas passagens do black metal e do death metal melódico.

Essa característica aparece logo nas primeiras faixas.

“The Silence” funciona como uma pequena introdução, preparando o terreno para “Rich In Anguish”. A segunda faixa já deixa claro que a banda não pretende perder tempo. Existe peso, mas também existe espaço para as guitarras respirarem e criarem pequenas melodias por trás da pancadaria. É justamente aí que o AngelMaker se diferencia.

A brutalidade não aparece como um fim. Ela funciona como uma ferramenta.

“Silken Hands” e a nova face da banda

Se existe uma composição capaz de apresentar o espírito de This Used to Be Heaven, “Silken Hands” merece atenção.

A música trabalha uma dinâmica muito interessante entre agressividade e melodia. A bateria de Steven Sanchez empurra a composição para frente, enquanto as guitarras adicionam camadas que impedem a música de cair naquele formato previsível de verso, breakdown e repetição.

E isso importa muito.

No deathcore moderno, a produção consegue deixar qualquer banda gigantesca. O problema é que, quando todas utilizam recursos parecidos, fica cada vez mais difícil encontrar personalidade.

O AngelMaker escapa disso justamente quando deixa as guitarras falarem. Os riffs são pesados, mas existem pequenas frases melódicas, mudanças de textura e solos que ajudam a criar identidade. A própria descrição oficial do lançamento destaca esse equilíbrio entre a brutalidade da bateria e o trabalho de melodias e leads que aparecem em faixas como “Relinquished”.

E quando a música precisa simplesmente esmagar, ela faz isso sem pedir licença.

“Relinquished”: melodia em meio ao caos

“Relinquished” talvez seja um dos melhores exemplos de como o AngelMaker consegue trabalhar o lado melódico sem abandonar a essência extrema. A composição apresenta uma atmosfera mais sombria e quase ritualística. As guitarras criam uma sensação de movimento constante, enquanto os vocais entram como uma força que quebra qualquer possibilidade de conforto.

A letra trabalha imagens de decadência, culpa, destruição e retorno à poeira. Existe uma ideia de abandono e de fim que conversa diretamente com o título do álbum. A própria letra da faixa trata do colapso, da entropia e da ideia de deixar a história para trás.

É nesse momento que This Used to Be Heaven começa a mostrar que não estamos diante de uma coleção aleatória de músicas pesadas. Existe uma atmosfera. Existe uma narrativa.

E, principalmente, existe uma sensação constante de que algo bonito está sendo destruído diante dos nossos olhos.

Para quem gosta dessa mistura entre deathcore e elementos atmosféricos, vale também revisitar a forma como outras bandas do metal extremo contemporâneo trabalham essa relação. A resenha de Lorna Shore – Pain Remains publicada pelo Mundo Metal aborda justamente essa transformação da brutalidade em narrativa emocional.

O peso de “Nothing Left”

Chegamos então a um dos grandes momentos do disco. “Nothing Left” é aquele tipo de faixa que consegue funcionar tanto pela pancadaria quanto pela construção emocional.

A música possui riffs que parecem feitos para funcionar ao vivo, mas não depende apenas do impacto físico. Existe uma atmosfera mais melancólica por trás da composição, criando um contraste interessante entre aquilo que ouvimos e aquilo que sentimos.

É como observar uma estrutura desmoronando lentamente. A bateria mantém a pressão, os vocais alternam diferentes registros e as guitarras criam momentos em que a melodia quase rouba o protagonismo da brutalidade.

Quase.

Porque o AngelMaker sabe exatamente quando puxar o freio e quando simplesmente acelerar tudo novamente. E é nesse tipo de dinâmica que o disco fica mais interessante.

“The Omen”: o coração sombrio do disco

Se a primeira metade de This Used to Be Heaven apresenta as diferentes faces do AngelMaker, “The Omen Part I: Prophecy” e “The Omen Part II: Acquiesce” funcionam como o grande centro conceitual da obra.

A primeira parte constrói uma atmosfera quase cinematográfica. Existe uma sensação de perseguição, horror e inevitabilidade. Já “The Omen Part II: Acquiesce” aumenta ainda mais o peso e conta com a participação de Ben Duerr, vocalista do Shadow of Intent.

E aqui não temos uma participação colocada apenas para chamar atenção.

Duerr combina muito bem com a proposta da faixa. A voz dele acrescenta outra camada de agressividade, mas sem transformar a composição em uma simples disputa de quem consegue fazer o gutural mais grave. O que realmente funciona é o contraste entre as diferentes interpretações vocais.

A faixa também apresenta uma narrativa bastante sombria, envolvendo loucura, possessão, profecia e uma descida simbólica ao inferno. A letra reforça a sensação de que o ouvinte está acompanhando uma história que vai ficando cada vez mais obscura. Aqui o AngelMaker mostra que sabe construir um clímax.

E isso não é tão simples quanto parece.

“Malevolence Reigns” mantém a máquina funcionando

Depois da densidade de “The Omen”, seria fácil perder impacto. E isso não acontece.

“Malevolence Reigns” recupera uma abordagem mais direta, com riffs pesados e uma estrutura que parece especialmente preparada para funcionar diante de uma plateia. É uma das faixas em que o groove aparece com mais força.

Os breakdowns são violentos, mas as guitarras continuam criando detalhes por trás deles. Essa combinação é importante porque impede que a faixa pareça simplesmente mais uma música pesada no meio do álbum.

É peso com movimento.

E talvez essa seja uma das melhores características de This Used to Be Heaven: mesmo quando o grupo está utilizando elementos conhecidos do deathcore, existe uma preocupação em colocar alguma coisa diferente dentro da estrutura.

“Altare Mortis” e o lado mais sombrio

Em “Altare Mortis”, a atmosfera fica novamente mais ameaçadora. A música possui uma construção que parece nos conduzir para dentro de uma floresta escura. Não por acaso, a própria letra utiliza imagens de galhos, escuridão e um altar sinistro.

A participação de Disfiguring The Goddess ajuda a reforçar esse clima. Aqui, a banda mostra novamente como consegue utilizar elementos do black metal sem abandonar a estrutura do deathcore. Esse é um ponto que merece ser destacado.

Não existe uma tentativa desesperada de parecer “diferente”. O AngelMaker simplesmente adiciona elementos que fazem sentido dentro de sua própria música. É uma diferença pequena, mas fundamental.

“Citadel II”: uma carta para o passado

Então chegamos a “Citadel II”.

E talvez essa seja uma das decisões mais interessantes de todo o álbum. Depois de tanta brutalidade, o AngelMaker diminui a velocidade e entrega um instrumental que funciona como uma espécie de pausa. Porém, não se trata de uma interrupção sem propósito.

A composição cria uma atmosfera contemplativa e prepara o terreno para a faixa-título. Para quem acompanha a banda há mais tempo, existe ainda uma sensação de retorno às próprias raízes. A música conversa com elementos da história do grupo e funciona como uma ponte entre passado e presente.

É aquele momento em que o álbum deixa de ser somente uma sequência de músicas e começa a parecer uma obra pensada como conjunto. E isso faz diferença.

Inclusive, essa preocupação com atmosfera e construção instrumental aproxima o AngelMaker de outras propostas do metal extremo moderno, como podemos observar em Fallujah – Xenotaph, disco que também utiliza peso, técnica e atmosfera sem deixar que um elemento engula o outro.

A faixa-título e o significado de “This Used to Be Heaven”

Finalmente chegamos à música que dá nome ao disco.

“This Used to Be Heaven” é provavelmente a composição mais importante da obra justamente porque resume boa parte daquilo que o AngelMaker construiu durante os 46 minutos anteriores. A faixa começa trabalhando uma atmosfera mais contemplativa antes de deixar o peso entrar novamente.

Mas existe algo diferente aqui.

A melodia parece carregar uma sensação de perda. A letra fala sobre sonhos destruídos, feridas, ruínas e algo que um dia foi considerado um tipo de paraíso. Agora, resta apenas aquilo que foi abandonado e consumido pelo tempo. O título, portanto, não funciona apenas como nome de álbum.

Ele representa a própria essência da obra. Aquilo que era belo acabou. Aquilo que existia foi destruído. E o que restou está tentando sobreviver entre os escombros. É uma conclusão muito eficiente porque não termina o disco com uma explosão gratuita. O AngelMaker prefere deixar uma sensação de vazio.

E, sinceramente.

Funciona.

Vocais: Ian Bearer precisava provar alguma coisa?

Uma das maiores curiosidades antes do lançamento estava justamente nos vocais.

Ian Bearer entrou no AngelMaker em 2024, substituindo Mike Greenwood e dividindo os vocais com Casey Tyson-Pearce. Para quem acompanha o deathcore, a mudança chamava atenção principalmente pela passagem anterior de Bearer pelo Rings of Saturn.

Minha impressão é simples: não existe aqui uma tentativa de apagar o passado.

Ian possui personalidade própria, mas a banda também não transforma sua chegada em um espetáculo individual. Os dois vocalistas funcionam melhor quando suas diferenças são utilizadas para ampliar as possibilidades da música.

Isso é muito importante. Em vez de perguntar “quem é o melhor vocalista?”, a pergunta correta deveria ser: o que esses dois conseguem fazer juntos?

E a resposta é bastante positiva. Os graves continuam violentos, mas os registros mais altos e as mudanças de timbre ajudam a criar dinâmica. Em um gênero que muitas vezes pode parecer limitado vocalmente para quem não está acostumado, essa variedade faz diferença.

Guitarras, bateria e produção

Se existe um instrumento que merece atenção especial em This Used to Be Heaven, são as guitarras. O AngelMaker utiliza peso, tremolo picking, riffs sincopados, melodias e solos sem deixar que nenhuma dessas características pareça completamente deslocada.

A formação conta com Colton Bennett, Johnny Ciardullo e Matt Perrin nas guitarras, além de Cole Rideout no baixo e Steven Sanchez na bateria. O resultado é uma parede sonora bastante preenchida.

Por outro lado, esse também é um dos poucos pontos em que podemos fazer uma crítica. Em determinados momentos, a quantidade de informação sonora pode fazer algumas ideias parecerem próximas demais umas das outras. É uma característica comum da produção moderna do deathcore: tudo soa enorme, mas justamente por isso alguns detalhes podem perder espaço.

Ainda assim, o trabalho de guitarra compensa bastante.

A bateria também merece elogios. Sanchez não está ali simplesmente para manter o ritmo. Os blast beats e as mudanças de andamento ajudam a construir a tensão das músicas. E, felizmente, o baixo não desaparece completamente no meio da produção.

AngelMaker evoluiu ou apenas aperfeiçoou sua fórmula?

Essa é talvez a pergunta mais difícil. Não acredito que This Used to Be Heaven seja um disco que tente reinventar o deathcore. E isso não é um problema.

Na verdade, talvez seja justamente sua maior qualidade. Enquanto algumas bandas estão tentando transformar o gênero em algo cada vez mais cinematográfico, o AngelMaker parece interessado em aperfeiçoar aquilo que já sabe fazer. A diferença está nos detalhes:

  • Melodia.
  • Atmosfera.
  • Variações vocais.
  • Cuidado nas transições.
  • Espaço para as guitarras.

O grupo não precisa abandonar o deathcore para provar que amadureceu. Ele simplesmente aprendeu a utilizá-lo melhor.

Essa discussão fica ainda mais interessante quando colocamos o álbum ao lado de outros grandes trabalhos recentes do estilo. Lorna Shore, Shadow of Intent e Job for a Cowboy, por exemplo, mostram caminhos diferentes para o metal extremo contemporâneo.

O AngelMaker escolheu seu próprio caminho. E ele passa pelo equilíbrio.

Para quem “This Used to Be Heaven” é indicado?

Se você gosta de deathcore moderno, provavelmente encontrará bastante coisa para aproveitar aqui.

Mas o disco pode agradar ainda mais quem gosta de:

  • Deathcore melódico;
  • Deathcore com influência de black metal;
  • Vocais extremos variados;
  • Riffs técnicos sem excesso de exibicionismo;
  • Breakdown pesados;
  • Guitarras melódicas;
  • Atmosferas sombrias;
  • Álbuns que funcionam melhor quando ouvidos do começo ao fim.

Por outro lado, quem procura uma produção mais crua, suja e próxima do deathcore dos anos 2000 talvez estranhe a sonoridade bastante moderna. Também não é um disco para ouvir apenas esperando o próximo breakdown. A graça está justamente em perceber o que acontece entre eles.

O céu realmente acabou?

This Used to Be Heaven não é o tipo de álbum que muda sozinho os rumos do deathcore. Mas também não precisa. O AngelMaker entrega um trabalho extremamente competente, pesado e, acima de tudo, consciente de sua própria identidade.

A entrada de Ian Bearer funciona. As guitarras estão entre os grandes destaques. A bateria mantém o disco vivo. As participações especiais não parecem gratuitas. E a combinação entre brutalidade e melodia faz com que o álbum tenha personalidade suficiente para não se perder no enorme catálogo do deathcore moderno.

Minha maior ressalva fica para alguns momentos em que a duração e a densidade sonora fazem determinadas ideias parecerem próximas demais. Mas, quando o AngelMaker acerta, acerta em cheio.

“Relinquished”, “Nothing Left”, “The Omen Part I: Prophecy”, “The Omen Part II: Acquiesce”, “Malevolence Reigns” e a faixa-título estão entre os momentos que melhor representam essa nova fase.

No fim das contas, This Used to Be Heaven é um disco sobre ruínas. Só que, o AngelMaker constrói algo bastante sólido em cima delas.

O fim?

O AngelMaker conseguiu algo que parece simples, mas não é: fazer um disco extremamente pesado sem transformar a brutalidade em monotonia. This Used to Be Heaven possui breakdowns, blast beats e vocais capazes de arrancar o teto de qualquer sala, mas também sabe quando deixar a guitarra respirar e quando uma melodia precisa ocupar o primeiro plano.

É um álbum indicado principalmente para quem acredita que deathcore ainda pode crescer sem perder aquilo que o tornou interessante.

E talvez essa seja a melhor definição para o trabalho: não é o AngelMaker tentando ser outra banda. É o AngelMaker entendendo cada vez melhor quem é.

Nota: 8,5/10

Integrantes:

  • Casey Tyson-Pearce – vocais
  • Ian Bearer – vocais
  • Colton Bennett – guitarra
  • Johnny Ciardullo – guitarra
  • Matt Perrin – guitarra
  • Cole Rideout – baixo
  • Steven Sanchez – bateria
  • Participações especiais: Ben Duerr em “The Omen Part II: Acquiesce”; Disfiguring The Goddess em “Altare Mortis”; Benjamin McClure em “Renaissance”.

Faixas:

  1. “The Silence”
  2. “Rich In Anguish”
  3. “Haunter”
  4. “Silken Hands”
  5. “Relinquished”
  6. “Nothing Left”
  7. “Renaissance”
  8. “The Omen Part I: Prophecy”
  9. “The Omen Part II: Acquiesce”
  10. “Malevolence Reigns”
  11. “Altare Mortis”
  12. “Citadel II”
  13. “This Used to Be Heaven”
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