Alissa White-Gluz revela receio de sofrer ataques por suas opiniões: “Ser mulher no Metal já coloca um alvo nas minhas costas”

A vocalista canadense Alissa White-Gluz falou sobre os riscos de utilizar sua visibilidade para expressar opiniões pessoais e políticas em uma nova entrevista à Viva!, organização britânica dedicada à defesa dos direitos dos animais e à promoção do veganismo. Conhecida por seu ativismo em favor dos animais e por sua trajetória no Metal Extremo, a cantora abordou principalmente a crescente polarização política nos Estados Unidos. Da mesma forma também sobre o receio que muitas pessoas sentem de manifestar publicamente suas posições por medo de rejeição ou consequências sociais.
Alissa declarou:
“Até mesmo ser uma mulher no Metal já é algo que coloca um alvo nas minhas costas. E, claro, ser vegana e ter — seja lá como você queira chamar — opiniões políticas. Quero dizer, não sou americana — também não posso votar em nenhum dos lados quando se trata dessa política —, mas obviamente concordo com algumas coisas de ambos os lados, embora me incline mais para valores progressistas e liberais. E isso também coloca um alvo nas minhas costas.”

Vocalista critica a necessidade de dividir pessoas em rótulos
No entanto, a cantora também destacou como divergências ideológicas podem acabar reduzindo indivíduos a uma única característica, deixando de lado outros aspectos de suas personalidades e relações. Para White-Gluz, essa lógica contribui para um ambiente social no qual as pessoas sentem que precisam escolher lados rígidos.
“É uma época assustadora, com certeza. Tenho amigos que são de direita. Tenho amigos que são carnívoros. Tenho muitas pessoas na minha vida que amo, e um aspecto de quem elas são não muda o fato de que me importo com elas. Não estou julgando toda a personalidade de alguém com base em um único pequeno aspecto. Mas vivemos em uma sociedade em que as pessoas fazem isso. Elas dizem: ‘Eu odeio veganos, e você é vegano, então eu odeio você’. Ou: ‘Eu odeio liberais, e você é liberal, então eu odeio você’. E é uma pena, porque existe muito mais na vida do que isso. Sinto que as pessoas estão perdendo isso agora. Elas acham que precisam odiar determinadas pessoas e que precisam se alinhar a um rótulo muito rígido, mas não precisam fazer isso. Você pode ser um indivíduo e ser você mesmo. Acho que as pessoas estão realmente com medo de agir dessa maneira agora.”
Nova fase com Blue Medusa
Além de seu trabalho como ativista, Alissa White-Gluz vive inegavelmente uma nova e promissora etapa musical com o Blue Medusa, que realizou sua estreia ao vivo em 4 de setembro, em Berlim, na Alemanha. A formação dos shows também conta com as guitarristas Alyssa Day e Dani Sophia, a baixista Alicia Vigil e a baterista Delaney Jaster. O projeto já apresentou três singles: “Crocodile”, “Checkmate” e “Flying Monkey”.
Antes disso, Alissa ganhou notoriedade como vocalista do The Agonist e posteriormente assumiu os vocais do Arch Enemy em 2014, substituindo Angela Gossow. Durante sua passagem pelo grupo sueco, participou de quatro álbuns de estúdio: “War Eternal” (2014), “Will To Power” (2017), “Deceivers” (2022) e “Blood Dynasty” (2025). Paralelamente, ela voltará a cantar com o Dragonforce na turnê norte-americana que celebrará o aniversário de “Inhuman Rampage”. Ao longo de sua carreira, White-Gluz também transformou sua plataforma artística em espaço para discutir veganismo, conservação ambiental e tratamento ético dos animais.
