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Resenha: Black Sabbath – Forbidden (1995)

É muito comum um lançamento não agradar tantos fãs de primeira, às vezes porque eles esperavam alguma coisa diferente em relação àquele disco ou simplesmente não chegou numa época tão favorável. Mas sempre que falamos de grandes nomes como Iron Maiden, Metallica, Black Sabbath, existem extremos absurdos, onde amar e odiar se combatem tanto que chegam a gerar um desconforto gigantesco. Eu entendo, afinal essas bandas são marcos únicos na vida de cada um, é impossível mensurar o quão importante é determinado lançamento na história de um ou de outro. Mas mesmo assim, eu sou contra todo e qualquer extremismo, seja na vida social, seja na música. Como redator, gosto de entender o porquê aquilo é ruim para uns, e porque é bom para os demais.

   

O incompreendido “Forbidden” do Black Sabbath

No entanto, esse trabalho as vezes é um pouco ingrato, tenho que confessar. E dessa vez, me deparei com a missão de resenhar um disco que, até então, eu era um pouco reticente a ouvir e dar minha opinião. Por isso, convido vocês a embarcarem nessa jornada ao meu lado, ouvindo o disco mais controverso do Black Sabbath, o famigerado “Forbidden” de 1995. Para começar, desde o início esse disco foi uma sequência de altos e baixos. Segundo o próprio Iommi, em sua biografia, sua produção foi um pedido da gravadora, que insistiu que eles produzissem um disco mais comercial, e por isso, ele convidou o produtor Ernie C do Body Count e seu companheiro de banda, o rapper Ice-T, para participar do disco. Além disso, durante as sessões de gravação, membros como Cozy Powell foram forçados a tocar o que não queriam. Ou seja, uma verdadeira bagunça.

Contra-capa de Forbidden

O inicio de Forbidden do Black Sabbath

Histórias a parte, vamos passar para o lado visual do disco. Começamos com uma capa meio estranha, que lembra um pouco os lançamentos mais controversos de bandas como Exodus, com o “Force Of Habit” de 1992, e Kreator, com “Renewel” de 1992, “Cause Of Conflict” de 1995 e “Outcast” de 1997. Talvez possamos ver isso como uma tendência da época, buscando um apelo popular. No caso do BS, o hip-hop estava em alta no EUA, um dos, quiçá o maior, centro comercial. Por isso, é de se esperar a pressão comercial da gravadora para que esse lançamento saísse assim.

Mas será que o disco é ruim de fato? Bem, se levar em consideração o lançamento anterior, “Cross Purposes”, e que dele até a concepção de “Forbidden” se passou apenas um ano, é fácil associar que foi um disco corrido, apenas para cumprir tabela. Esse é um dos motivos pelo qual o disco ao ser lançado recebeu muitas críticas pela sua produção e confecção. Como um todo, analisando o histórico da banda, e o período em que foi lançado o álbum em si deixa a desejar. Estamos falando de uma sequência que vinha com “Headless Cross” de 89, “Dehumanizer” de 92 e “Cross Purposes” de 94.

E então?

Contudo, não estamos falando de um disco fraco ou péssimo. E sim de algo porcamente feito. Devido a pressão sofrida pelos membros, acredito que esse disco foi concebido prematuramente. Um exemplo claro é analisar cada música separadamente. Temos riffs muito bons, vocais excelentes de Tony Martin, e um peso clássico de BS. Uma mudança no tracklist poderia muito bem dar outro visual para o lançamento. Continuando a analise. A faixa de abertura, “The Illusion Of Power” é uma faixa de Doom bem simples, com riffs pesados e atmosfera densa. Talvez um pouco repetitiva? Sim, mas claramente seria uma composição bem aceita em outros lançamentos da banda.

A participação de Ice-T na composição apenas serviu como forma de assustar os fãs mais ortodoxos do grupo, afinal, é uma participação minúscula e simples. A falta de solos na composição é um peso que deixou esse som menos atrativo, claramente. Em compensação, “Get a Grip” é claramente aquela faixa mais bem pensada, com riffs elaborados e construídos muito bem, é fácil associar o instrumental a era “Dehumanizer” do grupo. A música é muito boa e facilmente uma das melhores do disco! O solo de Iommi é maravilhoso e possui sua essência da melhor forma.

Black Sabbath, foto oficial da I.R.S. Records

Black Sabbath se mantém em essência

Em “Can’t Get Close Enough”, temos uma introdução um pouco longa, mas que recompensa com uma faixa que facilmente seria escrita na década de 70 da banda. Riffs crus, com uma distorção de época e muito bem construída, a linha de baixo simples e densa da a composição mais peso e qualidade. Infelizmente, a faixa simplesmente tem uma quebra no fim e volta para o ritmo da introdução, mas poderia facilmente encontrar outro caminho de acabar, seria mais proveitoso. Como mencionei, um disco prematuro. Uma faixa que merece destaque é “Shaking off The Chains”, onde ouvimos novamente um som muito bem construído e de qualidade, com bases fraseadas, um refrão potente e uma excelente performance vocal.

Já na vez da balada, temos “I Won’t Cry For You”, que possui um andamento maravilhoso e ressalta todos os pontos positivos do grupo. Com riffs belos, vocais doces e potentes e uma cozinha simples, mas efetiva, essa se torna facilmente uma faixa única e agradável. Buscando um andamento diferenciado, temos “Guilty As Hell”, uma faixa muito boa, com uma levada mais fraseada e que facilmente fica marcada na nossa mente, não é uma faixa excelente, porém agrada muito a quem ouvi-la. Destaque especial para o final da faixa, com a cozinha arrebentando junto ao riff principal, e os vocais ecoando perfeitamente, simplesmente delicioso de se ouvir.

Um simples diferenciado

Em sequência, “Sick & Tired” é uma faixa com uma levada mais diferenciada, voltada para a cadência e com trabalhos de teclados muito bons. É possível ouvir até um momento mais blues na composição. Destaque para o solo belíssimo de Iommi. Já “Rusty Angels” é uma composição que particularmente não me ganhou, porém é uma boa faixa de ligação, a guitarra flui perfeitamente por toda ela, junto com a bateria e o baixo bem conjugados. Seu ponto mais alto é a ponte para o solo e o próprio solo. É incrível como mesmo sendo um lançamento precipitado, todas as peças se encaixaram bem.

Ao fim de tudo

Na reta final, temos “Forbidden”, que consigo ouvi-la sendo tocada junto ao disco “Headless Cross“, seguindo o mesmo princípio, com um pouco mais de velocidade e trabalhando próximo ao “apelo popular”, a faixa deixa de lado o peso atmosférico e aborda o som da faixa sendo mais, positivo, digamos assim. Mesmo assim, não se perde nada, uma faixa curta, rápida e bem feita. No fim, ouvimos “Kiss of Death”, essa que talvez seja a música mais indicada para finalizar o disco. Não podemos compara-la a outros clássicos da banda, mas essa composição possui uma atmosfera muito singular. Abraçando o ouvinte de forma melancólica do jeito que o Black Sabbath, mas oferecendo ao fim de sua faixa o Doom Metal mais rápido e caótico.

Um disco com 10 composições que ao meu ver, se fossem organizadas de outra forma, poderiam ser mais bem aceitas pelo público. Como todas as bandas, existem acertos e erros, porém nesse compacto, com o passar dos anos, eles se tornaram aceitáveis e entendíveis. Na época, uma confusão foi feita pelo fato da banda ter aparentemente abandonado a sua base. Hoje, com uma visão mais consciente das coisas, percebemos que o maior problema foi a velocidade de produção. Garanto a vocês, caros leitores, se déssemos ao Black Sabbath mais algum meses ou talvez um ano esse seria outro lançamento ao nível que a banda merece.

A tracklist do redator

   

Sobre a organização do tracklist, convido vocês a verem sobre o meu olhar como ficaria a minha escolha. Abriria o disco a levada contagiante de “Guilty As Hell”. Seguiria com o peso de “Shaking off The Chains”. Depois adicionaria o Doom de “The Illusion Of Power”. Em quarto colocaria “Get a Grip”, seguido de “I Won’t Cry For You”. “Rusty Angels” viria para reavivar o disco junto a “Can’t Get Close Enough”. Após, teríamos a tríade final, apenas colocando “Forbidden” antes de “Sick & Tired” e finalizando o disco com “Kiss of Death”.

Fiquem a vontade para discordar de mim, montem seu tracklist e sejamos felizes reverenciando o grande Black Sabbath!

Nota: 7,5

Integrantes:

Tony Martin (vocais)
Tony Iommi (guitarras)
Neil Murray (baixo)
Geoff Nicholls (teclado)
Cozy Powell (bateria)

Faixas:

  1. The Illusion of Power
  2. Get a Grip
  3. Can’t Get Close Enough
  4. Shaking Off the Chains
  5. I Won’t Cry for You
  6. Guilty as Hell
  7. Sick and Tired
  8. Rusty Angels
  9. Forbidden
  10. Kiss of Death

Redigido por Yurian ‘Dollynho’ Paiva

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