Aaron Stainthorpe renasce com Towards The Sinister ao lado de ex-integrantes clássicos do My Dying Bride

Menos de um ano após deixar o My Dying Bride, Aaron Stainthorpe apresentou oficialmente seu novo projeto, Towards The Sinister. O vocalista reúne três músicos fundamentais da formação clássica da banda britânica: o guitarrista Calvin Robertshaw, o baixista Ade Jackson e o baterista Rick Miah. O line-up ainda contará, no entanto, com o guitarrista Chris Revett, o tecladista Mark Deeks e a violinista Emma Allington. A proposta é revisitar, primordialmente, os quatro primeiros álbuns do My Dying Bride e preservar a atmosfera sombria que ajudou a definir o Death-Doom Metal.
A nova banda concentrará seu repertório em clássicos de “As The Flower Withers”, “Turn Loose The Swans”, “The Angel And The Dark River” e “Like Gods Of The Sun”, discos considerados pilares da carreira do My Dying Bride. Os primeiros compromissos incluem apresentações intimistas na Inglaterra, seguidas por festivais europeus previstos para o próximo verão.
Como nasceu o Towards The Sinister
Em entrevista à Blabbermouth, ao comentar a criação do projeto, Aaron Stainthorpe surpreendeu. Em suma, revelou que tudo começou de maneira inesperada, após sua saída do My Dying Bride.
“Eu não via Calvin, Rick ou Ade havia uma década. Eles não moram muito longe daqui. Encontrei o Calvin algumas vezes no Fortress Fest, em Scarborough, mas era só isso. Foi somente quando o My Dying Bride publicou aquele comunicado me ‘demitindo’ que esses caras saíram das sombras para demonstrar muito apoio, e isso foi maravilhoso. Foi ótimo ouvir deles.”
“Eles sugeriram: ‘Vamos nos encontrar para tomar uma cerveja pelos velhos tempos’. Nos reunimos em um pub. Martin Powell, nosso antigo violinista, apareceu. Dave Pybus, que esteve no Anathema e trabalhou na Peaceville Records, também apareceu. Colocamos o papo em dia, demos muitas risadas. Isso aconteceu em outubro do ano passado.”
“Não conversamos sobre reformar nada. Tiramos uma foto juntos, publiquei nas redes sociais e aquilo fez as pessoas começarem a falar. E isso acabou fazendo nós mesmos conversarmos sobre a ideia. Estávamos apenas lembrando dos velhos tempos, dos momentos absurdos, dos festivais, dos shows, das bebedeiras, das quedas… Depois começamos a reclamar dos joelhos artríticos e dessas coisas. A internet simplesmente decidiu: ‘Será que eles vão voltar?'”

“Então recebi mensagens do Rick e do Calvin perguntando: ‘Vamos nos reunir de novo para discutir aquilo que a internet está discutindo?’. Respondi: ‘Tudo bem. Por que não?’. Depois de mais algumas bebidas, começamos realmente a pensar na ideia. Nenhuma pessoa iniciou isso. Acho que foi a internet quem iniciou. Ficamos pensando se conseguiríamos fazer acontecer e, principalmente, se queríamos fazer isso. O Rick estava louco para voltar à bateria. O Calvin tem seu projeto, Many Suffer, que é excelente.”
“É preciso lembrar que, quando éramos garotos, ajudamos a escrever aqueles primeiros discos do My Dying Bride. Nós tocamos neles. Nós os compusemos. Então pensamos: ‘Sim, vamos tocar essas músicas novamente’.”
Todavia, segundo Stainthorpe, a escolha das músicas aconteceu de forma bastante natural.
“Será material dos quatro primeiros álbuns. São as músicas que esses caras escreveram. Eles não têm interesse em tocar canções que não ajudaram a compor. Vamos nos concentrar nesses quatro discos, que, segundo os fãs, representam a melhor fase.”
“Eu não vejo dessa forma, porque escrevi músicas do My Dying Bride durante muitos anos. Mas os outros rapazes não querem tocar aquilo que não escreveram. Esse será o foco. Vamos tocar todos os clássicos. Obviamente não dá para colocar todos no mesmo setlist, mas temos um repertório muito bom.”
“Você sabe como é: sempre haverá alguém na plateia pedindo uma música que ficou de fora, mas ela poderá aparecer na próxima vez. Pretendemos tocar o maior número possível delas, inclusive algumas que nunca foram executadas ao vivo. Vamos analisar todas.”
Novas músicas nos planos e um novo capítulo
Embora o objetivo inicial seja revisitar o material clássico, o grupo também pretende compor músicas inéditas.
“Sim, haverá material novo. O Calvin nunca para de escrever. Acho que ele está trabalhando no segundo álbum do Many Suffer, mas também compôs algumas coisas que não se encaixam naquela banda e funcionam perfeitamente conosco.”
“Não acho que o Many Suffer seja tão parecido com o My Dying Bride; certamente é mais Death Metal. É preciso lembrar que o My Dying Bride também fez muito Death Metal. Nem tudo era Doom Metal. Muitos daqueles riffs vieram do Calvin.”
“Já temos algumas músicas. O Calvin nos mostrou algumas ideias perguntando: ‘Isso funcionaria?’. E a resposta é: sim, definitivamente vai funcionar. Mas não temos pressa para isso.”
Em outubro do ano passado, o My Dying Bride anunciou oficialmente o desligamento de Aaron Stainthorpe, encerrando uma parceria de 35 anos desde a fundação da banda. A decisão ocorreu poucos meses após o grupo confirmar Mikko Kotamäki, do Swallow The Sun, como vocalista para as apresentações ao vivo de 2025 em diante.
Agora, com o Towards The Sinister, Aaron Stainthorpe e outros nomes fundamentais da formação clássica voltam a dividir o palco para revisitar uma fase histórica do Death-Doom Metal. Além do retorno dessas composições aos shows, a possibilidade de futuras músicas inéditas já desperta enorme curiosidade entre os fãs. Principalmente à aqueles que acompanharam o nascimento de um dos nomes mais influentes da cena extrema britânica.