A convicção inegociável e inabalável no Thrash old school é o que faz o Sacrifice prosseguir de forma digna

Bandas como Sodom, Tankard, Holy Moses e alguns outros poucos são exceções à regra. Estas são bandas de Thrash que realmente pensam a música de uma maneira diferente e colocam sua integridade musical acima dos anseios da indústria.
Não adianta, mesmo que você procure, não vai ouvir um único álbum lançado por nomes como estes mencionados onde a sonoridade é algo produzido de maneira artificial ou com o único intuito de coletar alguns milhares de dólares.
Ainda existem bandas que prezam pela retidão e respeitam seus próprios legados. Inegavelmente, os thrashers canadenses do Sacrifice são um ótimo exemplo deste tipo de pensamento.
Fundada em 1983, o quarteto ostenta ainda sua formação original até os dias de hoje. Dessa forma, em 2025 lançou no último dia 24 de janeiro seu sexto álbum de estúdio intitulado “Volume Six”. O álbum foi resenhado pelo site Mundo Metal e você pode ler a análise completa clicando AQUI.
Uma visão diferenciada sobre a própria carreira
Apesar da discografia relativamente curta, os canadenses podem se orgulhar de jamais terem traído suas convicções. O Thrash apresentado pelo grupo é aquele veloz, cortante, visceral e sem concessões, mas isso não impede que a técnica e o bom gosto se tornem evidentes. E é exatamente o que o ouvinte escuta quando revisita os álbuns da banda.
Em recente entrevista publicada no site Bravewords, o guitarrista/vocalista Rob Urbinati dá um show de vivência e apresenta suas ideias sobre a música do Sacrifice de forma tão direta e reveladora quanto a musicalidade que ele pratica.
Questionado sobre a banda ter tantos anos de estrada e jamais ter sido alçada ao “primeiro escalão do Metal”, Urbinati responde tão afiado quanto uma lâmina:
“Às vezes as pessoas dizem para mim: ‘Rob, vocês poderiam ter sido tão grandes…’, mas no fim das contas estamos totalmente felizes com onde estamos”, diz Urbinati. “Aqui estou eu em 2025, e não sei se eu sequer gostaria de estar em uma banda grande. Estou feliz com onde estamos — com nossos fãs, com esse status de culto. Nós retribuímos a todos não estragando nossos álbuns (risos).”
Thrash Metal sendo feito como se deve
É uma realidade incontestável que algumas bandas perdem potência conforme os músicos ficam mais velhos, mas o Sacrifice é uma prova latente que não precisa ser assim.
Um outro ponto que Urbinati destaca são as produções de álbuns atuais. Muitas delas acabam engessando as músicas, elas parecem não ter vida e, em muitos casos, é como se robôs estivessem tocando.
O que fez o Thrash Metal ser o que é, e podemos afirmar isto, é a imperfeição, a crueza e a rispidez. O frontman do Sacrifice concorda com estes aspectos e faz questão de manter a banda neste caminho:
“Quando as bandas envelhecem, elas tendem a decepcionar. Nós não queremos ser essa banda. Criamos aquilo que queremos ouvir. É meio difícil com a gravação digital hoje em dia, porque as coisas podem ficar muito estéreis, limpas demais — e nós queremos manter tudo cru. Quando entramos no estúdio, tínhamos nosso engenheiro Darius lá, em quem confiamos completamente, porque ele sabe o que queremos — e ele também quer isso. Não estamos usando trigger em nenhuma bateria, nem tocando com metrônomo. Se estamos fazendo uma tomada e aceleramos um pouco, ficando um pouco mais rápidos, tudo bem. O Sacrifice não é uma banda que quer um disco estéril e perfeito. Entramos no estúdio para gravar o Volume Six e mantivemos tudo cru — e estamos felizes com o resultado.”
Esta fidelidade e honestidade começam a colher frutos positivos. O músico destacou a importância de manter-se alinhado com seu próprio DNA musical, mesmo quando explora ideias diferentes:
“Não sentimos que nosso som esteja preso em uma caixa. Temos uma música como ‘Black Hashish’ no novo álbum, que mostra que, se quisermos adicionar uma influência de classic rock, podemos fazer isso — mas não à custa do nosso som principal. Quando você coloca um disco do Sacrifice pra tocar, convenhamos: você sabe exatamente o que vai ouvir. Quando começamos a receber as resenhas da Europa sobre Volume Six, não recebemos uma única negativa. Ficamos de queixo caído, porque você nunca sabe o que vai acontecer quando grava um álbum. Dentro da banda, você vai amar o que fez, mas o verdadeiro teste é quando começa a deixar outras pessoas ouvirem.”
Urbinati ainda demonstra possuir um senso de relevância em relação ao material apresentado pela banda. E isto certamente desafia a forma como a indústria da música opera.
O que ele diz é algo simples e que deveria ser replicado, mas obviamente isto não seria bom para os negócios. Se você não tem músicas realmente boas que queira compartilhar com seus fãs, qual o sentido de gravar e lançar um novo álbum?
“Do nosso ponto de vista, não precisamos mais lançar álbuns. As pessoas querem nos contratar para shows, os fãs aparecem para nos ouvir tocar as músicas dos nossos três primeiros discos — e pronto. Alguns querem ouvir mais, mas não precisamos lançar material novo, porque não somos uma banda de turnê. Então, não lançaríamos um álbum a menos que estivéssemos 100% por trás dele. Nossa motivação para este disco foi simplesmente que tínhamos algumas músicas novas e queríamos que as pessoas as ouvissem (risos). Hoje em dia não há mais dinheiro nisso — quase nada. Com o tempo que você investe em fazer música, o retorno não é equivalente. Então, o coração precisa estar nisso — ou é melhor esquecer.”
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