Nick Holmes defende rótulo de Gothic Metal e explica inspiração por trás de “Ascension”

O vocalista Nick Holmes, do Paradise Lost, comentou sua relação com o rótulo de Gothic Metal. Ademais, explicou por que a banda, apesar de suas constantes transformações musicais, nunca teve problemas em aceitar a classificação. Em entrevista a Kati Rausch, do Music Interview Corner, o cantor também falou sobre a influência do grupo sobre novas gerações. Bem como revelou o significado por trás do título de “Ascension”, décimo sétimo álbum de estúdio da banda.
Ao recordar o surgimento do termo, Holmes explicou que a própria época favorecia a criação de rótulos para definir novas sonoridades. Para o Paradise Lost, porém, Gothic Metal simplesmente pareceu uma definição adequada. Primordialmente durante a fase inicial e em torno do segundo disco, justamente intitulado “Gothic”.
“Não sei. Nós meio que criamos esse título em uma época em que todo mundo estava rotulando tudo, e foi meio que o único que sentimos que realmente combinava com a música. Não pensamos muito sobre isso. Mas ele meio que resume particularmente o material inicial; por volta do segundo álbum, ‘Gothic’, de 1991, ele realmente se encaixava.”
Embora não costume se preocupar excessivamente com classificações, o vocalista afirmou que o grupo continua confortável com essa identidade, mesmo que parte do público mais jovem associe o termo a outras bandas.
“Acho que não pensamos muito em rótulos, mas ainda não temos problema em nos chamar assim, embora eu tenha certeza de que muitas pessoas mais jovens talvez nem nos considerem Gothic Metal. Elas pensam em outra banda mais jovem, que é Gothic Metal, e que nós não somos. Mas isso não é um problema. Não fico acordado à noite me preocupando com essas coisas.”
A influência passa de geração para geração
Questionado sobre o fato de o Paradise Lost servir como influência para músicos mais jovens, Nick Holmes recebeu essa percepção de maneira positiva. O cantor comparou o fenômeno à própria formação musical dos integrantes da banda, que cresceram ouvindo nomes como Celtic Frost, Death, Sodom e Candlemass.
“É ótimo. É da mesma forma que os caras das bandas que hoje estão na casa dos 60 anos, como Celtic Frost, Death, Sodom e Candlemass — todas essas bandas são alguns anos mais velhas do que nós, e fomos influenciados por elas.”

“Então temos os caras que são meio que três, quatro anos mais jovens do que nós, em bandas que nos escutam. Existe um intervalo de quatro anos para as pessoas conhecerem bandas, e então a próxima geração conhece aquela banda, e foi assim que aconteceu conosco ouvindo grupos enquanto crescíamos e, suponho, com bandas mais jovens nos ouvindo. Então, é apenas uma questão geracional.”
“Ascension” e a busca constante por evolução
Holmes também explicou a inspiração para o título de “Ascension”, lançado em setembro passado. Embora a palavra tenha uma forte associação bíblica com a ascensão a Deus, o músico afirmou que sua interpretação para o álbum se relaciona mais com a tentativa humana de evoluir e buscar o melhor ao longo da vida.
“‘Ascension’, em termos bíblicos, fala sobre ascender a Deus e ascender à grandeza. Mas eu meio que penso que, durante toda a vida, tudo o que você está tentando fazer é subir e fazer o melhor que puder desde o minuto em que nasce.”
“Então, eu estava pensando mais nessa linha do que em qualquer coisa remotamente religiosa. Embora nós adoremos imagens religiosas; como banda, sempre apreciamos imagens religiosas. Não somos uma banda religiosa de forma alguma, mas gostamos da arte disso.”
Lançado como o primeiro trabalho do Paradise Lost em cinco anos, após “Obsidian”, de 2020, “Ascension” teve produção do guitarrista Gregor Mackintosh, enquanto Lawrence Mackrory cuidou da mixagem e masterização. Quase quatro décadas depois de sua formação em Halifax, em 1988, o grupo continua ligado à história do Gothic Metal, gênero cujo desenvolvimento ajudou a impulsionar com discos como o pioneiro “Gothic”, que combinou peso, melodias sombrias e atmosferas densas.
