Williams anuncia Mike Terrana em evento em São Paulo: “Estamos investindo nos dois estilos que mais consomem no Brasil”

No último dia 20 de março, a marca brasileira Williams, especializada em peles de bateria, anunciou a chegada do lendário Mike Terrana ao seu time. A parceria inclui o desenvolvimento de uma linha signature assinada pelo baterista, voltada especialmente para atender músicos exigentes dentro e fora do Heavy Metal.
Já no dia 16 de abril, o Mundo Metal esteve presente no evento oficial de lançamento, realizado no Manifesto Bar, em São Paulo. Lá, pudemos acompanhar de perto as primeiras impressões do próprio Mike Terrana sobre essa nova fase. A ocasião reuniu uma seleção de veículos especializados especializados e, claro, no universo do Metal, e contou com coletiva de imprensa seguida de pocket shows de Mike Terrana e Alexandre Aposan (Oficina G3). O Mundo Metal esteve lá para representar a música pesada em um momento de relevância para a indústria nacional.

Parceria estratégica entre Williams e Mike Terrana
A união entre a Williams e Mike Terrana surge como um movimento estratégico que alia experiência internacional com a proposta da marca brasileira de oferecer produtos de alta qualidade a preços acessíveis. Durante a coletiva, ficou evidente que a colaboração vai muito além de uma simples assinatura. Trata-se de um desenvolvimento conjunto, com foco em performance, durabilidade e custo-benefício.
Curiosos sobre os motivos que levaram Mike Terrana a escolher a Williams, questionamos o baterista sobre sua decisão. Ele já havia destacado anteriormente a qualidade e a resposta sonora das peles, mas quisemos entender também para quais tipos de músicos e estilos ele recomendaria o produto.
Mike Terrana respondeu:
“Nós estamos trabalhando com um protótipo, o Terrana Drumheads, nós vamos fazer uma pele para caixa de bateria para que se possa bater nela com vontade. Eu penso que nós devemos ter uma pele que sirva para o baterista que toca Jazz, Rock e Metal, mas que não seja tão cara. E esse é um dos detalhes sobre este negócio. As marcas pegam um baterista renomado para fazer um produto signature, falam pra ele: ‘Vamos te dar alguns milhares de dólares’, mas depois eles vão vender isso por alguns milhares de dólares também. É muito caro! Os garotos que estão começando agora não podem comprar. Penso que precisa ser algo que soe muito bem, que seja flexível, acessível e barato.
Os bateristas compram muitas coisas. Na verdade, eles compram, levam pra casa e depois essas coisas quebram, aí eles precisam comprar de novo. Me lembro de muitas vezes ir em uma loja comprar um par de baquetas, chegava em casa, tocava uma música e elas quebravam. É como se eu tivesse pegado esses dólares e jogasse pela janela.”

Mercado musical e o peso dos artistas
Na sequência, o fundador da Williams, Sílvio Toneli, trouxe uma análise importante sobre o comportamento de consumo no mercado musical. O destaque foi ao papel fundamental dos artistas na decisão de compra, veja:
“Importante salientar que existem dois segmentos na música que consomem muito baseado em artistas. Os fãs olham para os bateristas para depois comprar. O primeiro lugar aqui no Brasil é o meio gospel, não há comparação. E o mercado precisa entender esses passos que nós damos. Como você vai tirar um baterista como o Alexandre Aposan depois de 18 anos na Evans se você não pagar ele? Ele não vem. Ele pode achar tudo que fazemos muito lindo, mas não vem. O que muitos não percebem é que não é só dinheiro, ele tem uma carreira, ele construiu um nome e isso tem muito mais valor do que a grana que ele ganha.
Eu vou contar um episódio, quando a gente ainda estava desenvolvendo o produto, porque nós demoramos um ano pra desenvolver. Mas no meio desse processo, ele tocando com o Oficina G3, ele me ligava 3 da manhã e falava: ‘A pele quebrou, o que eu faço? A banda quer me matar’. E agora, depois do produto desenvolvido, os consumidores gospel consomem muito os produtos Williams por conta do nome dele. Então, é muito sério isso.
E em segundo, os metaleiros. Os caras do Metal olham para os bateristas e compram. Então, porque trazer o Mike Terrana e não um outro cara? Primeiro, porque houve uma identificação. E segundo, porque a galera do Metal consome produtos baseados em artistas. Nós vamos continuar nessa linha então, por enquanto. Para os jazzistas, nós temos bateristas de Jazz, mas eles consomem menos. Outros estilos consomem menos. Essa é uma resposta importante porque nós estamos investindo nos dois estilos que mais consomem no Brasil e no mundo. O Metal, no mundo inteiro se consome muito baseado em artistas. Vamos continuar investindo nisso.”
Experiência ao vivo comprova qualidade
Além das entrevistas e da apresentação oficial, o evento também proporcionou uma demonstração prática da qualidade das peles. Assim, tanto Alexandre Aposan quanto Mike Terrana entregaram performances intensas, carregadas de técnica e energia, sem qualquer economia de força. Durante os pocket shows, os dois bateristas literalmente colocaram o equipamento à prova, reforçando a proposta da marca de oferecer resistência e desempenho em situações reais de palco.
Quem acompanhou as apresentações não teve dúvidas: o material suportou com excelência o impacto e a agressividade típicos do Rock e do Metal. Dessa forma, ficou fácil concluir que a comprovação da qualidade não ficou apenas no discurso.
Visão de mercado e aposta no Metal
Por fim, a Williams demonstra uma visão empreendedora clara ao apostar em um segmento muitas vezes subestimado pela indústria: o Metal. Ao mesmo tempo, a marca mantém seu compromisso com a acessibilidade, buscando equilibrar qualidade e preço em um mercado tradicionalmente caro.
A escolha de Mike Terrana, um nome respeitado mundialmente, reforça essa estratégia ao conectar diretamente o produto com um público fiel e engajado. Em um cenário global onde o Heavy Metal segue forte e influente, iniciativas como essa inegavelmente mostram que ainda há espaço — e demanda — para inovação alinhada à realidade dos músicos.

Como sempre matéria muito bem feita! Terrana é um monstro na bateria! Parabéns!