Vida longa à morte – O melhor do Death Metal ao redor do mundo em 2025 – Parte II (2º semestre)

Em agosto de 2025, publicamos uma matéria com os destaques do Death Metal no primeiro semestre do ano — para ler o primeiro capítulo do Vida Longa à Morte deste ano clique AQUI. No entanto, estamos nos referindo a um gênero que não se cansa de apresentar ótimos trabalhos. É claro que nós seguimos acompanhando os lançamentos no segundo semestre e chegou a hora de adentrarem este universo junto conosco. Dito isso:

Sejam bem vindos de volta ao nefasto cenário do Death Metal… 

É notório que o Death Metal e suas distintas ramificações têm crescido e se espalhado pelo planeta de forma epidêmica e, assim como em 2024, tivemos um dos anos mais produtivos para a morte, estamos presenciando mais um ano repleto de exemplares do mais alto calibre, totalmente dedicados ao morticínio sonoro.   

Saiba que aqui tem para todos os gostos, pois se tratando de um gênero rico em derivações e segmentações — que surgiram e evoluíram à partir de sua base embrionária opulenta, obviamente — o banquete é farto e grotesco.

Novamente, dedicaremos este espaço para falarmos da “morte” mundo afora, abrangendo os destaques e exemplares mais escrutinados no segundo semestre de 2025.

Unleashed – “Fire Upon Your Land” (2025)

Se passaram quase 4 anos desde o lançamento de “No Sign of Life” no ano de 2021.

E eis que ressurge dos mares gélidos escandinavos, um dos principais e mais consistentes representantes do Death Metal Sueco, em todos os tempos, trazendo o fogo sobre as terras dos inimigos de Midgard e seus guerreiros. 

Marcando oficialmente a décima quinta incursão viking, regada a brindes embriagados aos deuses Argardianos, Johnny Hedlund mostra que o Unleashed permanece sedento e revigorado, hoje mais do que nunca, mesmo após cerca de 37 anos no ramo da bestialidade nórdica.

Indicado para os apreciadores de Dismember, Bolt Thrower, Benediction e Amon Amarth.

Entrails – “Grip of Ancient Evil ” (2025)

Apesar do Death Metal sueco ter mantido em destaque nos últimos anos, é inegável que uma certa previsibilidade permeie a maioria dos lançamentos. Isso criou padrões e escolhas seguras dentro de uma formula que funciona, mas não impressiona.

Contudo, é necessário afirmar com firmeza que a dedicação inabalável do Entrails à sua arte tradicional tem lhes servido muito bem. Ainda mais porque essencialmente, trata-se de uma continuação moderna do som clássico escandinavo.

Desde o lançamento de seu impiedoso álbum de estreia, “Tales From The Morgue”, em 2010, a banda se recusa a se afastar de sua essência old school, sempre guiados pelo domínio do mal ancestral.

Indicado para os apreciadores de Grave, Dismember e Entombed.

Torture Machine – “Shadowcult” (2025)

Aqui vai um sangue novo que chegou com os dois pés na porta.

O Torture Machine surgiu oficialmente no ano de 2010, diretamente dos confins de Santiago, no Chile. Os caras lançaram seu álbum de estreia apenas em 2023: o intimidador “Reduced To Nothingness”.

Dois anos depois, temos mais um exemplar insano da sonoridade da banda, que mesmo bebendo do old school, ainda consegue trazer um tempero mais atual e vigoroso para a novasafra do Metal da morte.

Indicado para os apreciadores de Grave, Revocation, 200 Stab Wounds e Krisiun.

Podridão – “Coffin Of The Corrupted Dead” (2025)

Diretamente das ruínas podres e infestadas do underground do Death Metal brasileiro, o Podridão está de volta com seu mais novo álbum “Coffin of the Corrupted Dead”, e talvez o seu melhor registro até hoje.

Talvez o maior diferencial do Podridão seja essa amálgama entre as principais escolas do Death old school, com o inconfundível DNA do metal extremo brasileiro. O resultado é uma junção que não busca emular nenhuma sonoridade especifica, mas também não nega suas raízes mais profundas.

Um dos representantes em destaque do Metal nacional este ano, com lançamento sólido e totalmente desaconselhado aos ouvidos sensíveis.

Indicado para os apreciadores Entombed, Dismember, Autopsy, Repulsion e Cancer.

Crimson Butchery – “Stalker” (2025)

Formada em 2021, na Irlanda, o Crimson Butchery não custou em se estabelecer como uma das bandas de mais ferozes e hediondas em atividade.

Com “Stalker”, eles canalizam a precisão e a brutalidade implacável, de uma sonoridade já conhecida, injetando seu próprio DNA maníaco na mistura. O resultado é esta carnificina implacável do Death Metal irlandês.

Indicado exclusivamente para os apreciadores de Dying Fetus, Cattle Decapitation, Exhumed e Cannibal Corpse.

Dying Remains – “Merciless Suffering” (2025)

Os canadenses do Dying Remains surgem para pulverizar tudo com seu álbum de estreia neste ano. E devo dizer de antemão, que estou muito ansioso para ver o futuro desses caras.

Esse um dos daqueles discos onde não há muito o que falar em relação a sonoridade e atmosfera. Mas no fim das contas isso já diz muita coisa, principalmente, quando se trata de Death metal.

Em pouco menos de meia hora, a banda prioriza tudo o que um assíduo apreciador do gênero mais procura: agressividade, crueza, ódio primitivo, tudo isso enfatizado em riffs altamente pesados.

Cada música faz referência a um método de tortura ou a um instrumento de tortura de alguma forma. Sendo assim, essas composições não têm a intenção de evocar sentimentos alegres e superficiais, é o verdadeiro suco do sofrimento impiedoso.

Totalmente indicado para os apreciadores de Jungle Rot, Obituary, Cannibal Corpse e Internal Bleeding

Depravity – “Bestial Possession” (2025)

Em seu terceiro álbum de estúdio, os australianos do Depravity conquistam seu lugar na elite da letalidade musical atual.

Cinco longos anos se passaram, desde o lançamento do insano “Grand Malevolence”, em 2020, e já era um desafio superar a brutalidade deste álbum em questão, mesmo que fosse apenas seu segundo registro de estúdio.

Eis que a banda retorna com “Bestial Possession”, trazendo uma clara evolução e uma variedade técnica impressionante. Se comparado aos seus antecessores é um verdadeiro equilíbrio entre a bestialidade rudimentar e o refinamento conciso de uma produção e mixagem encorpada. Aliás, a execução é precisa como um bisturi.

E após o final da audição, surge novamente o questionamento: como eles vão superar esse álbum?

Indicado para os apreciadores de Hate Eternal, Immolation, Cannibal Corpse e Hour of Penance.

Scorching Tomb – “Ossuary” (2025)

Podemos dizer que atualmente, o Canada se tornou um dos celeiros mais produtivos do Metal extremo mundial.

Na ativa desde o ano de 2019, o Scorching Tomb veio a lançar somente neste ano seu álbum de estreia completo. A própria banda o define como “rápido, pesado e impiedoso, não feito para os fracos”, e de fato, o aviso antecede o cão bravo no quintal repleto de ossos. 

De forma simples, a banda busca fundir a atmosfera e a rispidez do Death metal old school com algo mais moderno e técnico. Essa proposta acaba resultando em um som com distorção profunda e um parte rítmica muito dinâmica e emblemática.

Em poucas semanas após o lançamento,“Ossuary” já entra entre os destaques mais ouvidos deste semestre, e talvez do ano.

Indicado especialmente para os apreciadores de Despised Icon, Skeletal Remais, Gorguts e Primal Horde.

Heads For The Dead – “Never Ending Night Of Terror” (2025)

Temos aqui mais um daqueles verdadeiros supergrupos suecos, que realmente se tornou uma tendência notável.

Fundado no ano de 2017 e Liderados pelo experiente Jonny Pettersson (Rotpit, Wommbath,ex- Masacre) na guitarra e baixo e Ralf Hauber (Rotpit, Revel in Flesh) nos vocais, você já sabe que pode esperar um death metal sueco old school e viscoso, com ênfase na sujeira e na imundície que o grupo traz a mesa.

Em “Never Ending Night of Terror”, quarto álbum da banda, fica evidente que a fórmula old school consagrada ainda se prova ser mais fatal e cinematográfica que nunca.

Os caras ainda apostam numa estética de terror que confere o álbum uma identidade única. A maioria das músicas evoca uma experiência digna de grandes clássicos do gênero, com uso de sintetizadores e andamento cadenciado altamente macabro. O destaque vai para a faixa “Phantasmagoria”, que traduz perfeitamente essa atmosfera aterrorizante.

Indicado para os apreciadores de Grave, Dismember, Blodbath, Entrails e Mortician.

 Ceremony – “Solitary Bleed” (2025)

“Com uma nova formação e a adição de orquestração, o Ceremony apresenta um álbum que vai além de seus antecessores.”

De fato, para uma banda marcada por um longo hiato e com um álbum de estúdio, o Ceremony conseguiu retomar no melhor momento possível. A sonoridade é inegavelmente ambiciosa e vai além das expectativas.

Fundada em 1989, na Holanda, o Ceremony entrou em um hiato de 20 anos, após seu ótimo álbum de estreia, “Tyranny From Above”, em 1993.

A banda então retoma suas atividades no ano de 2015, lançando oficialmente seu álbum de retorno em 2019, batizado de “Retribution”. Ele é marcado por uma guinada na sonoridade em busca de algo a mais — e eles realmente encontraram.

É essencial destacar que o grupo mudou seu som e certamente não é aquele death metal cru e old school dos anos 90.

Em “Solitary Bleed”, a banda decidiu adotar uma nova abordagem, adicionando elementos sinfônicos, abraçando totalmente o blackened death metal. Obviamente eles fazem isso do jeito mais carniceiro, brutal e audacioso, construindo uma atmosfera de horror teatral arrasadora, digna de uma necrofilarmônica.

Indicado exclusivamente para os apreciadores de Behemoth, Septic Flesh, Vltimas e Sinister. 

Revocation – “New Gods, New Masters” (2025)

Com uma sequência impressionante de álbuns de estúdio em sua carreira, o Revocation tem consistentemente entregado Death Metal técnico de alta qualidade. “New Gods, New Masters” não é exceção, é um decreto.

É notório que essa inclinação do Revocation pela criação de um material mais técnico e inventivo, com requintes progressivos, acabou os distanciando um pouco de suas raízes Thrash ao longo dos últimos anos, abrindo espaço para um Death Metal técnico fulminante e imprevisível, álbum após álbum, concretizando um identidades sólida.

Em “New Gods, New Masters” a banda impõe respeito, elevando a intensidade ao máximo durante a sonoridade crua e angustiante, bem como focando em uma temática distópica, extremamente relevante na atualidade.

As participações especiais neste álbum também merecem destaque, e assim adicionam um elemento narrativo às respectivas faixas. Contando com Jonny Davy em “Cronenberged”, bem como Travis Ryan, do Cattle Decapitation em “Confines of Infinity, acabaram se tornando destaque no vasto repertório da banda.

Indicado exclusivamente para os apreciadores de Sylosis, Death, Ouroboros, Skeletonwithc, assim como Rivers oh Nihil.

Voidceremony – “Abditum” (2025)

O VoidCeremony, mais uma vez, resiste à compreensão fácil, exigindo imersão e recompensa a exploração dos ouvintes mais atentos. A viagem é aquela mesma de sempre: rumo a entropia inevitável.

Fundada na California em 2013, o grupo vem se consolidando, definitivamente, na vanguarda do Death Metal técnico, progressivo e inovador, com sonoridade que vai além do que o metal extremo costuma apresentar.

Desde o lançamento de seu debut, “Entropic Reflections Continuum: Dimensional Unravel”, em 2020, a banda investe em um virtuosismo expansivo e errático, mas sempre mantendo a sonoridade no ápice da  brutalidade. Do inicio ao fim, a audição beira o desconforto sensorial e psíquico.

Em “Abditum”, a banda conclui sua primeira trinca de forma magistral, dentro de sua proposta singular e inclusive com uma consistência invejável. Embora, não seja uma obra de fácil absorção, creio que a recompensa seja proporcional ao esforço.

Indicado exclusivamente para os apreciadores de Atheist, Cynic, Blood Incantation e Immolation.

Perdition Temple – “Malign Apotheosis” (2025)

A banda de Blackened Death Metal de Tampa, Perdition Temple, retorna com seu quinto álbum completo de blasfêmias cáusticas e uma apoteose maligna.

Desde que se destacou como principal compositor do Angelcorpse na década de 1990, Gene Palubicki vem trilhando um caminho perseverante pelo underground do metal extremo e, de fato, o Perdition Temple vem se destacando entre o projetos do veterano.

A abordagem arrasadora e infernal, calcada no Blackened Death empregado, não traz elementos distintos de outros gêneros ou atmosferas sinfônicas e macabras, não há espaço para deturpações em sua proposta. Apenas o mais profundo poço de carniça e enxofre queimando sobre brasas profanas, em absoluto clamor de blasfêmia e danação, sem o menor vestígio de esperança ou purificação sagrada.

Totalmente indicado para os apreciadores de Angel corpse, Morbid Angel, Blasphemy e Rebaelliun.

Blood Red Throne – “Siltskin” (2025)

Mais um veterano incansável para a nossa delação, e alcançando uma marca de respeito em quase 30 anos de existência, sem um pingo de misericórdia.

Fundada em 1998 na Noruega, o Blood Red Throne completa 27 primaveras e impressionantes 12 álbuns de estúdio do mais alto quilate da sanguinolência. E é justamente isso que podemos ouvir em seu mais novo invólucro de desprezo batizado de “Siltskin”.

De maneira direta, os caras pegam uma roda já inventada e a restaura, dão um polimento, retocam e adicionam aquele brilho moderno, enquanto brutalizam desumanamente o ouvinte. Em outras palavras, Uma dose de Death Metal old-school Norueguês, mas com um toque daquele espírito americano e sueco, que tanto indicamos por aqui.

Para apreciadores de Vomitory, Severe Torture, Cannibal Corpse e Decapitated.

Monoliyth – “He Who Kills” (2025)

Monoliyth é uma banda da Austrália formada em 1998. Os caras se separaram em 2011, mas durante esse período lançaram um EP, “Cosmic Citizens” (1998) e um álbum de estúdio em 2007, “Imminent Demise”. Em 2016, decidiram se reunir, reformar o lineup e relembrar o Brutal Death Metal. Agora, nove anos se passaram e finalmente esses australianos decidiram que é hora de retomar os trabalhos mais uma vez, com seu segundo álbum de estúdio, batizado de “He Who Kills”. Aliás, altamente sugestivo o nome.

É prudente deixar avisado, que devido a estrema brutalidade e níveis desconexos de sanidade apresentados aqui, é uma audição desaconselhável para ouvintes desavisados que buscam mais substância ou narrativas complexas, pois existe apenas fúria assassina e frenesi desenfreado.

Indicado exclusivamente para os apreciadores de Suffocation, Morbid Angel, Deeds of Flesh e Pyrexia.

Werewolves -“The Ugliest Of All” (2025)

Atualmente, temos duas certezas na vida: a morte e mais um lançamento intransigente do Werewolves.

Fundada na cidade de Melbourne, na Australia, o Werewolves engatou uma sequência intimidadora de álbuns implacáveis e selvagens à partir do lançamento de “The Dead Are Screaming” em 2020.

Munidos de uma sonoridade que intercala entre Blackned Death Metal e o mais sujo Grindcore que existe, a banda desfere uma verdadeira punição arcaica em forma de música, e isso em todos os seus registros.

Seja “From the Cave to the Grave”, de 2022, “My Enemies Look and Sound Like Me”, de 2023, ou “Die for Us”, de 2024, os caras criaram um identidade musical e visual tão forte em todos esse álbuns, que você, basicamente, já sabe o que vai encarar na sequência.

Com 32 minutos de duração, ”The Ugliest of All” crava o lançamento mais curto e repugnante da banda, e também se firma como o mais feio e carniceiro de todos.   

Exclusivamente indicado para os apreciadores de Belphegor, Cattle Decapitation, Anaal Nathrakh e Misery Index.

Mordeth – “Hermetic Creation” (2025)

Com 37 anos de historia dedicados ao underground brasileiro, o Mordeth ressurge da poeira cósmica, com a sua obra mais ambiciosa e imersiva desde a sua fundação.

Formada em 1988 na cidade de Rio Claro, São Paulo, o Mordeth passou quase quatro décadas expandindo os limites da música extrema, buscando uma sonoridade que transmitiria toda a criatividade e complexidade que ainda permanecia confinada.

Com o seu retorno no ano de 2008, passaram a buscar uma fusão entre agressividade crua, técnica distorcida e atmosferas sombrias influenciadas por horror cósmico, filosofias existenciais, bem como ficção científica.

 “Este disco é o culminar de décadas de dedicação à arte. Não é apenas música — é um ritual de transformação através do som.” – Mordeth

Em “Hermetic Creation”, fica evidente que Vladimir Matheus (guitarra e vocal) e WIT Tamir (baixo), membros fundadores remanescentes, encontraram definitivamente uma forma de canalizar o espírito do Death Metal clássico enquanto exploram novos domínios de brutalidade sonora e profundidade metafísica.

Indicado para os apreciadores de Nocturnus, Supuration, Pestilence e Sadist.

“Por que ter medo da morte? Enquanto somos, a morte não existe, e quando ela passa a existir, nós deixamos de ser.” – Epicuro.

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