Tony “Demolition Man” Dolan, baixista/vocalista do Venom Inc., comentou sobre a respeito dos acontecimentos que fizeram com que o guitarrista Jeff “Mantas” Dunn deixasse a banda em dezembro passado. De lá para cá, muita água passou por debaixo dessa ponte com declarações amarguradas e trocas de acusações daqui e dali.
Em uma nova entrevista ao Soundterror, Tony Dolan comentou:
“Mantas teve um ataque cardíaco há cerca de quatro ou cinco anos e morreu. Eles o trouxeram de volta à vida e, cerca de 11 semanas depois, ele estava em turnê novamente. Mas então ele teve um segundo ataque cardíaco e pensou: ‘Minha mente está ferrada. E eu não quero viajar’, então ele simplesmente parou. Ele não queria mais fazer shows ao vivo. Então eu pensei: ‘Ah, merda. Bem, o que eu faço? Ainda tenho um álbum para fazer com a Nuclear Blast. Ainda tenho shows chegando que eu poderia fazer, ofertas.’ E eu pensei: ‘Ok, bem, vou continuar.’ E eu chamei o Curran Murphy, que estava com o ANNIHILATOR e o NEVERMORE, e a banda dele tinha aberto para mim em uma turnê, e eu pensei: ‘Esse é o cara [que pode substituir o Mantas]’. Então eu o procurei, e é ele quem agora está tocando guitarra. E a ideia original era que o Mantas melhorasse e voltasse, mas ele decidiu não voltar.”
Depois que Tony Dolan disse em uma de suas entrevistas que se sentiu “esfaqueado pelas costas” por Mantas, o ex-guitarrrista do Venom Inc., rebateu a fala do baixista/vocalista e disse que se irritou com Tony Dolan porque Tony não se importou com o fato de que ele sofreu dois ataques cardíacos. Segundo Jeff Mantas, Tony não fez mais contato após o seu segundo ataque cardíaco. Mantas disse que Dolan pensou somente nos planos de turnê, e afirmou que nunca mais quer falar com o ex-parceiro.
Tony Dolan foi questionado se ele e Mantas tiveram algum contato depois dessa declaração:
“Não depois daquela declaração. Não. Eu fiquei tipo, ‘Ok. Bem, eu não entendo’. Ele disse que não houve comunicação, mas eu tenho toda a comunicação. Até meu baterista estava falando com ele… E foi ele quem me disse: ‘Falo com você na semana que vem. Falo com você na semana que vem’. Enviei a ele uma lista completa de shows nos Estados Unidos e disse: ‘Sei que você disse que não queria fazer turnê, mas me avise. Você não precisa fazer todos eles. Você pode vir e fazer alguns deles. Você vem, toca em Nova York e depois volta para casa’. Mas ele não queria viajar, então não respondeu. Ele ficava me evitando, dizendo: ‘Falo com você na semana que vem, falo com você na semana que vem’. E então, de repente, ele estava lançando vídeos e músicas… E eu estava na imprensa dizendo a todos que estava esperando ele voltar, e o tempo todo ele estava gravando músicas novas. E aí ele me culpa. ‘Bom, você foi embora! Você acabou de sair. Você gravou músicas novas. Você acabou de fazer seus vídeos’. E agora você está me culpando. Pelo quê?
Ele sabia que Curran o estava cobrindo, e Curran Murphy, toda vez que alguém lhe perguntava: ‘Como é estar na banda?’, ele sempre dizia: ‘Só estou aqui até o Mantas melhorar e voltar. É só para isso que estou aqui’. Ele nunca se comprometeu a ficar na banda. Eu nunca disse isso à imprensa. E eles meio que apontavam para mim como se eu estivesse fazendo gerenciamento de danos. Mas que gerenciamento de danos? ‘Você estava doente. Você disse que não queria fazer turnê. Espero que você queira, então estou só esperando você voltar.’ E ele nunca voltou. Então, para eu ver a terceira vez que ele fez isso comigo, fez declarações na imprensa sobre o que ia fazer… Recebi capturas de tela. As pessoas diziam: ‘Meu Deus. Não acredito no que ele acabou de dizer’. E eu disse: ‘Eu também não’. E eles perguntavam: ‘Bem, vocês conversaram?’ Eu disse: ‘Não, ainda estou esperando ele falar’. Então, fiquei tão chocado quanto todo mundo.
Mas, no fim das contas, ele não está morto. E ele é meu irmão e eu o amo, independentemente do que ele diga sobre mim ou qualquer outra coisa. Eu não conseguiria amá-lo por quatro anos e depois não gostar mais dele em uma semana. Então ele ainda é meu irmão. Quando ele quase morreu, eu fui o primeiro a chegar. Cuidei dele e da esposa dele, e a levava ao hospital duas vezes por dia. E eu comprava máquinas de café para ele e os sustentava. E assim que ele pôde sair para ganhar dinheiro, eu saí para ganhar dinheiro para que eles pudessem ficar bem. Então, para depois ficar tipo, que eu não dava a mínima… E ele disse, tipo, ‘Bem, ele estava sempre trabalhando.’ Bem, é, porque eu preciso ganhar dinheiro, porque moro em Londres e tenho que pagar meu aluguel. A banda não me paga o suficiente. Eu tenho um emprego, e tenho um emprego muito exigente, então eu faço o meu trabalho. Então não é que eu não me importasse e não é que eu não estivesse me comunicando. Ele não estava se comunicando, mas me culpa, é claro. E tudo bem, ele pode me culpar. Mas, no fim das contas, eu não quero que ele morra, quero que ele esteja em paz e não tenha outro ataque cardíaco. E se é assim que ele vai sobreviver, ótimo. Isso é bom. É melhor do que não estar aqui.”
Indagado se ainda existe a possibilidade de uma conversa em um futuro próximo para uma reconciliação entre eles, Tony respondeu:
“Agora não. Ele disse muitas coisas ruins sobre mim que são mentiras, e não é justo. E eu só penso: espere aí. Sou a mesma pessoa que era naquela época, a mesma pessoa que o VENOM tentou destruir, a mesma pessoa que teve todo seu dinheiro roubado, a mesma pessoa que de quem eles desviaram, não me deram minha publicidade, não recebi nenhum adiantamento, não fui pago por nenhuma turnê e nunca recebi por nenhum álbum. E eles tiraram o dinheiro da publicidade dos meus discos, incluindo o Cronos, e depois riram disso em público. Foi tipo: ‘Nós pegamos o dinheiro dele’. Agora eu saio e faço shows. Se eu tocar 10 músicas do VENOM em uma turnê, eu não recebo o dinheiro. Eles recebem o dinheiro. São os royalties deles. Então eu ainda estou ganhando esse dinheiro para eles, mas não me importo com isso.
Eu trouxe Abbadon [o baterista original do VENOM, Antony Bray] de volta para tocar com a VENOM INC. Depois de tudo o que ele fez porque eu não me importava. Mantas disse, ‘Não o tragam de volta depois de tudo o que ele fez’. E eu disse, ‘Mas isso não é importante para mim’. Dinheiro não é importante para mim. Quer dizer, se eu consigo comer e dormir, tenho uma casa, um carro que funciona, comida e roupas, e todo mundo está bem, tudo bem. Eu não preciso de mais do que isso. Mas o que eu quero fazer é tocar música e conhecer pessoas. É por isso que estou fazendo isso. Então, eu não me importo. E eu pensei, no fundo da minha mente, Abaddon mudou. Ele cresceu. E ele está na casa dos sessenta. Ele não vai ser o mesmo. Mas eu estava errado. E Mantas me disse, ‘Eu te disse. Eu te disse que ele não mudaria’. E eu disse, ‘Ok’. E então eles queriam que ele não estivesse mais na banda. E eu lutei por vários meses para mantê-lo na banda. E eventualmente Abaddon foi embora e me culpou. Eu pensei: ‘Ok. Certo.’ Então, todos me culparam pela própria ruína. E foi tipo: ‘Bem, estou apenas fazendo o que nos propusemos a fazer, o que concordamos em fazer, e não mudei meu mantra, e não vou mudá-lo. Foi isso que decidimos fazer, e eu queria que você fizesse parte disso, não que não fizesse parte.'”
Além disso, Dolan descartou qualquer possibilidade de uma reunião com Mantas e Abaddon futuramente:
“Não, nunca. E eu não acho que haja qualquer chance de uma reunião original do VENOM também… Bem, isso depende do Cronos, mas isso também nunca vai acontecer, porque eles fizeram a mesma coisa com ele. Eles disseram tantas coisas ruins sobre ele e fizeram tantas coisas ruins contra ele. E agora, porque eles não têm o VENOM, eles querem dizer: ‘Vamos esquecer tudo isso.’ Bom, ele não precisa, precisa? Ele ainda é o VENOM. Ele ainda faz seus shows. Ele ainda está gravando álbuns. Ele assinou com a Spinefarm. Ele não precisa deles. Ele tem uma banda. Então, eu não sei, mas não consigo ver isso acontecendo. Mas, certamente, para mim, não. Sou muito mais feliz não sendo oprimido por eles. Não tenho que lidar com nenhuma das políticas ruins ou com nenhuma das besteiras deles. Eu não preciso. Posso simplesmente ser livre e tocar música, e é tudo o que eu quero fazer.”