Venom: guitarrista diz que alto custo e burocracia para tirar vistos são a maior dificuldade para se fazer turnês nos EUA

O guitarrista do Venom, Stuart Dixon — mais conhecido como Rage — revelou em entrevista ao canal Rock Interview Series que tocar nos Estados Unidos se tornou uma tarefa cada vez mais complicada. Entre custos elevados, processos burocráticos e incertezas, o músico deixou claro que a situação tem afastado bandas internacionais do país.
Logo de início, ele expôs um dos principais entraves: os vistos de trabalho.
“Estávamos falando sobre isso. O problema que temos com os Estados Unidos, e está piorando um pouco, é que precisamos tirar vistos e coisas assim. E eles são realmente caros. Acho que fica entre sete e nove mil dólares. E isso é só para os três membros da banda.”
Além do valor alto, Rage aponta que o cenário global também agrava a situação. Com o aumento nos custos de combustível e logística, a conta final de uma turnê cresce rapidamente — e sem qualquer garantia de retorno.
O guitarrista também destacou que nem mesmo a obtenção do visto garante a entrada no país, o que torna o investimento ainda mais arriscado.
“E mesmo com os vistos, não há garantia de que você vai conseguir entrar. […] Eu sei que o Cradle of Filth teve que adiar a turnê, e houve algumas bandas da Europa que simplesmente não conseguiram…”
Esse cenário já impacta diretamente festivais e agendas internacionais. Segundo Rage, houve eventos com dezenas de bandas impossibilitadas de participar por não conseguirem a documentação necessária. Ele resume a frustração de forma direta:
“A burocracia para conseguir ir é absurda… E é tudo por causa do rock and roll. A gente só quer ir aí fazer um show […] e simplesmente espalhar amor através da música. E isso é feito para ser tão difícil.”

Custos de estrada e o contraste com o underground
Na sequência, Rage amplia a discussão ao falar sobre os custos dentro dos próprios Estados Unidos, especialmente para bandas em turnê.
“Acho que o Forbidden acabou de cancelar uma turnê europeia, e sei que o Anthrax também cancelou. […] Antes custava mil dólares por dia por um ônibus de turnê […] agora você não consegue por esse preço.”
Nesse contexto, ele aponta um contraste interessante: enquanto bandas maiores enfrentam dificuldades financeiras e logísticas, grupos underground seguem ativos justamente por operarem com estruturas mais simples.
“Eles entram num pequeno trailer e simplesmente saem tocando sem parar […] estão mantendo viva a essência do Heavy Metal.”
Convites, vistos e o receio de promotores
Outro ponto levantado por Rage envolve a postura dos promotores. Mesmo com propostas na mesa, o assunto “visto” costuma esfriar negociações rapidamente.
“Continuamos recebendo ofertas […] e então, quando se fala de vistos, os promotores já ficam receosos.”
Apesar disso, ele menciona conversas com a BMG sobre alternativas, como vistos de trabalho anuais, que poderiam tornar as turnês mais viáveis no futuro.
O músico também fez uma comparação com o passado, lembrando a época da chamada “invasão britânica”, quando bandas atravessavam o Atlântico com muito mais facilidade.
“Nos anos 60 e 70 […] toda semana tinha uma banda britânica: Led Zeppelin, Humble Pie, Deep Purple chegando. E isso simplesmente não acontece mais.”
Para ele, essa mudança impacta diretamente a identidade do Venom, que se enxerga como uma banda global, com público em regiões como Canadá e América do Sul.

Processo longo e cada vez mais difícil
Por fim, Rage detalhou a experiência prática de tentar conseguir um visto, destacando o nível de exigência do processo.
“Você fica sentado na embaixada americana em Londres por meio dia […] faz três entrevistas […] precisa ser aprovado em todas ou é recusado.”
Ele conclui ressaltando que o processo não apenas é demorado, mas também se tornou mais rígido ao longo da última década:
“Não é só chegar e receber um carimbo. É um processo longo e complicado, e provavelmente começou a ficar mais difícil há uns 10 anos.”