Uli Jon Roth, ex-Scorpions, diz que não é fã de metal por “falta de dinâmica” no gênero: “muitas vezes, é mais como uma cacofonia”

O virtuoso ex-guitarrista do Scorpions, Uli Jon Roth, explicou o porquê ele não é uma grande fã de metal e o porquê ele não se considera um dos pioneiros do heavy metal como muitos afirmam. A mente criativa por trás dos licks revolucionários de “The Sails of Sharon”, uma das melhores músicas do Scorpions, disse que não considera um guitarrista de metal. Em uma nova entrevista com Andrew McKaysmith, do Scars and Guitars, Uli foi questionado sobre seu papel na evolução do metal neoclássico, e respondeu:
“Eu não sou um cara do metal. Quando eu estava no Scorpions e o nome heavy metal mal existia, éramos considerados, se você quiser classificar, como uma banda de hard rock melódico. Então, metal, o nome, veio depois, e se tornou algo que, na verdade, não é a minha praia. A maioria do metal, para mim, é um pouco hardcore demais, um pouco distorcido demais e, para mim, talvez um pouco bidimensional. E o que quero dizer com isso é a falta de dinâmica.
Eu venho de uma época, tipo, nos anos 60, quando comecei, ou nos anos 70, em que até bandas barulhentas tocavam com muita dinâmica. Gente como Led Zeppelin, Jimi Hendrix, Cream, eles tocavam alto no palco com os amplificadores, mas na verdade eram muito dinâmicos. As guitarras, a bateria, tudo era dinâmico.”
Uli afirma que falta “amplitude dinâmica” no metal:
“Agora, no heavy metal, isso foi desaparecendo gradualmente e tudo voltou ao 11 o tempo todo — a guitarra constantemente hiperdistorcida, cada batida da bateria fortíssima — e, para mim, muitas vezes é mais como uma cacofonia. Então, não sou fã. Há algumas coisas do metal que são excelentes e ótimas — com certeza — mas, no geral, não é algo que eu goste de ouvir. Não é o meu mundo.”
Andrew observou que tanto Uli quanto Michael Schenker tiveram grande influência no heavy metal, mas o guitarrista discordou:
“Eu realmente não penso assim. Eu sei que tivemos uma forte influência, principalmente nos guitarristas, mas algumas pessoas disseram: ‘É, esses dois caras são os arquitetos do rock’, o que é, eu acho, um exagero, porque estávamos nos apoiando em outras pessoas.
Michael ouvia Led Zeppelin, Rory Gallagher, Mountain, e eu ouvia Eric Clapton, Hendrix e algumas outras bandas. E foi aí que aprendemos nossa arte.
E então, é claro, nós éramos como a próxima geração. Deixamos nossa própria marca nisso. E foi uma época de descobertas — o campo do início dos anos 70 estava completamente aberto; completamente aberto.”
Ulrich Roth tocou nos álbuns “Fly to the Rainbow” (1974), “In Trance” (1975), e “Taken By Force” (1977), além, é claro, no icônico disco ao vivo “Tokyo Tapes” (1978).