Twisted Sister: “somos uma banda predatória. Adoramos acabar com as outras bandas”

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Turnês de despedida tem sido tão comuns quanto turnês de reunião. Precisamos entender que em ambos os casos, os envolvidos mexem com os sentimentos dos fãs. Se o artista em questão possui uma relevância muito grande ou fez bastante sucesso em algum espaço de tempo, fatalmente ele terá uma base de fãs pronta para responder ao chamado. E é bom que se diga, tanto na despedida como no retorno, as sequências de shows certamente funcionarão muito bem e se tornarão negócios bastante lucrativos.

Veja, existem bandas que fizeram mais de uma turnê de despedida e, inclusive, ainda seguem em atividade. Talvez, o caso mais emblemático seja o do Scorpions, que segue fazendo shows e lançando novos álbuns mesmo depois de uma longuíssima e bem sucedida turnê de despedida. Outros nomes que fizeram isso com muita eficácia foram Kiss e Ozzy Osbourne. Inegavelmente, se pensarmos no universo do Metal, o Slayer é um caso óbvio e recente. Depois de se aposentar no final de 2019, cinco anos depois o quarteto começou a aceitar shows esporádicos, desta vez, como uma reunião que vem se mostrando altamente lucrativa.

O Twisted Sister é o próximo da lista e anunciou uma turnê de reunião para comemorar os 50 anos da banda em 2026. Ótimo para os fãs e absolutamente nada novo no front. Mas por conta das inúmeras falas do vocalista Dee Snider criticando músicos que se prestaram a este papel, a banda tem enfrentado algumas críticas.

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As falas de Dee Snider

Em uma nova entrevista ao The Metal Voice, o guitarrista Jay Jay French precisou responder sobre as falas de Snider. Há 10 anos, o Twisted Sister concluiu sua turnê “40 And Fuck It!” e de lá pra cá, Dee foi um crítico ferrenho de reuniões.

Questionado sobre as declarações, French começou ironizando seu colega de banda:

“Acho que deveríamos publicar todos os comentários de Dee sobre isso antes de subirmos ao palco todas as noites. Acho que deveríamos ler todas as declarações sobre: ‘Nunca mais vamos voltar a tocar juntos’. ‘Nós nos recusamos a fazer isso’. ‘Qualquer um que faça isso é um idiota’. ‘Você é uma piada se fizer isso’. ‘Por que você faria isso?’. Vamos continuar publicando todas elas. É claro que o Blabbermouth vai aceitar isso agora mesmo: Veja o que o Jay Jay disse sobre o Dee’. Ei, eu não disse isso sobre o Dee. Na verdade, foi o Dee quem, eu acho, sugeriu: ‘Devíamos publicar todas as minhas citações’.”

Mas depois da ironia costumeira, o guitarrista tentou responder a pergunta:

“Bem, por que um cachorro lambe as bolas? Porque ele pode. É algo como, você faz e então está tudo bem. E ele mudou de ideia… Olha, eu não precisei dizer ‘sim’. Ele simplesmente me ligou e disse: ‘Quer fazer de novo? Aceita?’. E eu pensei um pouco e disse: ‘Olha, eu tenho 73 anos’. E quando nos aposentamos, 10 anos atrás, foi incrível. Fizemos uma turnê de reunião que durou 14 anos.”

Sobre o impacto da última turnê do Twisted Sister, Jay Jay French disse:

“Quando você está tocando com todas essas outras bandas, cujos nomes vou deixar em off — não quero que o Blabbermouth caia em cima de mim — mas eu não consigo te dizer quantas bandas com as quais tocamos que, digamos, ou eram as headliners ou co-headliners, ou então não éramos nós que fechávamos o show e sim outra banda, e aí os nossos fãs ficam cantando as nossas músicas entre as músicas deles quando sobem ao palco. Eles devem se sentir uma porcaria. E isso me faz sentir ótimo. Quero dizer, nós somos uma banda predatória. Adoramos acabar com as outras bandas. Esse é parte do motivo de termos feito o que fizemos desde o começo. Quero dizer, aprendemos isso nos bares. Foi nos bares que aprendemos a nossa técnica de performance.”

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Sobre voltar atrás depois de ter dito tantas coisas na imprensa, o próprio Dee Snider se explicou em uma entrevista recente a John “JP” Parise, da rádios 102.3 WBAB (Nova York) e 102.5 The Bone (Flórida).

Snider disse o seguinte:

“Antes de tudo, eu assumo as minhas declarações anteriores sobre não querer fazer uma reunião do Twisted Sister. Eu disse aquilo e muito mais. Apontei bandas. Citeis nomes. Fiz discursos e desabafos sobre isso, e esperava levar pedradas por isso, mas estou sendo muito atingido.

Não vou mentir, e só posso dizer até certo ponto, mas esta é a verdade absoluta. Completei 70 anos este ano e tive um susto de saúde. E estou bem… Mas isso me abalou… Não vou dizer exatamente o que foi, e estou bem. Mas realmente me fez reavaliar muitas coisas. Quando eu tinha 40, 50, 60, eu achava que era sobre-humano. O Twisted Sister se aposentou há 10 anos, quando eu já estava detonado. E então, aos 70, aconteceu algo que foi uma reavaliação, para ser bem honesto. E parte dessa reavaliação foi olhar e dizer… Estou pronto para ir? Bem, você nunca sabe quando vai partir silenciosamente para a noite. Você nunca sabe quando seu tempo acaba.

E eu realmente quero fazer isso sem tocar Rock mais uma vez? E eu também havia parado de fazer coisas solo alguns anos atrás. Quero dizer, eu apareço e subo no palco com o vocalista do Poison, Bret Michaels, ou com a Lita Ford durante os shows deles para cantar algumas músicas, mas não saio por aí para me apresentar. E conversando com minha esposa e reavaliando tudo, fui eu, eu mesmo, quem ligou para os outros caras do Twisted Sister. Eu liguei para eles. Eles nunca ligaram.

Quero dizer, nós conversamos, mas eles nunca tocaram no assunto porque eu dizia: ‘Isso não vai acontecer, pessoal. Acabou. Está terminado, assim como eu disse para todo mundo’. Mas, como eu disse, tive uma experiência que mudou minha vida e fiz uma reavaliação de muitas coisas, e entrei em contato. Eu disse: ‘Pessoal, o que vocês acham de fazermos isso mais uma vez?'”

Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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