Triumph retorna aos palcos após mais de 30 anos com show histórico em Orlando

A aguardada reunião do Triumph finalmente saiu do papel e ganhou vida no último dia 10 de abril, em Orlando, na Flórida, marcando o início da turnê de 50 anos da lendária banda canadense. O show aconteceu no Hard Rock Live Universal Orlando, como parte do Celebration Exotic Car Festival, evento beneficente que destinou 100% da renda líquida à Make-A-Wish, organização dedicada a realizar sonhos de crianças com doenças graves.

Para essa nova fase, o grupo conta com uma formação expandida. Os membros clássicos Gil Moore (bateria e vocais) e Rik Emmett (guitarra e vocais) dividem o palco com nomes de peso: Phil X (guitarra), conhecido por seu trabalho com Bon Jovi e por já ter integrado o próprio Triumph; além de Brent Fitz (bateria e teclados) e Todd Kerns (baixo), ambos da banda Slash Featuring Myles Kennedy & The Conspirators. Já o baixista original Mike Levine ficou de fora da maioria das apresentações devido a problemas de saúde na mão.

O setlist completo mostrou um equilíbrio entre hits e momentos mais profundos da discografia, agradando fãs de diferentes gerações, veja abaixo:

  • 01 When The Lights Go Down
  • 02 Somebody’s Out There
  • 03 Spellbound
  • 04 Allied Forces
  • 05 Never Surrender
  • 06 Rock & Roll Machine
  • 07 Hold On
  • 08 Blinding Light Show
  • 09 Rocky Mountain Way (Joe Walsh Cover)
  • 10 Lay It On The Line
  • 11 24 Hours A Day (intro only)
  • 12 Follow Your Heart
  • 13 Magic Power

Encore:

  • 14 I Live For The Weekend
  • 15 Fight The Good Fight

Como a reunião aconteceu: incentivo dos fãs e conexões inesperadas

A volta do Triumph não surgiu de forma tradicional. Inicialmente, não havia planos concretos para uma turnê. No entanto, diversos fatores começaram a convergir. Segundo Gil Moore, o ponto de partida foi a resposta contínua dos fãs ao longo das décadas:

“Depois de tantos anos, sinto que essas músicas já não são mais nossas — pertencem aos fãs.”

Além disso, a conexão com Lawrence Gowan, vocalista do Styx, foi fundamental. Ele não apenas aconselhou Moore sobre os desafios de voltar à estrada, como também ajudou a criar a ponte com o evento beneficente em Orlando, sugerindo o nome do Triumph aos organizadores.

Ao mesmo tempo, o interesse renovado pela banda cresceu com a presença de suas músicas em eventos esportivos e com o lançamento de um álbum tributo envolvendo artistas como Slash e Nancy Wilson, do Heart. Esse movimento reacendeu o desejo do público por apresentações ao vivo.

Rik Emmett e a decisão de voltar aos palcos

Durante anos, Rik Emmett afirmou que não retornaria às turnês com o Triumph. Contudo, sua perspectiva mudou com o tempo. Em entrevistas recentes, ele explicou que a decisão veio de uma mistura de curiosidade, desafio pessoal e oportunidade:

“Tenho 72 anos. Então pensei: vou ter medo ou vou abraçar isso? Vamos ver até onde consigo ir.”

Ele também destacou que a força das músicas foi determinante. Clássicos como “Hold On”, “Magic Power” e “Fight The Good Fight” continuaram relevantes, impulsionando o desejo de reconexão com o público.

Nova formação amplia possibilidades sonoras

A inclusão de músicos como Phil X, Brent Fitz e Todd Kerns não apenas viabilizou o retorno, como também trouxe novas camadas ao som do grupo. Emmett ressaltou que todos são altamente experientes e capazes de contribuir criativamente, indo além de simples substituições.

Já Gil Moore destacou que a escolha dos integrantes levou em conta não apenas habilidade técnica, mas também o perfil humano:

“Queríamos pessoas com grande coração, não só grandes músicos.”

Essa nova dinâmica permite explorar harmonias vocais mais complexas e arranjos diferentes, ampliando o potencial artístico da banda nesta fase.

Retrospecto: a importância do Triumph no rock

Formado no Canadá na década de 1970, o Triumph construiu uma carreira sólida dentro do Hard Rock e do chamado Rock de Arena, destacando-se por combinações marcantes de melodias acessíveis, técnica instrumental refinada e mensagens positivas.

Álbuns como “Allied Forces” e “Just A Game” ajudaram a consolidar o grupo tanto no mercado canadense quanto nos Estados Unidos, onde conquistaram grande popularidade durante os anos 1980. A banda também ficou conhecida por suas performances ao vivo elaboradas, com forte investimento em produção visual e sonora.

Embora muitas vezes comparado a nomes como Rush, o Triumph seguiu uma identidade própria, focando em refrões marcantes e uma abordagem mais direta dentro do rock.

Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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