Três grandes micos das emissoras de TV envolvendo o Rock e o Heavy Metal

Não é de hoje que sabemos que as mídias tradicionais tem muita dificuldade em entender o Rock e o Heavy Metal. Muitas matérias trataram os gêneros de maneira caricata e, em alguns momentos, supostos “entendedores” prestaram enorme desserviço ao expor visões distorcidas sobre assuntos muito sérios.

É claro que com o advento da internet isto melhorou bastante, mas não podemos simplesmente esquecer o passado. Foram décadas em que as TVs eram o principal meio de comunicação e, corriqueiramente, mais confundiam as pessoas do que esclareciam.

Nesta matéria vamos relembrar três momentos em que a TV aberta passou vergonha.

1 – Entrevista de Freddie Mercury à Glória Maria

Esta é um clássico! A repórter Glória Maria, da Rede Globo, foi ao Copacabana Palace em 1985, para entrevistar Freddie Mercury, aquele que ela acreditava ser o líder do Queen. O grupo se apresentaria na primeira edição do Rock In Rio em 1985 e a reportagem seria exibida no Fantástico.

Glória não falava inglês, então a ideia era ler a pergunta em inglês e depois repetir em português. Fazendo isso, a edição do programa poderia fazer os cortes e montar a matéria. Acontece que ela não combinou nada com Freddie Mercury. Sendo assim, quando repetiu as perguntas e ainda por cima devolveu o microfone para que o cantor respondesse tudo de novo, a mágica inevitavelmente aconteceu.

O resultado não poderia ser outro e Freddie deu aquela zoada constrangedora na jornalista. Puro creme da vergonha alheia!

2 – Arnaldo Jabour detonando o Heavy Metal

Este foi um momento lamentável. A emissora através de seus jornalistas e comentaristas tentaram demonizar o Heavy Metal, bem ao estilo instituições religiosas dos anos 60, 70 e 80.

O timing foi péssimo, o guitarrista Dimebag Darrel (ex-Pantera) havia sido assassinado em cima do palco e no momento de dar a notícia sobre a tragédia, a Globo se preocupou mais em relativizar o ocorrido, tentando inclusive fazer parecer algo justificável, do que em demonstrar qualquer tipo de consternação.

Primeiro, William Wack diz coisas como “é a violência abatendo quem prega a violência” e depois tentando colocar o músico como um mero usuário de drogas, mencionando que o apelido Dimebag significa “trouxinha de maconha”. E o que estava ruim ainda iria piorar, quando o pseudo-intelectual Arnaldo Jabor apareceria para destilar uma série de comentários absurdos que certamente geraram a ira dos headbangers na época.

Com frases de efeito como, “o Heavy Metal e o Punk vão glorificar o barulho e o ódio”, “os shows de Rock viram missas negras que lembram comícios fascistas” e “a cultura e a arte foram embora e só ficou a porrada”, Jabor fecha com chave de chorume uma das reportagens mais nojentas da emissora.

O resultado não poderia ser outro e a redação da Rede Globo foi inundada com milhares de e-mails cobrando uma explicação. Jabor foi questionado nas ruas, no seu ambiente de trabalho e, apesar da retratação pública não ter acontecido, ele nunca mais ousou falar com este mesmo teor sobre o Heavy Metal. Enfim, as abordagens também se tornaram mais brandas dali em diante na emissora e a Globo entendeu que o Heavy Metal tinha um número muito maior de entusiastas do que eles imaginavam.

3 – Globo inventando o termo “Metaleiro”

Primeiramente, “metaleiro” é aquele que faz panelas! Dito isso, o termo chulo inventado pela Globo teve sua disseminação principalmente na época do primeiro Rock In Rio, em 1985. Ninguém sabe de onde isto foi tirado, mas simplesmente começou a ser repetido nos jornais, reportagens e programas de TV.

Perceba, eles eram tão elitistas e se consideravam “acima do bem e do mal” que nem se deram ao trabalho de pesquisar se já havia algum termo para descrever os amantes da música pesada. “Vamos inventar uma nova alcunha, ninguém vai perceber”, e dessa forma, headbangers e metalheads se transformaram em “metaleiros”.

Abaixo algumas matérias desta época:

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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