Tony Iommi explica por que nunca deixou de criar riffs: “Está no meu sangue”

O guitarrista Tony Iommi, fundador do Black Sabbath, concedeu uma nova entrevista a Loz Guest, chefe de música e apresentador da rádio britânica Planet Rock, para falar sobre seu aguardado álbum solo, “From The Dark”, que chegará às lojas em 23 de outubro pela BMG. Durante a conversa, o músico revelou como surgiu o disco e explicou sua parceria com o vocalista Jorn Lande. Ademais, afirmou que, mesmo após mais de cinco décadas de carreira, continua compondo riffs naturalmente.
Ao comentar por que decidiu lançar um novo trabalho solo 21 anos depois de “Fused”, Tony Iommi explicou que o projeto nasceu aos poucos, sem qualquer prazo imposto.
“Obviamente, nós não sabíamos o que aconteceria com Ozzy. Mas esse era um projeto no qual eu vinha trabalhando há algum tempo, apenas colocando ideias no papel. O bom é que eu não precisava ter o álbum pronto em seis semanas ou qualquer coisa assim. Eu podia fazê-lo no meu tempo, porque ainda não tínhamos contrato nem nada. Então, toda segunda e terça-feira eu ia ao estúdio da minha casa com Mike Exeter, gravava algumas ideias e o trabalho foi evoluindo dessa forma. Às vezes conseguíamos nos reunir, outras vezes não, mas fizemos tudo com tranquilidade. Isso foi brilhante, porque não existia pressão.”
Sobre o título do álbum, o guitarrista revelou que a inspiração veio diretamente das letras de Jorn Lande.
“É uma das letras do Jorn Lande, que é o vocalista. Ele escreveu bastante material e foi dali que surgiu o título.”
A parceria com Jorn Lande e a paixão eterna pelos riffs
Ao explicar por que escolheu Jorn Lande para assumir todos os vocais do disco, Iommi relembrou a primeira colaboração entre os dois.
“Ele fez muita coisa. Esteve no Masterplan e em vários outros projetos, além de ter uma carreira solo consolidada. Está na estrada há muito tempo, mas eu sempre gostei muito da voz dele. Curiosamente, quando fizemos o tributo ao Ronnie James Dio, em Londres, foi o Jorn quem escolhemos para cantar aquelas músicas.”
Na sequência, o músico, inclusive, detalhou como funcionou a composição das faixas.
“Foi um processo de ida e volta. Eu criava um riff e a ideia básica da música. Depois o Jorn gravava uma linha vocal, então eu voltava e pensava: ‘Talvez eu mude esse riff’. Ele vinha até minha casa, cantava alguma coisa e nós avaliávamos juntos. Foi assim que trabalhamos. O problema é que ele nunca fica satisfeito. Tivemos que dizer várias vezes: ‘Está ótimo, deixa assim’. Porque ele sempre respondia: ‘Eu consigo fazer melhor’. Mas chega um momento em que você precisa preservar a emoção da interpretação. Não se trata de alcançar a perfeição, e sim de transmitir sentimento.”

Questionado sobre o que ainda o inspira a escrever riffs de Heavy Metal depois de tantos anos, Tony respondeu de forma direta.
“Isso está no meu sangue. Eu simplesmente não consigo evitar. Se eu sentar com uma guitarra, vou criar um riff. Eu gosto de fazer isso e acho que também faz bem para o cérebro. É praticamente a única coisa que sei fazer. Se você me pedir qualquer outra coisa, sou inútil. Mas criar música é algo que realmente adoro.”
Ele ainda comparou esse método ao início da carreira no Black Sabbath.
“Desde os primeiros dias do Sabbath, entrávamos na sala de ensaio, eu criava um riff e os outros diziam: ‘Gostamos disso’. Depois desenvolvíamos a ideia. Hoje continua exatamente igual. Eu toco alguma coisa, penso: ‘Gostei desse riff’, guardo a ideia e começo a construir a música. Sempre foi assim.”
Por fim, Iommi comentou a possibilidade de levar o novo projeto aos palcos.
“Pode acontecer. No momento não existem planos, mas minha vida nunca foi muito planejada. As coisas simplesmente acontecem. Já fiz várias coisas que nunca imaginei que faria.”
Novo álbum mantém grande expectativa entre os fãs
Na última entrevista concedida à Rolling Stone, Tony Iommi revelou diversos detalhes de “From The Dark”, incluindo a escolha de Jorn Lande como vocalista principal, a participação da baixista Becky Baldwin e do baterista Karl Brazil. Além disso, explicou sua tentativa de contar com Geezer Butler, cujo qual não pôde participar devido aos próprios compromissos. O lendário guitarrista também afirmou que todas as composições do álbum nasceram de riffs inéditos, reforçando que prefere criar material novo em vez de recorrer a ideias antigas. Com tantas informações já reveladas e o lançamento marcado para outubro, a expectativa permanece bastante alta. Principalmente para aquele que será apenas o terceiro álbum solo de um dos maiores pioneiros da história do Heavy Metal.