Tommy Lee relembra disputa com Mick Mars e admite: “Foi algo doloroso e constrangedor”

A longa batalha judicial entre Mötley Crüe e seu guitarrista fundador Mick Mars voltou ao centro das atenções. Durante participação no podcast “The Magnificent Others”, apresentado por Billy Corgan, o baterista Tommy Lee refletiu sobre o rompimento com o antigo companheiro de banda. Ademais, classificou toda a situação como “constrangedora” e “muito dolorosa”. O músico também comentou a chegada de John 5 ao grupo e fez questão de demonstrar respeito pela trajetória de Mars, apesar dos desentendimentos.
A disputa começou após Mick Mars, que convive com Espondilite Anquilosante, anunciar sua aposentadoria das turnês do Mötley Crüe em 2022 por causa do agravamento de seu estado de saúde. Embora tenha afirmado que permaneceria como integrante da banda, o guitarrista entrou com um processo contra os antigos colegas poucos meses depois. Na ocasião, alegou tentativa de removê-lo da participação societária do grupo. Em janeiro deste ano, o Mötley Crüe informou ter obtido uma vitória definitiva na arbitragem, com todas as reivindicações de Mars rejeitadas.
Admiração a Mars e chegada de John 5
Ao relembrar o episódio, Tommy Lee não escondeu o desconforto que viveu durante todo o processo.
“Para mim, toda aquela situação foi constrangedora e realmente muito dolorosa, a ponto de pessoas dizerem coisas que não eram verdade, e eu ficava pensando: ‘Meu Deus, isso é horrível’. Eu não gosto desse tipo de coisa. É como: por que simplesmente não podemos seguir cada um o seu caminho? Você faz a sua parte, nós fazemos a nossa, e está tudo bem. Essa parte foi muito ruim. Acho que é como um divórcio. É horrível em qualquer situação. Mas só existe um Mick, e ele é um guitarrista insano. Fico triste, em um nível pessoal, por ele, porque essa terrível doença nos ossos e na coluna foi mudando lentamente sua postura. Ele começou a ficar cada vez mais curvado. Ainda bem que foi para frente e não para trás. Pelo menos assim ele conseguia olhar para o braço da guitarra. Ele sofreu muita dor, e ver tudo aquilo de perto foi difícil. Acho que isso, somado à idade, acabou cobrando um preço. Chegou um momento em que ele veio até nós e disse: ‘Eu não quero mais fazer isso. Eu não consigo’.”
Na sequência, o baterista reforçou que nunca deixou de admirar o antigo parceiro.
“Eu sempre tento me colocar no lugar do Mick, e só sinto carinho por aquele cara, nada além de carinho. Só gostaria que tudo isso não tivesse chegado a esse ponto. Infelizmente, às vezes é assim que as coisas acontecem. Quando as pessoas se sentem ameaçadas ou machucadas, elas reagem. Mas está tudo bem.”

Durante a entrevista, Tommy Lee também comentou como a chegada de John 5 mudou a dinâmica do Mötley Crüe. Principalmente após os últimos anos de dificuldades enfrentadas por Mick Mars nos palcos.
“Tenho que dar os devidos créditos ao John 5, porque a entrada dele foi exatamente a injeção de adrenalina, vida, energia e fogo que estávamos precisando. A situação realmente estava ficando complicada. Na ‘The Stadium Tour’ de 2022, eu contava a entrada de ‘Live Wire’ e o Mick começava a tocar ‘Wild Side’. Ele começou a não saber mais em que música estava. Era um desastre. Já precisei parar músicas no meio e dizer: ‘Cara, precisamos recomeçar, porque ele está tocando outra música e nem percebeu’. Era algo que nos deixava sem reação.”
Por fim, o baterista ainda fez questão de elogiar o substituto.
“John 5 é fã do Mötley Crüe há muito tempo. Ele conhece todas as músicas de trás para frente e ama o Mick. Para mim, não importa o quanto alguém seja talentoso; se for um babaca, não tenho muito respeito. Mas, quando a pessoa é extremamente talentosa e ainda por cima é um cara incrível, como o John, ela se torna uma das minhas favoritas.”
Uma história marcante para o Hard Rock
Poucas bandas exerceram, decerto, tanta influência sobre o Hard Rock quanto o Mötley Crüe, e Tommy Lee sempre foi uma das peças centrais dessa trajetória. Ao mesmo tempo, Mick Mars ajudou a construir a identidade sonora do grupo com riffs e solos que marcaram gerações, antes de enfrentar anos difíceis por causa da Espondilite Anquilosante, doença que afetou progressivamente sua mobilidade e sua capacidade de se apresentar ao vivo. Independentemente do desfecho jurídico, fica a expectativa de que o guitarrista consiga preservar sua saúde e que, acima de tudo, consiga seguir aproveitando a música da forma que lhe for possível.
