Tommy Karevik admite peso de substituir Roy Khan e diz que finalmente sente o Kamelot como sua banda

Assumir os vocais de uma banda consolidada já representa um desafio considerável. Fazer isso no lugar de um cantor que ajudou a definir a identidade do grupo e permanece profundamente querido pelos fãs torna a situação ainda mais delicada. Tommy Karevik conhece bem esse peso. Quatorze anos depois de entrar no Kamelot para suceder Roy Khan, o vocalista sueco afirma que finalmente sente que encontrou seu próprio espaço dentro da banda.
Em nova entrevista ao Ethereal Metal, Karevik falou abertamente sobre a responsabilidade de ocupar uma posição anteriormente associada a um dos vocalistas mais celebrados do Power Metal e Metal Sinfônico. O músico reconheceu que não existia maneira de entrar naquela situação completamente tranquilo.
“Eu estaria mentindo se dissesse que não fiquei nervoso no começo.”
A preocupação fazia sentido. Roy Khan não havia sido apenas o cantor do Kamelot. Durante sua passagem pela banda, o norueguês participou diretamente da construção de uma identidade que atingiu seu auge comercial e artístico em discos como The Fourth Legacy, Karma, Epica, The Black Halo e Ghost Opera.
Portanto, quando Karevik chegou em 2012, não assumiu simplesmente uma vaga disponível. Ele entrou em uma banda cuja imagem, composição e interpretação vocal permaneciam fortemente associadas ao antecessor.

Tommy Karevik não queria simplesmente imitar Roy Khan
Desde o início, porém, Karevik tentou evitar a ideia de que sua função seria simplesmente reproduzir aquilo que Roy Khan fazia.
O vocalista participou da criação de melodias e letras desde seu primeiro álbum com o grupo, Silverthorn, trabalhando ao lado de nomes como Sascha Paeth e Oliver Palotai. Ainda assim, a construção de uma identidade própria exigiria tempo.
A comparação com Khan era inevitável — e em determinados momentos até desejável. Afinal, o Kamelot precisava preservar parte da personalidade musical que conquistara seu público.
Ao mesmo tempo, Karevik carregava uma história própria. Antes de assumir o posto, já havia mostrado sua capacidade no Seventh Wonder, onde desenvolveu uma abordagem vocal bastante diferente e construiu uma identidade muito mais pessoal.
No Kamelot, entretanto, esse processo aconteceu gradualmente.
Silverthorn, lançado em 2012, apresentou a nova formação. Depois vieram Haven (2015) e The Shadow Theory (2018), trabalhos nos quais o vocalista continuou se estabelecendo dentro da estrutura criativa do grupo.
Foi somente alguns anos depois que ele começou a perceber uma mudança mais profunda.
“Agora parece a minha banda”
Segundo Karevik, o ponto de transformação aconteceu principalmente durante a criação de The Awakening, lançado em 2023.
O cantor passou a ocupar mais espaço dentro do processo criativo e sentiu maior liberdade para explorar suas próprias características. Essa evolução continua agora em Dark Asylum, novo álbum do Kamelot, que chega em 28 de agosto pela Napalm Records.
“Agora parece a minha banda, com certeza, já há alguns álbuns.”
A frase não representa uma tentativa de apagar o passado de Roy Khan. Pelo contrário: Karevik sempre tratou publicamente a fase anterior com respeito e reconheceu a importância do norueguês para a história do grupo.
O que mudou foi sua própria relação com o presente.
Depois de cinco álbuns de estúdio — Silverthorn, Haven, The Shadow Theory, The Awakening e agora Dark Asylum — o sueco deixou de se enxergar apenas como o músico que entrou para ocupar uma posição histórica.
Ele se tornou parte da própria identidade contemporânea do Kamelot.
The Awakening parece ter sido a virada

A percepção de Karevik coincide curiosamente com aquilo que parte dos fãs e da crítica já havia identificado em The Awakening.
Na resenha publicada pelo Mundo Metal em 2023, o álbum apareceu justamente como um momento em que o vocalista parecia finalmente encontrar maior liberdade dentro da banda. O disco preservava características da era Roy Khan, mas permitia que Karevik colocasse mais de sua personalidade nas interpretações.
Isso não eliminou as comparações. Algumas músicas continuavam explorando regiões melódicas e dramáticas imediatamente associadas à fase clássica do grupo.
Porém, a diferença estava no controle.
Em vez de simplesmente adaptar sua voz a um molde anterior, Karevik começou progressivamente a participar da criação desse próprio molde.
Dark Asylum amplia esse espaço
Esse caminho deve ficar ainda mais evidente em Dark Asylum.
O 14º álbum do Kamelot trabalha dentro de um universo neo-vitoriano centrado no fictício RavenHill Asylum, explorando temas relacionados a identidade, memória, tormento psicológico, medo, esperança e redenção.
O projeto também expande o lado cinematográfico da banda e traz participações de Tobias Sammet, Clémentine Delauney, Ignacia Fernández, além de outros convidados.
Para Karevik, entretanto, existe algo particularmente significativo acontecendo por trás desse conceito.
Quatorze anos depois de entrar em uma banda cuja história parecia inseparável de outro vocalista, ele não precisa mais pensar constantemente em como ocupar o lugar deixado por Roy Khan.
O posto continua carregando uma enorme herança.
Mas, depois de cinco discos e mais de uma década de carreira, Tommy Karevik finalmente considera aquele espaço também seu.
