Tom Gabriel Fisher comenta os vinte anos de “Monotheist” do Celtic Frost

Tom Gabriel Fisher comenta os vinte anos de "Monotheist" do Celtic Frost
reprodução / Facebook

Em 29 de maio de 2006, o Celtic Frost lançou “Monotheist”, o primeiro e o último registro da banda desde o anúncio da reunião do grupo em 2001. Já se foram vinte anos desde o lançamento do disco que acabou se tornando um preferidos de muitos fãs do Celtic Frost, além de apresentar a banda a uma nova geração de fãs. “Monotheist” contou o guitarrista e principal compositor Tom Gabriel Fischer, o baixista Martin Eric Ain e o baterista Franco Sesa. Infelizmente, a banda anunciou a sua dissolução dois anos depois.

Em uma nova entrevista concedida à revista Decibel, Tom Gabriel Fisher falou sobre os vinte anos de “Monotheist” e sobre o porquê este álbum é importante para ele:

“Vou fazer 63 anos neste verão. Nessa idade, você se depara com essa sensação com frequência. O Triptykon está junto há mais tempo que o Celtic Frost. Então, esses 20 anos são uma daquelas experiências alucinantes que você tem se sobreviver até se tornar um músico idoso. A única razão pela qual consigo vivenciar isso é a generosidade do público. Isso é o mais surpreendente, e sou grato por isso. Para mim, pessoalmente, Monotheist é extremamente importante. Sou responsável pela grande falha do Celtic Frost: Cold Lake. Mas essa também é a razão pela qual eu queria compensá-la. Todos nós precisávamos provar a nós mesmos que ainda podíamos soar como Celtic Frost.”

Falando sobre os motivos que fizeram com que Tom e Martin decidissem retornar com o Celtic Frost, ele disse:

“Nos filmes, tudo é preto e branco, mas a vida real é mais complexa. Tudo é resultado de um processo de pensamento. O Celtic Frost se dissolveu em abril de 1993, mas já tínhamos perdido o rumo anos antes. As últimas encarnações do Celtic Frost não tinham nada a ver com o espírito original. Sabíamos disso, mas mesmo assim continuamos. A banda se dissolveu porque o conceito do Celtic Frost havia chegado ao fim.

Martin e eu nos encontramos ao longo dos anos 90 e conversamos sobre nosso passado, presente e influências. Isso nos ajudou a amadurecer como músicos. Em 1999, a Noise Records me pediu para supervisionar os relançamentos do Celtic Frost, o que fiz em Berlim. Remasterizei os discos e vasculhei meu arquivo de fotos. Isso me fez reavaliar a história do Celtic Frost. Martin também participou. Essas etapas nos ajudaram a nos reaproximar musicalmente e a conversar sobre como o Celtic Frost deveria ter continuado. O passo final foi assistir à turnê de reunião do Roxy Music em 2000. Fui a três shows e fiquei impressionado com a qualidade das músicas. Disse a Martin: “Se o Roxy Music consegue fazer isso, nós também conseguimos”. Martin concordou, então começamos em 2001.”

Sobre as contribuições do saudoso Martin como compositor em “Monotheist”, Tom comentou:

“Martin quase não compôs música até Monotheist. Ele atuava numa plataforma ideológica, e eu numa plataforma musical. Mas nunca separamos as duas coisas. Para nós, a música sempre esteve ligada à ideologia. Não consigo imaginar nenhuma das primeiras músicas do Celtic Frost sem nós dois.”

Ainda sobre o papel de Martin como compositor e colaborador em “Monotheist” ele declarou:

“Eu estava esperando por isso há anos. Insisti para que Martin compusesse músicas desde o início do Hellhammer. Ele tinha letras e ideias fenomenais, mas não tinha músicas finalizadas. Nos anos 90, saímos para jantar e ele me disse que sempre se sentia inferior e intimidado. Eu disse a ele que sempre esperava que ele compusesse músicas e que acreditava nele. Quando nos reunimos novamente em 2001 e ele já tinha algumas músicas, fiquei feliz que a porta finalmente se abriu.

Martin trouxe alguns fragmentos para “Mesmerized” durante a gravação de Into The Pandemonium. Com Monotheist, ele chegou com algumas músicas finalizadas. Adoro a música “Ain Elohim” — ela é extremamente poderosa. Eu só co-escrevi uma pequena parte dela. Nós apenas a aprimoramos um pouco. Martin e eu escrevemos “Synagoga Satanae”. Foi 50/50.

Nunca teríamos conseguido fazer essa colaboração no início da banda. É uma das músicas mais importantes da história da banda. A música tem um som pesado e sombrio, com uma sonoridade complexa. Ela demonstra do que o Celtic Frost em sua fase madura era capaz. Eu escrevi a estrutura básica da música, e Martin pegou meus riffs e contribuiu igualmente com a composição. É uma colaboração completa.”

O entrevistador observou que uma nova geração de fãs descobriu a banda através de “Monotheist”. Tom comentou:

“Há pessoas da minha idade, quando eu estava no Hellhammer, que descobriram a banda através do Monotheist. Martin e eu não queríamos fazer algo pensado apenas para a nossa geração. Esperávamos que o álbum pudesse servir de ponte e, surpreendentemente, serviu. No show do Venom, alguém me disse que o Monotheist foi a porta de entrada para o Celtic Frost.”

Tom comentou sobre como o sentimento de comemorar os vinte anos de “Monotheist” sem Martin Ain, que faleceu em outubro de 2017:

“Essa é a parte agridoce da coisa. Estou satisfeito com o Monotheist como músico. Não sinto que perdi muita coisa musicalmente com o Triptykon. Mas eu adoraria ter gravado aqueles discos com o Martin Ain. Nunca será a mesma coisa sem ele. Quem sabe o que teria acontecido se ele não tivesse falecido? Nós ainda conversávamos sobre compor músicas novamente. Victor [Santura, guitarrista do Triptykon] e eu sempre falávamos sobre envolver o Martin de alguma forma. É uma lacuna que não pode ser preenchida. Sinto falta do Martin todos os dias. Não importa o tamanho do público, sempre penso que deveria estar fazendo isso com o Martin.”

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