Tobias Forge resgata o Repugnant e recria “Premature Burial” com Erik Danielsson, do Watain

Muito antes de transformar o Ghost em uma das maiores bandas de Rock/Metal da atualidade, Tobias Forge comandava uma banda de Death Metal old school chamada Repugnant. Agora, mais de duas décadas depois, o músico voltou a mexer nesse passado.
O Repugnant reapareceu com uma nova gravação de “Premature Burial”, música originalmente registrada no começo dos anos 2000. A versão foi criada especialmente para “V/H/S/Mixtape”, nono filme da franquia de terror V/H/S, disponibilizado pelo Shudder em 9 de outubro.
A grande diferença está nos vocais. Forge, que originalmente cantava no Repugnant sob o pseudônimo Mary Goore, desta vez ficou apenas na guitarra. Quem assumiu o microfone foi Erik Danielsson, líder do Watain e amigo de longa data do músico.

Antigos integrantes voltaram para a gravação
Não se trata apenas de Tobias utilizando o nome Repugnant com músicos completamente diferentes.
A nova formação registrada nos créditos traz:
- Erik Danielsson — vocais
- Tobias Forge — guitarra
- Gottfrid Åhman — guitarra
- Gustaf Lindström — baixo
- Thomas Daun — bateria
Åhman, Lindström e Daun já fizeram parte de diferentes encarnações do Repugnant. Gustaf Lindström também possui uma curiosidade adicional em sua trajetória: participou de uma formação inicial do próprio Ghost.
O resultado representa o primeiro novo registro de estúdio associado ao Repugnant em aproximadamente duas décadas, embora seja importante destacar que “Premature Burial” não é uma composição inédita.
Tobias Forge também dirigiu o videoclipe
Forge assumiu ainda outra função no projeto.
O músico dirigiu o videoclipe de “Premature Burial”, integrado diretamente à estrutura de “V/H/S/Mixtape”. No anúncio oficial do longa, o Shudder chegou a apresentar Tobias como “debut filmmaker”, indicando sua estreia formal como diretor dentro desse formato cinematográfico.
O filme inteiro gira em torno da relação entre música, som e terror, reunindo segmentos dirigidos por nomes como RZA, Flying Lotus, Ernest Dickerson, David Moreau e Renee Zhan.
O GWAR também aparece no longa, funcionando como parte do conceito que transforma a antologia numa espécie de programação musical saída do inferno.
Repugnant foi a grande obsessão de Forge antes do Ghost
Tobias fundou o Repugnant em 1998, em Estocolmo, buscando reproduzir a abordagem crua do Death Metal sueco dos anos 1980 e início dos 1990.
A banda lançou demos, singles e EPs, mas acabou encerrando atividades em 2004 sem conseguir concretizar a carreira que Forge imaginava.
Seu único álbum completo, “Epitome Of Darkness”, havia sido gravado anteriormente, mas só chegou ao público em 2006, quando a banda já não existia. Com o passar dos anos, o trabalho acabou ganhando status cult dentro do underground.
Forge chegou a reativar brevemente o Repugnant no começo da década de 2010, antes de abandonar novamente o projeto conforme o Ghost crescia.
Curiosamente, o músico já admitiu várias vezes que gostaria de ter levado aquela banda muito mais longe.
“Eu queria que fôssemos contratados pela Roadrunner e abríssemos para o Slayer.”
Segundo Tobias, porém, o Death Metal oitentista que ele queria tocar estava completamente fora de moda no final dos anos 1990, e sua própria falta de maturidade também contribuiu para o fracasso do projeto.
E justamente agora surgem rumores sobre mais Death Metal
O retorno do nome Repugnant chama ainda mais atenção pelo momento em que acontece.
O Ghost encontra-se atualmente em pausa após o fim do ciclo de “Skeletá”, e Forge já revelou que está gravando material que não pertence ao Ghost.
Nos últimos meses, também surgiram informações apontando que ele estaria trabalhando novamente com Death Metal. Isso naturalmente alimentou especulações sobre uma possível continuidade do Repugnant.
Por enquanto, porém, é preciso separar informação de expectativa. Não existe anúncio de novo álbum do Repugnant, não existe turnê anunciada e nenhuma reunião foi confirmada.
O que existe concretamente é uma nova gravação de “Premature Burial”, antigos integrantes novamente reunidos, Erik Danielsson assumindo os vocais e Tobias Forge voltando a tocar a música que fazia antes de existirem Papas, Nameless Ghouls e arenas lotadas.
Se isso é apenas uma homenagem ao passado ou o primeiro sinal de algo maior, ainda não sabemos. Mas, por alguns minutos, Mary Goore saiu novamente da tumba.

