Tim “Ripper” Owens: “Entrei para o Judas Priest no pior momento possível para o Heavy Metal”

Tim "Ripper" Owens (K.K's Priest) / Reprodução

O vocalista Tim “Ripper” Owens é o típico cantor qualificado, mas que teve a árdua tarefa de substituir uma das lendas do Heavy Metal, fazendo parte de um dos nomes mais impactantes e tradicionais do estilo. Porém, o desafio foi ainda maior por conta de outros aspectos.

Em entrevista para a Radio Futuro, do Chile, o ex-vocalista do Judas Priest relembrou sua passagem pela lendária banda inglesa de Heavy Metal. Sendo integrante oficial, o cantor norte-americano gravou dois álbuns de estúdio — “Jugulator” (1997) e “Demolition” (2001) — antes do retorno de Rob Halford ao posto de vocalista.

Ao comentar a mudança radical no cenário musical provocada pelo sucesso do álbum “Nevermind” (1991), do Nirvana, que impulsionou o movimento grunge de Seattle e reduziu o espaço do Heavy Metal tradicional, Owens reconheceu que ingressou no Judas Priest justamente no período mais desfavorável para o gênero.

“Foi uma época muito difícil, não foi? Eu não poderia ter entrado para o Judas Priest em um momento pior para o Heavy Metal. A situação era realmente complicada. Curiosamente, quando deixei a banda e o Rob voltou, o Metal também começou a se recuperar. As grandes turnês retornaram e tudo voltou a crescer. Naquele momento, o Judas Priest precisava do Rob de volta. Acho que o retorno dele, assim como a volta de Bruce Dickinson ao Iron Maiden, ajudou a impulsionar uma nova fase para o Heavy Metal. Isso trouxe um novo fôlego ao gênero. Mesmo assim, vivi um período muito complicado dentro da banda.”

Apesar das dificuldades enfrentadas pelo estilo naquela época, Owens acredita que “Jugulator” desempenhou um papel importante na trajetória da banda.

“Acho que aquele disco foi importante porque continuamos fazendo um verdadeiro álbum de Heavy Metal. O Judas Priest sempre apresentou diferenças entre um trabalho e outro. Hoje, eles lançam discos mais tradicionais e já não experimentam tanto. Antigamente, porém, eles gostavam de explorar novas ideias, e foi justamente isso que me fez me apaixonar pela banda. Por isso considero aquele álbum tão importante.”

Tim “Ripper”Owens e seu atual desafio: KK’s Priest

Na mesma entrevista, Ripper também comentou a atual fase do KK’s Priest, banda liderada pelo guitarrista “K.K.” Downing (ex-Judas Priest). A banda ainda reúne o guitarrista A.J. Mills (Hostile), o baixista Tony Newton (Voodoo Six) e o baterista Sean Elg (Deathriders, Cage).

“Nós temos uma turnê de dois meses marcada para setembro e outubro pelos Estados Unidos ao lado do W.A.S.P.. Serão cerca de 45 shows. Para ser sincero, será uma agenda bastante pesada. Espero conseguir sobreviver a tudo isso. Ainda assim, estou muito animado. Também será ótimo assistir ao W.A.S.P. todas as noites e conviver com todos eles.”

Em seguida, o vocalista elogiou o trabalho feito pelo KK’s Priest.

“O material do KK’s Priest é simplesmente fantástico. Existe um motivo para o K.K. e o Glenn Tipton terem influenciado tantos guitarristas ao longo da história. O K.K., em especial, ajudou a moldar a forma de tocar de inúmeros músicos do Heavy Metal e até de outros estilos. Isso fica evidente nos discos do KK’s Priest. As composições são excelentes, os álbuns são muito fortes e os shows também. No palco, temos muita energia e executamos as músicas da maneira como elas devem ser tocadas e cantadas — ou, pelo menos, vou fazer o meu melhor na próxima turnê. É uma banda incrível. O K.K. continua extraordinário, assim como o A.J. e o Sean. Além de grandes músicos, todos são grandes amigos. O K.K. é um dos pioneiros do Heavy Metal, e isso aparece claramente em tudo o que faz com o KK’s Priest.”

Lançado pela Warner Bros. em 2001, o filme “Rock Star”, estrelado por Mark Wahlberg, foi parcialmente inspirado na trajetória de Tim Owens. Antes de assumir os vocais do Judas Priest, o cantor liderava a banda tributo British Steel, dedicada ao repertório da banda britânica.

Owens entrou para o JUDAS PRIEST em 1996 depois que o baterista Scott Travis recebeu uma fita de vídeo mostrando sua performance com a BRITISH STEEL. A apresentação impressionou os integrantes da banda e abriu as portas para que ele substituísse Rob Halford.

Anos depois, K.K. Downing fundou o KK’s Priest após o Judas Priest recusar sua proposta de retornar à formação para a turnê comemorativa dos 50 anos da banda.

Os álbuns “Jugulator” e “Demolition”, gravados durante a passagem de Owens pelo grupo, integram o box “50 Heavy Metal Years Of Music”. Trata-se de uma edição limitada lançada em outubro de 2021. A coleção reúne todos os álbuns oficiais de estúdio e ao vivo do Judas Priest, além de 13 discos com material inédito. Portanto, representando o mais abrangente lançamento de arquivos da história da banda.

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