Sweet Savage prepara material inédito com Vivian Campbell pela primeira vez em quase 45 anos

A história da Sweet Savage ganhará um novo capítulo em 2027. O vocalista e baixista Ray Haller revelou ao site Eonmusic que o guitarrista Vivian Campbell voltou a trabalhar com seus antigos companheiros de banda para gravar músicas inéditas, algo que não acontecia desde sua saída do grupo, em 1982.
A declaração foi feita nos bastidores do Download Festival, onde Haller confirmou que Campbell já registrou duas composições inéditas ao lado dos pioneiros do Heavy Metal de Belfast. Trata-se da primeira participação do guitarrista em estúdio com a Sweet Savage em quase 45 anos. Estamos falando inegavelmente de um reencontro que resgata uma das formações mais importantes da trajetória da banda.
Projeto surgiu durante organização de material de arquivo
Segundo Ray Haller, a ideia nasceu enquanto a banda trabalhava em um extenso projeto de arquivo envolvendo gravações raras e inéditas dos anos 1980. O lançamento contará com material histórico da fase clássica da Sweet Savage, período que ajudou a consolidar o grupo como um dos nomes mais respeitados da New Wave Of British Heavy Metal.
Em entrevista ao Eonmusic, Haller explicou como a iniciativa evoluiu para algo maior:
“A Universal quer lançar todo o material antigo, então vamos fazer isso. Passamos por todas essas fitas e gravações dos anos 80. Então eu e o Viv tivemos a ideia: ‘Por que não fazemos duas músicas novas?’ Gravamos duas faixas inéditas e elas estão prontas para o rock and roll.”
A participação de Vivian Campbell vai além de uma simples colaboração. O músico continua mantendo uma amizade próxima com Haller e se envolveu diretamente na concepção desse lançamento retrospectivo, que reunirá registros raros da formação original da banda.
Lançamento foi adiado para 2027
Inicialmente, o projeto estava previsto para chegar ao público ainda este ano. Entretanto, a agenda extremamente ocupada de Campbell com o Def Leppard levou os músicos a reconsiderarem o cronograma.
De acordo com Haller, a falta de disponibilidade para promover adequadamente o material pesou na decisão de adiar o lançamento para o início de 2027.
“Achamos que seria mais vantajoso segurar o lançamento até o começo do próximo ano. As duas músicas novas são absolutamente incríveis. É o Viv, e é o Viv que nós conhecemos.”
A declaração aumenta ainda mais a expectativa dos fãs, especialmente porque Campbell não apenas participou das gravações, mas também teria recuperado o estilo que o tornou uma das grandes promessas da cena britânica no início dos anos 1980.
O retorno de um dos fundadores
A notícia representa um verdadeiro retorno às origens para a Sweet Savage. Vivian Campbell ajudou a fundar a banda ao lado de Ray Haller ainda na adolescência. Embora tenha permanecido no grupo por apenas três anos, entre 1979 e 1982, sua contribuição foi fundamental para moldar a identidade sonora da formação original.
Pouco depois de deixar a banda, Campbell iniciou uma trajetória internacional de enorme sucesso ao integrar nomes como Dio, Whitesnake e posteriormente o Def Leppard, onde permanece até hoje.
Mesmo após sua saída, a ligação com a Sweet Savage nunca desapareceu completamente. Em fevereiro de 2011, por exemplo, o guitarrista voltou a dividir o palco com seus antigos colegas pela primeira vez em três décadas durante apresentações de abertura para o Thin Lizzy em Belfast e Dublin, quando executou o clássico “Killing Time”.
A influência da Sweet Savage sobre o Metallica
A relevância da Sweet Savage para a história do Heavy Metal ganhou dimensão internacional graças ao Metallica. Em 1991, o grupo liderado por James Hetfield gravou uma versão de “Killing Time” como lado B do single “The Unforgiven”. Posteriormente, a música também apareceu na coletânea de covers “Garage Inc.”, ampliando significativamente a exposição da banda irlandesa.
O reconhecimento sempre foi valorizado por Campbell. Em entrevista concedida em 2018 ao programa The Metal Bar, o guitarrista comentou o impacto da homenagem:
“Foi incrivelmente lisonjeiro quando isso aconteceu. Acho que existiam muitas semelhanças muito fortes entre a Sweet Savage e o Metallica.”
Na mesma conversa, ele relembrou os primeiros anos da banda e a convivência com o falecido Trevor Fleming, um dos fundadores do grupo:
“Formei a Sweet Savage com um amigo meu que infelizmente já faleceu, Trevor Fleming, quando eu tinha 15 anos. Estávamos em Belfast, na Irlanda do Norte, nos anos 70, e era um ambiente muito difícil, mas mergulhamos de cabeça na música.”
Campbell ainda refletiu sobre a curiosa trajetória de composições criadas na adolescência que continuaram gerando frutos décadas depois:
“É engraçado quando você tem 15 ou 16 anos, escreve um riff, se reúne com seus amigos e aquilo vira uma música. Então, 25 anos depois, você recebe um cheque de royalties por ela. A vida funciona de maneiras curiosas às vezes.”
Momento positivo para a banda
O anúncio acontece em um período particularmente movimentado para a Sweet Savage. Além de preparar essa coletânea retrospectiva, o grupo vem colhendo os frutos da boa recepção de “Bang”, álbum lançado em 2025 e bastante elogiado pelos fãs da formação clássica.
Agora, com duas músicas inéditas gravadas por Vivian Campbell e Ray Haller, a expectativa gira em torno de um lançamento que promete reunir passado e presente de uma das bandas mais influentes da geração que ajudou a moldar a New Wave Of British Heavy Metal. Para muitos admiradores, será a primeira oportunidade em décadas de ouvir novos trabalhos de estúdio da dupla responsável pelos primeiros passos da Sweet Savage.