Soundgarden trabalha na finalização do álbum final com gravações inéditas de Chris Cornell: “É muito importante para nós”

A história do Soundgarden se mistura diretamente com a ascensão do Grunge nos anos 1990, mas a influência de Chris Cornell ultrapassou qualquer rótulo. Dono de uma das vozes mais impressionantes do rock, o cantor marcou gerações com sua potência vocal, alcance técnico e capacidade de transitar entre agressividade e melancolia com naturalidade rara. Ao lado de bandas como Pearl Jam, Alice In Chains e Nirvana, o músico ajudou a transformar Seattle no epicentro do rock mundial.
A morte prematura de Chris Cornell, em maio de 2017, abalou profundamente o universo da música. O vocalista foi encontrado morto em um hotel de Detroit após uma apresentação do Soundgarden no Fox Theatre. As autoridades classificaram a morte como suicídio. Desde então, fãs e integrantes da banda passaram a conviver com a expectativa — e também com a incerteza — sobre o futuro das gravações inéditas deixadas pelo cantor.
O último álbum do Soundgarden finalmente ganha forma
Agora, quase uma década depois, o projeto do álbum final do Soundgarden voltou a avançar. Em entrevista recente ao LifeMinute, o guitarrista Kim Thayil revelou que ele, o baterista Matt Cameron e o baixista Ben Shepherd continuam trabalhando nas músicas gravadas com Chris Cornell antes de sua morte.
O trio atua ao lado do produtor Terry Date, nome histórico da discografia da banda e responsável por clássicos como “Louder Than Love” e “Badmotorfinger”. Segundo Thayil, parte desse material existe há mais de dez anos.
“Esse material existe há mais de 10 anos em alguns casos, 14 ou 15 anos. Estava em vários estágios de composição, compartilhamento, aprendizado e gravação”, explicou o guitarrista.
Ele comparou as demos a “esboços” que agora precisam ser finalizados:
“Você começa com um pequeno desenho a lápis e depois preenche com tinta, óleo ou pastel. É isso que precisamos fazer agora: terminar esses esboços.”

Kim Thayil explica por que o disco tem peso emocional enorme
Durante a conversa, Kim Thayil deixou claro que o álbum carrega um significado emocional gigantesco para os integrantes remanescentes do Soundgarden.
“É muito, muito importante para todos nós. É importante para o legado do Soundgarden. É importante para o legado de Chris Cornell. É fazer justiça ao nosso trabalho coletivo. É fazer justiça ao nosso parceiro e amigo.”
O guitarrista também explicou que o processo acontece sem pressão de gravadora ou cronogramas rígidos. Por isso, as sessões dependem da disponibilidade de cada integrante entre compromissos profissionais e familiares.
Músicas inéditas podem mostrar “um novo capítulo” da banda
As declarações mais recentes de Matt Cameron indicam que o disco poderá surpreender até mesmo os fãs mais antigos do grupo. Segundo o baterista, algumas faixas apontam para uma direção inédita dentro da sonoridade do Soundgarden.
“Há elementos muito familiares nessas músicas, mas algumas parecem um novo capítulo”, afirmou.
O músico descreveu a experiência de ouvir novamente os vocais isolados de Chris Cornell como algo emocionalmente devastador:
“Às vezes é avassalador ouvir aquilo. Mas estou muito orgulhoso da música que criamos.”
Entre as faixas já confirmadas está “The Road Less Traveled”, composição criada por Matt Cameron e desenvolvida por Cornell a partir de demos trocadas entre os integrantes entre 2015 e 2016. Cameron afirmou que a música mistura características clássicas do Soundgarden com novos elementos sonoros, transitando entre hard rock, psicodelia, blues e folk.
Além dela, outras músicas conhecidas incluem “Cancer”, “Stone Age Mind”, “Orphans”, “Ahead Of The Dog”, “At Ophians Door” e “Merrmas”.

Terry Date volta ao Soundgarden após décadas
Outro ponto importante destacado por Kim Thayil envolve o retorno do produtor Terry Date. O guitarrista elogiou a forma colaborativa do produtor trabalhar, ressaltando que ele nunca tenta impor uma identidade própria às bandas.
“Ele ajuda a banda a soar como ela mesma”, comentou Thayil.
O baixista Ben Shepherd também revelou que ficou impressionado ao ouvir as novas versões das músicas já trabalhadas pelo grupo:
“Quando ouvi aquilo tocando no estúdio pensei: ‘Meu Deus, isso é Soundgarden’. Foi incrível ouvir aquilo novamente.”
Disputas judiciais atrasaram o lançamento do álbum
O caminho até esse disco, no entanto, foi turbulento. Após a morte de Chris Cornell, os integrantes do Soundgarden enfrentaram uma longa disputa judicial com Vicky Cornell, viúva do cantor, envolvendo os direitos das gravações inéditas e questões financeiras relacionadas ao espólio do músico.
Em 2023, ambas as partes anunciaram um acordo amigável fora dos tribunais, encerrando anos de conflitos que, segundo Kim Thayil, acabaram afetando emocionalmente o processo criativo.
“Você acaba pensando como teria sido trabalhar nisso seis ou sete anos atrás. Nunca vamos saber. Existe algo triste nisso, mas também existe algo bonito no fato de estarmos fazendo isso agora.”
Soundgarden vive momento simbólico após entrada no Rock Hall
O avanço no álbum acontece pouco tempo depois da entrada do Soundgarden no Rock And Roll Hall Of Fame em 2025. Na cerimônia, os integrantes remanescentes tocaram ao lado de convidadas como Taylor Momsen e Brandi Carlile, além de participações especiais de Mike McCready, do Pearl Jam, e Jerry Cantrell, do Alice In Chains.
Enquanto o disco segue em fase de conclusão, os integrantes evitam confirmar uma data de lançamento. Mesmo assim, todas as entrevistas recentes apontam para o mesmo cenário: o álbum realmente está acontecendo e representa a despedida definitiva de uma das bandas mais importantes da história do rock.
