Soilwork vive nova fase, e Björn “Speed” Strid explica por que ainda busca desafios ao compor

Após o lançamento de Övergivenheten, em 2022, o Soilwork atravessa um período de reconstrução criativa. A morte do guitarrista David Andersson, em setembro daquele ano, mudou naturalmente a dinâmica interna do grupo, que agora trabalha de maneira mais coletiva e conta com o reforço de Simon Johansson nas composições. Enquanto prepara o próximo álbum, a banda busca equilibrar o peso de sua fase dos anos 2000 com as atmosferas épicas desenvolvidas em trabalhos mais recentes.
O single “Spirit Of No Return”, lançado em 2024, já apontou parte dessa direção ao reunir elementos mais agressivos, melodias marcantes e uma pegada próxima das raízes do Soilwork. No entanto, para o vocalista Björn “Speed” Strid, a motivação para seguir criando não depende de repetir fórmulas que deram certo no passado. Trata-se de manter viva a vontade de descobrir algo novo a cada processo.
O impulso para não se repetir
Em entrevista ao Metal Madness Studios, Björn “Speed” Strid explicou que, mesmo depois de décadas, ainda precisa encontrar um motivo genuíno para começar uma composição:
“É sempre aquela sensação. Às vezes ela não vem diretamente e diz: ‘Ok, é muito empolgante fazer um novo álbum’. Às vezes, você precisa se forçar um pouco para fazer os motores funcionarem, mas, quando chega lá, é como: ‘Ah, aí está’. É como um velho amigo. Você retoma de onde parou. Talvez você não tenha falado com ele por 10 ou 15 anos — o que não é o caso do Soilwork, porque escrevemos música com bastante frequência, mas ainda assim… É uma sensação familiar, porém você também quer se desafiar todas as vezes. Você não quer recriar as coisas. Tipo: ‘Ah, isso soa como Natural Born Chaos. Certo, vamos jogar isso aí’. Nós nunca simplesmente fazemos as coisas no automático. Precisa haver substância e, hoje em dia, talvez algumas vezes seja necessário forçar um pouco para fazer o motor funcionar. Entretanto, assim que você faz isso, entra naquele lugar e explora novas coisas. Enquanto eu explorar novas possibilidades na minha voz, nas minhas melodias ou nas coisas que escrevo, vou continuar. E, quando chegar o dia em que isso não estiver mais lá, então é isso.”
A declaração ajuda a explicar por que o Soilwork não pretende transformar o próximo disco em um simples exercício de nostalgia. Embora Strid tenha citado o peso de álbuns como A Predator’s Portrait, Natural Born Chaos e Stabbing The Drama como referências, a intenção é outra. O músico pretende misturar essa força a uma abordagem atual, marcada por ambientações grandiosas e elementos de Verkligheten, A Whisp Of The Atlantic e Övergivenheten.
A conexão com os fãs sem perder a identidade
Questionado sobre o equilíbrio entre as expectativas do público e a necessidade de criar algo que o satisfaça artisticamente, Björn “Speed” Strid não se esquivou. Ele deixou claro que a composição precisa partir de uma conexão pessoal antes de alcançar a plateia:
“Esse equilíbrio é sempre interessante, mas você precisa começar por si mesmo. Precisa partir das coisas que você meio que… Sou uma pessoa muito visual. Quando escrevo algo, gosto das imagens que vejo na minha cabeça, e isso me deixa feliz ou me faz sentir conectado. É daí que precisa partir. Então, é claro, há momentos em que você pensa: ‘Isso vai funcionar muito bem ao vivo’, quando consegue ver as pessoas entrando na música. Você consegue ver os sorrisos delas. A conexão com o público é algo enorme. Isso não significa que você está se vendendo ou que está fazendo aquilo por eles. Porém, obviamente, esse é um dos maiores fatores: a conexão. Sem isso, qual é o maldito sentido?”
Com material suficiente para mais de um álbum, o Soilwork deve selecionar as faixas que melhor representem essa nova formação e gravar de maneira praticamente independente no estúdio de Simon Johansson. A proposta não aponta para um retorno calculado ao passado, mas para um disco que use a agressividade Metal como ponto de partida.