Slash explica significado de “Flying Blind” e revela como a banda conciliou agendas para gravar novo álbum

Créditos: Redes sociais do guitarrista

Slash, guitarrista do Guns N’ Roses, explicou o significado do título “Flying Blind”, próximo álbum do Slash Featuring Myles Kennedy & The Conspirators, previsto para 26 de fevereiro de 2027 pela Gibson Records. Em entrevista ao radialista LA Lloyd, do programa LA Lloyd Rock 30, o músico também comentou o processo de composição. Além disso, falou dos desafios de reunir integrantes com agendas ocupadas e a decisão de preservar as imperfeições das gravações. O disco terá 12 faixas e foi registrado principalmente ao vivo no Studio Barbarosa, na Flórida, com produção de Michael “Elvis” Baskette.

Questionado se seu processo de composição mudou em relação aos álbuns anteriores do grupo, Slash explicou que não tenta seguir uma direção predeterminada. Porém, compõe continuamente e seleciona as ideias que considera boas o suficiente para compartilhar.

“Acho que o que acontece é que estou sempre compondo. Estou sempre inventando coisas e, se algo chama minha atenção e se torna algo que considero bom o suficiente para compartilhar com alguém, quanto mais com Myles, precisa ser algo de que eu realmente goste. Não é um esforço consciente para tentar avançar em alguma direção específica ou fazer algo determinado com o som, ou seja lá o que for. Não existe nada deliberado nisso; é simplesmente o que você acaba criando.”

“Mas acho que, à medida que você cresce como músico, conforme os dias, meses e anos passam, naturalmente começa a se inclinar para algo que não necessariamente fazia antes. Então, cada álbum é como mais uma etapa nessa jornada, nessa trajetória contínua. Por isso, sinto bastante confiança ao dizer que os discos do The Conspirators não soam repetitivos. Todos parecem estar progredindo de alguma forma. E, especialmente, este que estamos prestes a lançar tem uma identidade própria quando comparado ao anterior e aos que vieram antes. Então, estou bastante satisfeito por ele apresentar esse avanço natural.”

Como a banda conciliou as agendas

O guitarrista também falou sobre a dificuldade de gravar com integrantes envolvidos em outros projetos. Além de Slash e seu trabalho com o Guns N’ Roses, Myles Kennedy tem o Alter Bridge. Enquanto o baixista Todd Kerns e o baterista Brent Fitz participam de outras atividades. Já o guitarrista rítmico Frank Sidoris integra o Mammoth, e a agenda de todos exige planejamento antecipado.

“Olha… É preciso planejar tudo com bastante antecedência. Definitivamente, temos que nos organizar antes. Então, as pessoas ficam sabendo que o single será lançado e dizem: ‘Ah, esses caras estão juntos de novo’, mas tudo isso já foi planejado muito antes. Porque o que acontece é que tenho o Guns N’ Roses, Myles tem o Alter Bridge. Todd tem uma infinidade de coisas acontecendo — tanto ele quanto Brent. E Frank tem o Mammoth. Então, precisamos conciliar toda essa porra de compromissos e descobrir exatamente como vamos fazer as coisas.”

“A maneira como o disco foi feito foi assim: ‘Aqui está um período disponível. Todo mundo consegue ficar livre desta data até aquela?’. Então, você aproveita esse tempo. Uma das razões pelas quais o álbum soa como soa é que todo o material foi composto mais ou menos durante esse intervalo. Depois, foi assim: ‘Certo, o próximo período em que todos estarão na cidade será quando formos gravar’. Então, ficamos todos hospedados no estúdio do Elvis por algumas semanas e gravamos todas as faixas instrumentais — não os vocais.”

“Depois, surgiu outro período disponível: ‘Vamos gravar todos os vocais e fazer as overdubs’. Certo, agora temos uma ideia do resultado. Bem, o disco está pronto. Quando vamos lançá-lo? E precisei conversar com o Guns N’ Roses e dizer: ‘Olha, para 2027, preciso reservar este período’. Todos fizeram isso de certa forma, e chegamos a um acordo. Foi assim que organizamos a próxima turnê. Então, sim, há muita coisa acontecendo.”

Créditos: LA Lloyd

“Flying Blind” como metáfora para a banda

A faixa-título, primeiro single do álbum, surgiu de uma ideia instrumental espontânea de Slash, que inicialmente tocou com Todd Kerns e Brent Fitz. Depois de organizar uma estrutura preliminar, ele enviou a música a Myles Kennedy, responsável pela letra.

“Foi simplesmente uma peça musical que criei na hora e toquei inicialmente em uma jam com Todd e Brent. Depois, montei uma estrutura mais solta e a enviei para Myles. O conteúdo da letra é todo dele e reflete o que estava passando pela cabeça dele naquele momento. Então, é isso.”

“Mas é engraçado, porque, quando tudo estava pronto e tínhamos escrito o álbum inteiro, voltei a pensar naquela música e concluí que seria um ótimo título para o disco. Isso porque ela trata de uma coisa específica, mas também pode se referir a muitas outras. Na verdade, é uma ótima metáfora para esta banda.”

Gravação ao vivo e imperfeições preservadas

Slash também elogiou o trabalho de Michael “Elvis” Baskette. Do mesmo modo, explicou que pediu ao produtor duas coisas durante as sessões: gravar as músicas da maneira mais próxima possível de uma apresentação ao vivo e evitar polir excessivamente as performances.

“Bem, o Elvis foi ótimo. Quando o álbum foi masterizado, precisei ouvi-lo durante o processo de masterização e, depois disso, fiquei um tempo sem escutá-lo. Mas voltei a ouvi-lo pela primeira vez há alguns dias, e soa muito bem. O Elvis fez um trabalho incrível.

“Muita gente gosta de polir pra caralho os próprios discos, mas eu simplesmente não gosto disso. E foi o que disse a ele, porque queria que tomasse cuidado para não remover justamente aquela… Nós gravamos tudo ao vivo na sala de estar dele. Então, quero preservar as imperfeições. E ele fez um ótimo trabalho.”

O álbum também incluirá uma versão de “Feel Like Makin’ Love”, clássico do Bad Company. O grupo já havia gravado para a coletânea-tributo “Can’t Get Enough: A Tribute To Bad Company”, lançada em 2025. Slash confirmou a inclusão durante uma participação no programa Trunk Nation With Eddie Trunk, da SiriusXM, em 12 de outubro.

Turnê mundial começa pela América Latina

A turnê mundial de “Flying Blind” começará, a princípio, na América Latina em abril de 2027, antes de chegar à América do Norte em 23 de abril e seguir pelo Reino Unido e pela Europa. Entre as apresentações norte-americanas previstas estão duas noites no The Wiltern, em Los Angeles, além de shows no Beacon Theatre, em Nova York, no Ryman Auditorium, em Nashville, no Citizens House of Blues, em Boston, e no Fillmore Auditorium, em Denver.

O novo trabalho marca mais um capítulo da parceria iniciada no álbum solo homônimo de Slash, lançado em 2010, quando Myles Kennedy participou como um dos vários vocalistas convidados. A conexão musical entre os dois evoluiu para uma banda permanente, que já lançou discos como “World On Fire” (2014) e “Living The Dream” (2018), ambos também produzidos por Michael “Elvis” Baskette.

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