Silas Fernandes: “eu estou bem descrente do futuro da arte e da música de uma forma geral”

O guitarrista brasileiro Silas Fernandes, concedeu uma nova entrevista ao Ibagenscast, para falar sobre o seu mais novo álbum instrumental “Carbon Purge Acceleration”. O disco composto por seis faixas foi masterizado por Adair Daufenbach.
Questionado sobre o quanto o estado de coisas atuais, com tudo o que vem acontecendo no mundo — influenciou o seu novo álbum e se isso costuma influenciar o seu trabalho como um todo, Silas respondeu:
“Influencia muito. Influencia muito porque, imagina… eu sou um puta nerd. Eu gosto de ficção científica, eu coleciono estátua, enfim, gosto de fantasia, mas muito mais ficção científica, terror pra caralho. Então você está embebido nisso… o plus, esse caos que está acontecendo no planeta — muito ligado à tecnologia. Porque a minha opinião é que a tecnologia está linkada a lucro inescrupuloso, sem muita regra. E isso geralmente dá problema, né? Sempre deu, e agora vai dar mais porque está tudo muito mais rápido, enfim. Então influencia muito. A minha cabeça está sempre dentro desse assunto. Eu até tive que dar um tempo porque eu estava ficando muito estressado, sabe? Eu estava ficando meio deprê, tipo, eu dei um tempo de ver coisas de fcição científica que tem uma crítica mais social. Eu dei um tempo porque estava me fazendo mal, porque é de uma inquietude não positiva, e eu tomo remédio para ansiedade. Então assim, eu estou querendo começar a fazer o que o Devin Townsend fez, eu não consigo ainda. Eu não sei se você viu uma entrevista dele que ele foi no Ola, e falou assim: ‘Eu assisto vídeo no Youtube de gente fazendo tricô e de gatinho brincando.’ Por quê? ‘Porque senão [é gatilho para] um monte coisa negativa em mim. Eu não quero ficar alienado do mundo, mas eu também não quero alimentar um monte de coisas negativas. Então eu dou um tempo, faço um jejum de notícias e de redes sociais durante três semanas, vejo alguma coisa, e aí eu volto para aminha rotina de gatinhos e vídeo de tricô, porque senão isso afeta a minha música, afeta tudo.’ Aí perguntarem para ele sobre videogame e ele falou: ‘Ah, eu comecei a jogar videogame, começou a parecer uma lição de casa pra mim, então eu abandonei.’ Tipo, o cara está em outro rolê. Eu amo Devin Townsend. Eu acho até que ele passou do limite um pouco, ultimamente, mas assim, eu entendo ele, cara. Porque se você ver o Devin Townsend dos anos 90, depois de ter tocado com o Steve Vai, no Strapping Young Lad que é uma banda que eu amo, é uma coisa intensa, uma crítica sobre música, sobre gravadora, crítica social. Você pega aquela música “Love?” — a letra é pesada. Não é fácil. Eu entendi o que ele quis dizer, mas não é uma coisa positiva. Ele está fora disso. Ele parou de usar droga e está em outra. O cara está calmo e a música dele reflete tudo isso. É o que eu tenho tentado fazer, mas é muito difícl. Mas a inquietude desse momento que nós estamos vivendo no mundo rouba muito a minha brisa, mas também impulsiona a fazer o que eu fiz, talvez.”
Silas disse ser muito “combativo” contra tudo o que está acontecendo no mundo — no entanto, isso não tem feito nenhum, já que ele não obtém nenhum resultado sendo combativo. Ela também falou sobre sua descrença no futuro da arte e da música de uma maneira geral:
“Eu já percebi o seguinte: nós estamos num momento do planeta que ser combativo não muda porrra nenhuma. Dar a minha opinião não muda porra nenhuma. Se eu quero fazer alguma coisa, eu preciso dar um testemunho meu e, se alguém entender, tudo bem. Nós estamos vivendo um momento muito… na minha opinião, particular, muito negro de uma geral, inclusive, para a arte, para a música, eu acho muito perigoso. O advento de você colocar na mão de qualquer um a inteligência artificial para o cara compor uma música, é um tiro no pé da indústria fonográfica assim, absurdo, cara. Os caras já estão começando a pagar o preço. Teve uma inundação de artista fake no Spotify, os caras tiveram que resolver o problema, enfim. Tudo feito po I.A., então eu estou bem descrente do futuro da arte e da música de uma forma geral.”
Ouça abaixo os singles do novo álbum de Silas Fernandes: