Shamangra chama All Metal Stars para porrada: “Um cotovelinho na cara de vez em quando é bom pra acordar”

O Angraverso se supera a cada dia. Como se não bastasse a enorme quantidade de músicos, bandas e projetos orbitando o mesmo repertório, agora entramos também no campo da disputa direta pela atenção do público.

O ex-baixista do Angra e também do Shaman, Luis Mariutti, criou há alguns anos o Shamangra. O projeto nada mais é do que uma forma de Luis realizar shows tocando músicas do Angra e do Shaman das épocas em que integrou ambas as bandas. No entanto, em 2026, surgiu o All Metal Stars com uma proposta semelhante: homenagear o saudoso vocalista Andre Matos, interpretando músicas de toda a sua carreira.

Diante desse cenário, o Shamangra, que já havia enfrentado dificuldades anteriormente, voltou a lidar com desafios. Em dezembro de 2024, o projeto chegou a anunciar o cancelamento de apresentações e até mesmo o encerramento de suas atividades devido à baixa venda de ingressos em algumas datas específicas.

Porém, em agosto de 2025, Luis Mariutti e sua esposa, Fernanda Mariutti (gestora do projeto), anunciaram o retorno do Shamangra. A decisão surgiu a partir da percepção de que ainda havia demanda do público — especialmente durante o hiato do Angra — além do desejo de Luis de continuar celebrando sua trajetória musical.

Agora, além do Shamangra e do All Metal Stars, teremos também o retorno do Angra no segundo semestre, desta vez para celebrar o álbum “Holy Land”. Isto é, serão no mínimo três projetos diferentes disputando a atenção do mesmo público.

Shamangra x All Metal Stars

Em uma edição recente do Mariutti Team Podcast, Luis Mariutti entrevistava a guitarrista Helena Nagagata quando resolveu sugerir uma espécie de disputa entre os projetos. Durante a conversa, Luis comentou sobre a resistência e a desconfiança de parte do público em relação à capacidade de Helena Nagagata de executar músicas do Angra e do Shaman, especialmente após sua participação em shows do Shamangra. No entanto, o diálogo logo tomou outro rumo quando Fernanda Mariutti comentou:

“Na internet, mesmo a pessoa provando, fazendo bem e tal, ainda sempre vai ter quem vai lá só pra falar merda.”

Luis concordou com a esposa:

“Quem não gosta tem aí o Fight Music Show hoje em dia pra resolver as paradas.”

Nesse momento, Fernanda acrescentou:

“Ah, eu acho que a gente tinha que fazer um do Metal.”

Luis continuou:

“Eu to com 55, mas se tiver alguém com algum desconforto comigo e quiser fazer uma lutinha no Fight Music Show, eu luto, com 55 anos eu luto.”

Helena Nagagata entrou na brincadeira:

“Alguém vai querer enfrentar o Luis?”

Por fim, Fernanda aproveitou para mencionar o All Metal Stars:

“Ah, a gente podia, já que tá essa guerra de repertórios, podia fazer Shamangra x All Metal Stars no Fight Music Show, vamos?”

A declaração foi seguida por risadas, e Fernanda ainda comentou que gostou da ideia e que também poderia lutar. As falas surgiram em tom descontraído, especialmente considerando o passado de Luis Mariutti como lutador. Em meio à conversa, alguém da produção do programa brincou:

“O Luis deita eles em um segundo.”

Luis reforçou o desafio:

“Então, se alguém se sentir no apetite…”

Na sequência, Fernanda voltou a mencionar a ideia de uma versão voltada ao Metal do evento, enquanto Luis continuou:

“Eu sempre gostei de luta, eu não levo isso como uma treta, né. É que é legal hoje em dia ter um evento de músico lutando. Poxa vida, lutei minha vida inteira, então, eu dou meus chutinhos”

Fernanda finalizou, em tom provocativo:

“Uma caneladinha não faz mal, né? Um cotovelinho na cara de vez em quando é bom pra acordar.”

Galvão, sentiu!

Embora os comentários tenham surgido em tom de brincadeira — ao menos em um primeiro momento —, é difícil ignorar que toda brincadeira costuma carregar um fundo de verdade. Fica bastante evidente que Luis Mariutti e Fernanda Mariutti não ficaram satisfeitos com a proposta do All Metal Stars, especialmente por disputar não apenas a venda de ingressos, mas também a atenção de um público já bastante segmentado.

É compreensível que exista incômodo. No entanto, também é preciso colocar as coisas em perspectiva. Apesar de Luis Mariutti ter feito parte de formações importantes do Angra e do Shaman, ele nunca foi um dos principais compositores dessas bandas, tampouco ocupou uma posição de grande protagonismo. Seu papel sempre foi mais discreto, mais próximo de um coadjuvante do que de uma figura central.

Ele tem o direito de tocar esse repertório? Sem dúvida. Mas, na prática, o que vemos é essencialmente um tributo — ou, sendo mais direto, um cover. Isso difere bastante do que acontece, por exemplo, quando Edu Falaschi revisita álbuns como “Rebirth” ou “Temple of Shadows”. Nesse caso, trata-se de um artista que foi frontman, participou ativamente da composição e ajudou a construir a identidade daquela fase da banda. Era, de fato, a cara do Angra naquele período.

Já no caso de Luis Mariutti, o verdadeiro protagonista dessa história, Andre Matos, faleceu em 2019. Desde então, formou-se uma espécie de circuito paralelo, com diversos músicos brasileiros tentando manter viva — e, em certa medida, também sobreviver — a partir do legado deixado por ele.

Existe legitimidade?

Nesse contexto, a suposta autoridade do Shamangra sobre esse repertório, especialmente o do Angra, soa, no mínimo, risível. Trata-se de uma legitimidade bastante limitada, semelhante à que David Ellefson possui sobre o repertório do Megadeth: alguém que esteve lá, sem dúvida, mas que jamais foi o principal responsável pela criação ou pela identidade artística da obra.

No fim das contas, talvez fosse mais interessante ver esses músicos canalizando sua experiência e talento em novos projetos, criando algo original e construindo um legado próprio — algo que realmente possam chamar de seu, em vez de permanecerem orbitando, indefinidamente, a obra de outros.

Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
1 comentário
  • Um cara que tem uma banda chamada “Shamangra” e que a mulher manda nele não merece respeito

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