Sepultura: atual EP em andamento será o último material de estúdio “até o tempo dizer outra coisa”

Em uma nova entrevista ao canal Kazagastão, o guitarrista do Sepultura, Andreas Kisser, falou sobre a atual turnê de despedida e foi questionado se ele considera o o atual material (à princípio um novo EP), no qual a banda está trabalhando será realmente o último registro de estúdio do grupo. Enquanto discutia sobre a primeira balada do Sepultura que ele e o vocalista Derrick Green compuseram ao lado de Sérgio Britto e Tony Bellotto, dos Titãs, Andreas disse:
“Foi muito bom por que nós tivemos espaço para fazer um coisa realmente artística — sem uma pressão. Um projeto que o próprio Sepultura financiou. Nós estamos em um momento muito organizado, onde nós queríamos estar mesmo, sereno. E parar em um momento muito tranquilo, sabe?”
Perguntado se será o último trabalho inédito da banda, ele respondeu:
“Sim… até o tempo dizer outra coisa. Por que assim, eu não tenho necessidade nenhuma de definir, hoje, se vai ser para sempre ou não. Isso não tem sentido nenhum. O fato é que nós estamos parando. Se vai voltar ou não, isso é outra história. Por que é que eu tenho que definir agora, ‘Ah não, vai ser para sempre.’ Nem a vida é para sempre.”
Andreas acrescentou:
“O que eu falo, é que o fato de pararmos está sendo muito saudável. Está saindo um EP dessa forma que nós nunca fizemos antes. A turnê está maravilhosa — e todas as possibilidades de projetos além do Sepultura estão aparecendo.”
O guitarrista também refletiu sobre a pressão por um novo disco do Sepultura após a pandemia:
“O que me sufocou, logo depois de uma reunião dos managers, logo depois da pandemia, quando a coisa começou a volar… ‘Ah, vamos falar de um disco novo, nós temos esse contrato, que não sei o quê…’ Começou a me dar um… [me sufocar]. Tipo, não, cara, não! Eu não vou fazer outro disco, eu não vou entrar nesse processo de novo! E aí começaram a surgir essas possibilidades, muito em relação ao que eu tive com a Patrícia também — da morte dela e de todo o processo e, de ver que a finitude é uma aula, a morte é uma professora. À partir do momento que nós aceitamos o inevitável, que tudo acaba, nós vivemos mais, nós temos mais intensidade no dia a dia, temos mais possibilidades de energia, de agregar pessoas, de frequências, de tudo; e de viver realmente! A morte dá sentido a tudo. A finitude dá sentido a tudo, o fim de um livro, o fim de um filme, se você não chega no fim, não tem sentido. Não tem o espaço para você refletir sobre suas ações, sobre o que aconteceu, sobre o que foi certo e o que foi errado. O que precisar ser mudado, onde aprendi, onde precisa ser feito mais, onde precisa ser feito menos. É no fim, quando você acaba um processo.”
Ele continuou:
“Esse fim está dando prazer. Não está nos colocando num lugar de boneco onde somos escravos de nós mesmos. ‘Ai, eu tenho que ser esse Andreas Kisser porque todo mundo acha que eu tenho que ser isso.’ Não. Eu me crio todo dia, eu posso ir para qualquer lugar. E a arte te dá autoconhecimento, ela te coloca em situações desconfortáveis, de você se buscar e se conhecer realmente. A música, no meu caso, foi tudo para mim — e continua sendo. Eu continuo aprendendo, continuo tendo aula, eu continuo descobrindo coisas. É maravilhoso.”
Acompanhe a entrevista completa abaixo:
