Sepultura aparece no Altas Horas e Andreas Kisser toca “Primeiros Erros” com Luiz Caldas

O Sepultura foi uma das atrações musicais do Altas Horas exibido no último sábado, 19 de setembro, na TV Globo. Em meio à reta final da turnê de despedida, a banda ocupou um espaço raro para o Metal brasileiro na televisão aberta, misturando clássicos, músicas recentes e encontros com artistas de outras gerações.
A abertura trouxe um momento simbólico: Sepultura e Titãs dividiram o palco em “Polícia”, música originalmente lançada pelos paulistas nos anos 80 e regravada pelo grupo mineiro na versão brasileira de “Chaos A.D.”.
Clássicos, fase atual e encontros improváveis
Além da parceria com os Titãs, o Sepultura apresentou músicas de diferentes períodos de sua trajetória. O repertório exibido no programa incluiu “Arise”, “Against”, “Beyond The Dream” e “Slave New World”.
A participação também abriu espaço para encontros menos óbvios. Luiz Caldas cantou “Epitáfio” ao lado do Sepultura, enquanto Andreas Kisser dividiu “Primeiros Erros” com o músico baiano.
Esses cruzamentos com outros estilos são parte importante da identidade do Sepultura. Durante muitos anos, especialmente aos olhos do público internacional, a capacidade da banda de dialogar com outras linguagens sem abandonar o peso parecia uma de suas maiores forças. Foi assim desde as experiências rítmicas de “Chaos A.D.” e “Roots”, quando o grupo ampliou os limites do Metal brasileiro e levou essa mistura para o mundo.
No entanto, dentro do próprio Brasil, a percepção da maioria dos fãs é bem diferente quando o assunto chega às participações mais recentes. Para uma parcela considerável do público principalmente Andreas Kisser passou bastante do ponto nessa busca por encontros improváveis. A opinião mais comum é que o músico transforma algo que já soou ousado e interessante em algum lugar do passado, em cenas quase vexatórias.
Uma despedida com alcance popular
A participação no Altas Horas acabou reforçando essa divisão. Por um lado, ver o Sepultura em rede nacional ainda tem peso simbólico, sobretudo em plena reta final de carreira. Por outro, os encontros com artistas tão distantes do universo da banda reacendem uma discussão antiga: até que ponto essas misturas ainda ampliam a linguagem do grupo e em que momento começam a diluir sua identidade?
Aparecer em um programa de grande alcance pode ser benéfico, mas a banda não falou apenas com o público dos festivais e casas de show. Ela levou parte de sua história a uma audiência muito mais ampla e em plena reta final de uma trajetória que atravessa mais de quatro décadas, parece que o legado que quer deixar é exatamente este: ser Metal, mas com atitudes que os próprios headbangers não se sentem representados.