Segundo Max Cavalera, alguns álbuns de Metal assustadoramente previram o futuro

É muito interessante como algumas letras de música tem um poder quase sobrenatural de permanecer atuais mesmo décadas depois de terem sido escritas. Exemplos não faltam e, especialmente, bandas de Thrash Metal, conseguiram fazer isso muito bem.
É claro que essas são as bandas que em boa parte das vezes trabalham com críticas políticas, cenários apocalípticos e visões sobre futuros hipotéticos sombrios. O lado bizarro é que elas acabaram acertando em várias previsões.
Em uma recente entrevista a David Ellefson no podcast The David Ellefson Show, o vocalista/guitarrista Max Cavalera falou um pouco à respeito disso.
O músico brasileiro falava sobre seus shows com o Nailbomb, mas acabou comentando sobre o álbum ter envelhecido bem. E isso se dá, principalmente, se olharmos do ponto de vista lírico. Questionado se ele estava preparando algum material novo do Nailbomb, Max disse o seguinte:
“Não, cara. Nós só fizemos um disco! Mas eu achei muito divertido. Foi muito bom, nós fizemos ele na época do ‘Chaos A.D.’, mas eram opostos completos. O ‘Chaos A.D.’ tinha uma pressão para ser um sucesso comercial e ser um grande disco. Com o Nailbomb a gente dizia: ‘não damos a mínima se ninguém gostar disso, nós só queremos fazer’. E fizemos isso principalmente em casa, eu e o Alex meio que nos concentramos em riffs na minha antiga casa, levamos para o estúdio, convidamos um monte de gente e fizemos. Esse processo me ensinou muito sobre gravação.
Às vezes as melhores ideias surgem no calor do momento. Sabe, elas são como um raio de luz na escuridão. E esse disco foi muito divertido de fazer, eu o revivi em 2017, quando fizemos alguns shows, mas no ano passado fizemos um grande show em Phoenix chamado The Max Dynasty Show. E o Nailbomb tocou e foi fantástico pra caramba. Foi algo como, ‘sim, eu quero tocar isso mais vezes. Isso é muito divertido. Foi uma das coisas mais divertidas que eu fiz na minha carreira’. Então decidimos tentar e vamos para a Europa para vários festivais como Bloodstock, Wacken, Dynamo, então vai ser algo legal. E sabe, estou animado, encontrei vários caras diferentes para fazer essa nova banda.
E como eu disse, eu amo o disco, acho que ele se encaixou muito bem nos tempos loucos que estamos vivendo agora. Se encaixou feito uma luva em 2025.”
Questionado sobre ser curioso esse tipo de padrão onde a história se repete e letras antigas parecem atuais, Max Cavalera aceitou o desafio e falou um pouco sobre o tema. No próprio “Chaos A.D.” havia letras que diziam frases como “war for territory” e todas essas outras letras que são exatamente o que tem acontecido no mundo hoje. Sobre isso, ele começou brincando:
“Quem diria que éramos tão espertos, não? (risos). É meio louco como muitas coisas no disco, inclusive uma música chamada “24 Hour Bullshit”, que foi uma crítica escrita para a TV naquela época, mas você pode ver isso totalmente em tudo relacionado as mídias sociais. Isso se aplica a tudo. É claro, na época não existia mídias sociais ou algo assim, mas estávamos nos referindo a lavagem cerebral que as TVs faziam nas pessoas e coisas assim.
Mas sim, é uma loucura, eu estava conversando com um amigo meu quando a Covid nos atingiu e eu pensei: ‘cara, os discos eram verdadeiros, eles falavam a verdade’. Eles estavam falando sobre isso, você sabe, eu me lembro do Nuclear Assault falando sobre esse tipo de merda. Era sobre o que eles estavam cantando e agora está acontecendo. Os fãs estão descobrindo isso, é uma loucura.
Na época era como se estivéssemos descobrindo algo que ninguém sabia, sabe? Eu acho que muitas bandas de Thrash Metal tinham isso, certo? Todo esse lance de falar sobre perigos nucleares, paranoia nuclear, vírus de laboratório e toda essa merda. Então é meio engraçado que depois de todos esses anos, muita coisa disso se tornou realidade. É uma loucura.”