Segundo Andreas Kisser, é lamentável ver Max Cavalera tocando hoje: “Não tem evolução musical, técnica”

De acordo com uma nova declaração do guitarrista do Sepultura, Andreas Kisser, os irmãos Cavalera “aparentemente” não querem participar de uma reunião para subirem ao palco com a banda no último show da turnê de despedida em 2026.
No entanto, Andreas admite que também não sente a menor vontade de tocar com os Cavalera novamente. Em uma nova entrevista ao canal 100segredo, ele declarou:
“Eu não sei, cara, e para quê também, mano? Já foi. Por que que tem que voltar? Não tem sentido isso. Cara, para você trazer alguém, para você ver qual música que vai tocar… o camarim, que hora que vai chegar? Vai ter ensaio ou não vai? Quer tocar essa? Não quer, vai tocar ou não vai? Primeiro que eu não tenho a mínima vontade de tocar com eles de novo, entendeu? E o Sepultura está em outro momento. Eu vejo eles tocando, enfim… Não vou entrar nesse nesse mérito porque é só uma opinião minha. Mas assim, cara, a gente está fazendo uma coisa tão legal. Com gente que vale a pena, com gente que você olha no olho e confia — com gente que não tem segundas ou terceiras intenções, que respeitam o que Sepultura é hoje.
E é isso que eu gosto, de trabalhar o presente. A gente vai fazer o último show ano que vem. E parece que eles não querem participar e tudo bem, ok. Nós vamos celebrar, nós queremos celebrar com gente que quer estar ali, que faz parte do que o Sepultura é — e não do que o Sepultura foi. E eu não entendo essa pressão de ‘porque os outros fazem a gente tem que fazer também’. Nosso momento passou, mano. Foi o que foi. E o Max saiu em 96 e o Igor saiu em 2006. Foram 10 anos de diferença. Porque muita gente fala: ‘Ah, os cavaleras saíram’. Não foi bem assim, né? O Max saiu em 96, o Igor ficou 10 anos com a gente, fez grandes discos como Against, como Nation e até o Dante, que foi mais difícil de fazer porque ele já estava de saída da banda, mas fizemos e foi um processo fantástico também. Até ele dizer: ‘isso não é mais para mim, vou sair’, e etc. Ok. E a gente foi se adaptando e vivendo o presente, mexendo com os elementos que sobraram e elementos novos que chegaram. E o Sepultura é isso, é como eu disse aqui, é criar o Sepultura todo dia, um novo Sepultura.
Todo dia a gente cria alguma coisa nova, a nossa vida é criada todos os dias. Nada é garantido nem no futuro nem no passado. Você vê a gente mudando o passado toda hora em consequências de informações novas que aparecem, ou arqueológicas ou filosóficas. A gente vê e interpreta o passado de uma forma diferente e que vai influenciar o futuro, né? O Sepultura é isso. Estamos no nosso melhor momento. Não tem biquinho no backstage, temos o mesmo camarim, saímos para jantar juntos, conversamos de política, de mulher, de futebol. E estamos vivendo, não somos escravos de um personagem, sacou? Eu sou o que eu quiser, você também. E o sepultura é consequência disso, do que o Paulo é, do que o Greyson é, do que o Derek é. São pessoas fenomenais, sabe? Fantásticas. E que você pode confiar, são profissionais e que curtem o que fazem, não estão ali obrigados, né? E essa pergunta é tão óbvia e ao mesmo tempo tão desnecessária, porque o Sepultura é o Sepultura. O que é que tem que as outras bandas voltaram? Para que eu vou lá subir num palco [com Max] sem saber o que que vai acontecer? ‘Ah, o Max hoje está cansado, não quer fazer essa’, sabe? ‘Ô, não consigo cantar, não consigo fazer isso’. Ver ele tocando é lamentável, na verdade, cara. Sabe?”
Andreas criticou as habilidades de Max Cavalera hoje, como guitarrista. Segundo Andreas, Max não evoluiu:
“Parou no tempo. Não tem evolução musical, técnica. Tanto é que está fazendo coisas que a gente escreveu 30 anos atrás. E não tão bem assim, né? Enfim. E tem gente que curte ainda, acha que é relevante você ficar ficar brincando de ser banda, sabe? Ao invés de ser você mesmo, de fazer suas coisas hoje e largar o passado onde ele merece, no passado. E aprender com ele. Nós estamos sempre aprendendo alguma coisa.
Eu gostaria muito que eles participassem desse último show, sabe? Não só eles, como todos os integrantes, o Jairo, o Eloy, até o Roy Mayorga que entrou depois que o Igor saiu. O Silvio Golfetti, que quando eu quebrei o braço, ele foi lá e fez a turnê com a gente, o Jean Patton, que quando a Patrícia faleceu, ele me substituiu na Europa. O Amilcar Cristófaro, que também participou quando o Jean se machucou, o Eloy, enfim, Bruno Valverde, cara, uma galera super importante que fez parte dessa história de manter o Sepultura vivo e relevante até hoje, com 42 anos.”
