Sebastian Bach: “eu ainda não aceitei que Ozzy Osbourne morreu, porque uma parte da minha infância morre com Ozzy”

Sebastian Bach, ex-vocalista do Skid Row, compartilhou seus pensamentos sobre a morte de Ozzy Osbourne, a quem ele chamou “um de seus heróis”. Ozzy faleceu no último dia 22 de julho devido a um ataque cardíaco, e apenas dezessete dias após o show de despedida do Black Sabbath em Birmingham. Em uma nova entrevista concedida a Greg Phillips do Australian Musician, Sebastian Bach declarou:
“Eu ainda estava me recuperando do show, o ‘Back To The Beginning’, quando descobri que Ozzy tinha morrido. Eu nunca pago por streaming ou algo assim, mas vi, no dia seguinte ao show, algumas imagens no YouTube do pro-shot [transmissão ao vivo do evento], e chorei assistindo porque amo o BLACK SABBATH e adoro vê-los, na idade deles, se reunirem e tocarem uma última vez. Então eu assisti e fiquei impressionado. E então convidei meus amigos, porque tenho um sistema de som incrível na minha sala de estar e eu disse: ‘Venham. Vamos assistir.’ Então, fui ao YouTube e ele tinha sumido. Sharon deve ter mandado tirar do ar; não estava mais no YouTube. Então, eu disse: “dane-se”. Fui ao site do “Back To The Beginning” e comprei o streaming. E ele só estava disponível por mais um dia. Então, eu estava com a casa lotada — bem, eu tinha acabado de receber alguns amigos — e paguei pelo streaming, e assistimos o máximo que pudemos. E foi tão pesado assistir a eles que eu não estava preparada para a morte dele. Eu ainda estava me recuperando de assistir àquele show, que foi apenas uma semana ou uma semana e meia antes de ele nos deixar. Então, no dia em que ele morreu, eu não estava preparada. Acho que nenhum de nós estava preparado, porque tínhamos acabado de ver aquele show literalmente dias antes.”
Bach conta que Ozzy fez parte de sua infância, e perder Ozzy é como se uma parte de sua infância morresse junto com ele:
“Eu tenho essa coisa, de que provavelmente não é certo fazer isso, mas aprendi isso quando meu pai morreu em 2002. Chorei tanto que não me restaram mais lágrimas. Por meses, fiquei tão magoado que meu pai morreu aos 57 anos, que é a minha idade agora — bate na madeira. Enfim, todos nós passamos por isso. É a vida. Cada um de nós tem que lidar com isso. Mas o que eu aprendi é que às vezes tenho que compartimentar as coisas para conseguir passar o dia. E algumas vezes, desde que meu pai morreu, às vezes agora, quando um membro da família morre ou um dos meus heróis morre, como Ozzy ou Gregg Allman ou Eddie Van Halen ou Neil Peart, às vezes finjo que nunca aconteceu. Eu sei que isso é meio ruim. Acabei de perder meu primo Kevin — ele tinha 52 anos — de câncer, e parte de mim se recusa a aceitar isso. Na minha cabeça, eu fico tipo, ‘Foda-se o câncer. Foda-se. Não vou me deixar sentir isso de verdade.’ Claro, eu sinto, e às vezes me atinge, mas quando meu pai morreu, eu não tinha compartimentação. Então, conforme vou envelhecendo, talvez seja frio, talvez não seja certo, mas às vezes eu simplesmente finjo que isso nunca aconteceu. E eu ainda não aceitei que Ozzy Osbourne morreu, porque uma parte da minha infância morre com Ozzy, e eu não sou mais criança. [Risos] Então é melhor eu me acostumar com isso.”