Sebastian Bach dispara contra IA: “Eu sempre vou oferecer estupidez real em vez de inteligência artificial”

As declarações do ex-vocalista do Skid Row, Sebastian Bach, voltaram a esquentar o debate sobre inteligência artificial na música. Em entrevista ao canal The Charismatic Voice, apresentado por Elizabeth Zharoff, o cantor não mediu palavras ao afirmar que “odeia” IA e que jamais utilizará qualquer recurso do tipo em seu trabalho. Além disso, ele criticou duramente o uso de vocais pré-gravados em shows, reforçando sua defesa da performance ao vivo sem trilhas de apoio.
Para Sebastian Bach, recorrer a tracks e cliques tira a essência do palco. Ele argumenta que muitos artistas já não precisam sequer aquecer a voz, pois deixam que a tecnologia sustente refrões e harmonias. Ainda assim, admite sentir-se “um dinossauro” por resistir a essa prática. Enquanto outros otimizam tempo e energia, ele mantém o ritual tradicional: ensaio, preparo vocal e entrega total no palco. Essa postura, segundo ele, faz parte do que entende como compromisso artístico.
Entre o purismo e a transformação do mercado
Quando o assunto migra para inteligência artificial, o discurso fica ainda mais contundente. Sebastian Bach afirma que deixa de seguir nas redes sociais qualquer perfil que publique conteúdos gerados por IA, incluindo montagens envolvendo nomes como Van Halen, David Lee Roth e Sammy Hagar. Para ele, a palavra “artificial” já basta como motivo de rejeição. Prefere, como diz, “estupidez real” à “inteligência artificial”.
Veja a declaração completa:
“Eu posso garantir uma coisa para você, qualquer um que esteja assistindo a isso precisa entender: eu odeio A.I. Eu odeio. Toda vez que vejo isso no meu feed, eu deixo de seguir a pessoa. Outro dia mesmo, alguém postou umas imagens antigas do Van Halen em Fresno, Califórnia, em ’78, com David Lee Roth ao vivo no palco, e foi um dos posts mais legais que eu já tinha visto no Instagram, Van Halen antigo, então eu segui essa pessoa. O post seguinte que ela fez era David Lee Roth e Sammy Hagar com os braços em volta um do outro, e era A.I. E eu fiquei tipo: parei de seguir.
“Estou dizendo agora, pessoal. Se você postar coisas tipo ‘Aqui está o Sebastian aos 19 anos se transformando na idade que tem agora’ — deixo de seguir, tchau”, ele continuou.
“Todo esse lixo de A.I. — você tem a minha palavra, vocês me conhecem há quase 40 anos, eu nunca vou usar isso de forma alguma. Sempre vai ser só eu e minha banda juntando as coisas.
“Não acredito que preciso dizer isso, mas acho que preciso”, acrescentou Bach. “A única maneira de você saber se algo não é A.I. é se confiar na pessoa que está fazendo a arte. Estou dizendo agora, estou dizendo a você, você nunca vai ver isso vindo de mim, porque, número um, eu odeio. Número dois, eu não sei usar e não tenho nenhum interesse em usar. Então eu sempre vou oferecer estupidez real em vez de inteligência artificial… Quero dizer, só a palavra ‘artificial’ — isso já deveria afastar a maioria das pessoas. Artificial — não, obrigado. Que tal real? Eu não curto nada artificial, na verdade.”
No entanto, o mercado da música vive um momento de transformação acelerada. Ferramentas de IA já auxiliam na produção, na distribuição, na análise de dados e até na criação de campanhas de marketing. Enquanto alguns artistas estudam essas ferramentas para entender seus impactos e limites éticos, outros reagem de forma emocional. É justamente nesse ponto que a reflexão se torna necessária: não basta rejeitar; é preciso compreender.

Ao longo da conversa, Sebastian Bach também relembrou sua própria trajetória. Ele destacou a influência de nomes como Neil Peart, do Rush, além de artistas como Neil Young, Willie Nelson e Gregg Allman. Segundo ele, músicos do passado desenvolveram técnica e identidade porque não contavam com o “apoio” tecnológico atual. Para o cantor, bateristas do nível de Neil Peart talvez não surjam novamente, já que muitos jovens dependem de recursos digitais em vez de prática intensiva.
Experiência pessoal, resistência e inevitabilidade
Por outro lado, o próprio relato de Sebastian Bach revela um músico ativo e inserido no mercado contemporâneo. Ele menciona turnês extensas, agendas lotadas até 2026 e uma rotina intensa de shows. Ou seja, apesar das críticas à tecnologia, ele se beneficia de um ecossistema musical que já opera com algoritmos, redes sociais, plataformas de streaming e sistemas automatizados de promoção — muitos deles impulsionados por IA.
Diante disso, o debate não se resume a ser “a favor” ou “contra”. A inteligência artificial já integra processos criativos e administrativos da indústria. Evidentemente, o setor precisa discutir regulamentações, direitos autorais e limites éticos. Contudo, rejeitar completamente a tecnologia não impede sua expansão; apenas distancia o artista da compreensão estratégica do cenário atual.
Portanto, a discussão levantada por Sebastian Bach serve como ponto de partida para algo maior: entender o mercado, adaptar-se sem perder identidade e usar ferramentas de forma consciente. No fim das contas, o que sustenta uma carreira não é apenas a tecnologia ou a resistência a ela. Faça boa música, com paixão e convicção, entregue sempre o melhor que puder ao público, profissionalize-se, entenda o mercado atual, aprenda sobre redes sociais, mas não se esqueça de buscar networking e estar em ambientes e situações que podem te favorecer.
