Savatage revela plano de dez anos e projeta retorno à América do Sul em 2027

Photo: Silvio Pfeifer

O retorno do Savatage aos palcos aparentemente está muito longe de representar apenas uma reunião passageira. Depois de retomar oficialmente suas atividades ao vivo em 2025 e ampliar a agenda pela Europa em 2026, a banda já trabalha com planos para os próximos anos. Segundo o baixista Johnny Lee Middleton, existe um planejamento de dez anos para esta nova fase, que também inclui mais músicas inéditas e uma nova passagem pela América do Sul em 2027.

A revelação aconteceu durante uma entrevista concedida ao Metal Mayhem ROC. Questionado sobre a continuidade das atividades do grupo e a possibilidade de novos shows nos Estados Unidos, Middleton deixou claro que o que aconteceu desde 2025 representa apenas o começo de algo pensado para durar muito mais tempo.

“Temos um plano de dez anos e estamos no segundo.”

Segundo o baixista, ainda existem músicas que o Savatage pretende lançar e um planejamento já estabelecido para os próximos passos. A banda trabalha atualmente para organizar apresentações nos Estados Unidos em 2027, ao mesmo tempo em que já projeta novas visitas a mercados onde encontrou uma resposta particularmente forte desde o retorno.

Nesse contexto, Middleton foi direto ao mencionar os fãs sul-americanos:

“Planejamos voltar à América do Sul no ano que vem.”

Além do continente sul-americano, a Europa também deve receber novamente a banda em 2027. Já nos Estados Unidos, o cenário é mais complicado. Entre as possibilidades avaliadas estão apresentações isoladas do Savatage ou uma turnê em pacote ao lado de outros artistas, formato que poderia ajudar a tornar os custos da operação mais viáveis.

América do Sul teve papel fundamental no retorno do Savatage

A declaração sobre 2027 ganha ainda mais importância porque foi justamente na América do Sul que o Savatage deu início à sua retomada definitiva dos palcos.

Em 19 de abril de 2025, o grupo participou do Monsters of Rock, no Allianz Parque, em São Paulo, naquela que foi sua primeira apresentação desde a reunião especial realizada no Wacken Open Air, em 2015. Dois dias depois, a banda realizou um show completo no Espaço Unimed, também na capital paulista, dividindo a noite com o Opeth.

Na sequência, o Savatage passou pelo Chile e pela Argentina, antes de levar essa nova fase para a Europa.

Na própria conversa com o Metal Mayhem ROC, Middleton recordou a incerteza que existia antes dessas primeiras apresentações. Depois de tantos anos distante das turnês regulares, ninguém dentro da banda sabia exatamente qual seria a dimensão da resposta. A reação encontrada tanto na América do Sul quanto posteriormente na Europa ajudou a demonstrar que o público do Savatage continuava presente. E ainda transformou aquilo que inicialmente poderia parecer apenas uma série limitada de apresentações em algo muito maior.

Em 2026, essa retomada ganhou uma dimensão ainda mais ampla com a turnê Prelude To Madness. A excursão levou o grupo novamente a diversos países europeus, entre shows próprios e participações em festivais.

O que Middleton revela agora ajuda a colocar todos esses movimentos em perspectiva: 2025 não marcou apenas a volta de uma banda histórica aos palcos. Representou o primeiro ano de um planejamento que o Savatage pretende desenvolver ao longo de uma década.

Photo: Sebastian Lupu

Fazer shows nos Estados Unidos ainda é um problema

Curiosamente, enquanto Europa e América do Sul aparecem naturalmente nos planos da banda, organizar uma agenda consistente nos EUA continua sendo um dos maiores obstáculos.

Middleton explicou que a estrutura atual do Savatage tornou a operação consideravelmente mais cara do que nas décadas anteriores. Hoje, são aproximadamente 18 profissionais envolvidos na realização de uma apresentação.

Nos velhos tempos, segundo o músico, muitos integrantes da equipe eram amigos das próprias bandas e faziam parte daquele mesmo circuito musical. Atualmente, boa parte dos profissionais utilizados pelo grupo vem da estrutura da Trans-Siberian Orchestra, projeto que nasceu diretamente da história do Savatage, mas acabou atingindo proporções comerciais muito maiores.

O resultado é uma equipe tecnicamente muito qualificada, mas também muito mais cara.

Para Middleton, o problema é que o Savatage nunca chegou a construir nos Estados Unidos o mesmo poder de público que possui na Europa. Dessa forma, os cachês necessários para sustentar toda essa estrutura tornam uma excursão norte-americana mais difícil de montar.

Na Europa, os valores oferecidos aos shows permitem que a banda mantenha sua produção atual sem transformar a turnê em uma operação financeiramente inviável.

Apesar disso, Middleton deixou claro que negociações estão acontecendo e acredita que o público norte-americano provavelmente verá o Savatage novamente em 2027.

Mais músicas fazem parte desse plano

O planejamento de dez anos não envolve apenas apresentações. Middleton também confirmou que o Savatage ainda possui músicas que pretende lançar. E isto certamente reforça as declarações recentes sobre o material que vem sendo desenvolvido por Jon Oliva.

Em julho, o próprio baixista já havia revelado que Oliva continua compondo intensamente e que existe uma quantidade significativa de material disponível para o próximo trabalho. Na ocasião, descreveu as novas músicas como uma grande combinação das diferentes identidades construídas pelo Savatage ao longo da carreira.

Parte do material se aproxima do peso de momentos clássicos da banda, enquanto outras composições carregam características das diferentes fases lideradas vocalmente por Jon Oliva e Zak Stevens.

A ideia, segundo Middleton, não é lançar um álbum simplesmente para cumprir uma data determinada. O grupo prefere continuar trabalhando no repertório enquanto Jon Oliva apresenta novas composições e o projeto encontra naturalmente sua forma definitiva.

A declaração sobre o planejamento de longo prazo ajuda a explicar essa ausência de pressa. Se o projeto atual realmente foi estruturado para uma década, o Savatage aparentemente não precisa condensar todas as novidades em um único álbum ou em uma única sequência de turnês.

A banda ainda tem tempo.

Reprodução/Facebook Oficial
Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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